sexta-feira, 31 de julho de 2009

HARK SEI NEI - MEDO EXTREMO

MEDO EXTREMO

Hong Kong (2008)

Direção: Cub Chin

Elenco: Sam Lee, Elanne Kwong, Tommy Yuen, Ho-Yin Wong e Kwok Cheung Tsang

“Medo Extremo” foi produzido por Danny Pang (metade dos Pang Brothers que vem revolucionando o cinema asiático desde o início do século) só isso já bastaria para estarmos diante de um filme realmente assustador coisa e tal. Infelizmente não é assim.

Dividido em duas partes, o longa do estreante diretor Cub Chin usa e abusa de tudo que está caracterizando o novo terror japonês: meninas com olhos de mangás, cabeleiras, suicídios, celulares com mensagens do além e trilha sonora errática intercalando gritaria com silêncio.

A primeira parte, a melhor, mostra o azarado Kan, jogador de Mahjong (uma espécie de jogo de dominó), que vive perdendo e se endividando. Como ele não paga (aquela clássica história do: agora eu ganho e me recupero) é ameaçado de morte pelos credores. Promete mais uma vez e acaba furando com os impacientes donos da dívida. Leva uma surra monumental.

Agora o Kan está todo estropiado no leito de um hospital e começa a ouvir vozes. Avista um espírito atrás da cortina que acaba lhe propondo um pacto faustiano. O desesperado convalescente acaba entrando na onda da entidade e faz o demoníaco acordo. É avisado então que terá sorte grande por 13 dias consecutivos mas apenas uma vez em cada dia. Ganha uma fichinha daquelas de cassino e tem sempre que coloca-la na boca quando estiver jogando. A mandinga é um amuleto encantado que além de espantar o azar acaba transformando seu portador num campeão das jogatinas.O Kan sempre ganharia com a peça zero-zero do dominó.

O ex-azarado então coloca a fichinha na boca e já sente o poder vital correndo nas veias. Se liberta das bandagens e sai em disparada até sua casa. Lá encontra a irmã morta no centro de uma poça de sangue.

Mas ele nem tem tempo para chorar já que os credores descobrem que ele saiu do hospital e querem o seu couro. Na fuga o Kan se abriga numa espécie de bingo. Ganha de todos no dominó (sempre com a peça zero-zero que o fantasma do hospital lhe disse) e enche os bolsos. Como efeito cômico o diretor filma uns suicídios, mal coreografados, dos perdedores. Esta é uma das maldições que o jogador tem que suportar: suas vitórias causam a morte das pessoas que o cercam.

Bom, os 13 dias se passaram e o Kan paga o que deve para os vilões. Após acertar o último yen eles (os credores) desaparecem como por encanto; o que demonstra que todos eram demônios que já estavam em seu encalço. Toca o celular do Kan e ele corre para o hospital já que seu filho está para nascer. Lá, ele encontra nos corredores um monte de cirurgiões e enfermeiros paralisados de medo e quando entra na sala de parto vê a esposa morta e o bebê (morto) sem rosto. A criança nasceu com a cara lisa como a peça de domino zero-zero. Fim da primeira parte.

Na segunda seqüência temos o preguiçoso Tommy, amigo de dominó do Kan, se inscrevendo para um reality show mortal. Se conseguir passar uma noite numa casa mal assombrada ele embolsa US$ 130 mil. Como é literalmente durão (sem dinheiro) vai pro sacrifício e tem que enfrentar zumbis, dobermans assassinos, fantasmas, bruxas e cobras. Quando o filme começava a fazer um certo sentido aparece do nada uma terceira personagem . Agora vindo sabe se lá de onde temos uma garota que começa a sofrer com elevadores do além. Cenas de claustrofobia, tentativas de mutilações, corredores que dão para lugar nenhum e escadas encantadas…

A salada indigesta termina com o Tommy morto (ajoelhado sem vida no corredor da mansão). Aparece um guarda noturno e atesta: - “Morreu de susto !” . Nós, a está altura também morremos:

- De sono!

Pequena derrapada dos grandes Pang Brothers !

**Regular

quinta-feira, 30 de julho de 2009

LOS DOCTORES LAS PREFIEREN DESNUDAS

Los doctores las prefieren desnudas.jpg

Argentina (1973)

Direção: Gerardo Sofovich

Elenco: Alberto Olmedo, Jorge Porcel, Jávier Portales, Moria Casan e Adolfo Garcia Grau

Espécie de Gordo e Magro dos pampas, a dupla Alberto Olmedo (o magro) e Jorge Porcel (o gordo) é responsável pelos melhores momentos da comédia produzida na Argentina.

Com aquela picardia típica do gênero, que mistura mulheres bonitas, piadas de humor negro e mutretagens alto astral , “Los Doctores Las Prefieren Desnudas” é a maneira certa (uma espécie de introdução) de se aventurar por um território, para nós, desconhecido.

Em 1973 em plena vigência do regime militar argentino (1966-1983) os cineastas locais sofriam para filmar qualquer coisa já que tudo por lá era proibido. Alberto Olmedo começa a formar sua lenda pessoal neste cenário. Com 40 anos de idade ,uma carreira meio estacionada e atuação em filmes medianos (a maioria séries de TV), ele só contava com uma singela cara simpática e a sua figura esguia e elegante que o fazia aparentar ser mais jovem do que as quadro décadas já vividas.LOS DOCTORES1

Num misto de sorte e genialidade ele vislumbrou uma guinada na carreira: teve a feliz idéia de começar a recusar papéis sérios e numa atitude que beirava o suicídio artístico declarou que só filmaria comédias. Assim, caracterizado sempre como um inocente e atrapalhado palhaço ele foi a sua maneira o Charles Chaplin milongeiro que dominou o cinema latino da época. O Porcel ajudou muito (uma espécie de Dedé Santana para os esquemas do Alberto).

“Los Doctores Las Prefieren Desnudas”,o filme, mostra Alberto Olmedo como empregado de uma concessionária de automóveis que recebe a missão de entregar um Aero-Willys que havia sido vendido a um cliente. Alberto decide retardar em um dia a entrega do automóvel para sair fazendo zoeira pelas ruas de Buenos Aires com seu amigo Jorge (o gordo).

Com paletós impecáveis, gomalina e perfume OK, sobem no carro e bancam os gostosões. Acabam parando num Teatro de Revista ansiosos para assistirem sua vedete favorita (a voluptuosa Moria Casan). Quando o show termina vão até o camarim levar flores e exercitar seus galanteios e a Moria (de maiô cavadinho) desmaia. Na ausência de um médico, o Alberto acaba mentindo e diz ser um cirurgião. O gordo confirma a história e dá credibilidade à farsa.

Seguem-se aquelas cenas de estetoscópio no peito da Moria, remedinhos, e logo os espertalhões armam uma operação de emergência dizendo que o estado de saúde da vedete era grave. Claro que tudo era uma jogada para vê-la pelada. A farsa é descoberta, a casa cai para os dois pilantras e o quando tudo parecia que terminaria mal para a dupla de espertinhos, eis que a Moria, já meio enamorada pelos trambiques do Alberto, decide perdoa-los a ponto de aceitar a carona no carro “emprestado”. Um primor !

Aqui se abla de amor !

***Bom

COMO FAZER AMIGOS E INFLUENCIAR PESSOAS

COMO FAZER AMIGOS

COMO FAZER AMIGOS E INFLUENCIAR PESSOAS

EUA (1937)

Autor: Dale Carnegie

Companhia Editora Nacional

Mais aqui:http://pt.wikipedia.org/wiki/Dale_carnegie

Download do livro:http://www.leonardokurcis.com.br/recomendo_como_fazer_amigos_&_influenciar_pessoas.html

quarta-feira, 29 de julho de 2009

TURISTAS

DVD Turistas

EUA (2006)

Direção: John Stockwell

Elenco:Josh Duhamel, Melissa George, Olivia Wilde, Desmond Askew e Beau Garrett

O esporte favorito dos gringos é falar mal do Brasil. Se você quer ter a certeza da espécie de linchamento que o nosso país sofre é só ler os tablóides ingleses. É um tal de devastação da Amazônia pra cá, menores abandonados pra lá, corrupção e índices de violência que faz parecer que moramos numa espécie de inferno tropical.

Eles também tem a idéia fixa de que existem jacarés, leões e cobras pelas ruas das grandes capitais e dão como líquido e certo que todas as mulheres daqui são prostitutas.

Questionar se estão ou não com a razão me parece uma enorme piada e perda de tempo. Só acho que ninguém gosta de ver erros apontados por outros mesmo quando eles estão escancarados para todos verem. Estão ?

Esta introdução é necessária para explicar “Turistas” de John Stockwell (que no momento está finalizando uma coisa chamada “Kid Cannabis”...). O filme é um amontoado de besteiras, clichês e factóides. Começa com um grupo de jovens turistas se perdendo nas estradas brasileiras: pensavam que estavam indo para Florianópolis mas acabaram em alguma praia do Nordeste.

Os turistas encontram uma ilha paradisíaca e um quiosque com comida e música; consomem todas as bebidas e drogas que encontram no caminho, ficam doidaços e começam a dançar o nosso maravilhoso funk carioca e o nosso autêntico forró. Logo temos a clássica história do “Boa Noite Cinderela” (o golpe da bebida com sonífero, não o milenar quadro do Programa Silvio Santos) e os jovens acordam semi-nús, sem passaportes e sem dinheiro. Aprendem na carne o que é “se ferrar de verde-e-amarelo”.

Um jovem praiano decide ajuda-los e os levam até uma casa no meio da floresta. No trajeto todos já tristes, desconfiados e temerosos decidem voltar. Percebem então que estão perdidos e, sem alternativas, dão uma espécie de “voto de confiança” ao guia turístico. Este sugere ao grupo um mergulho de cachoeira.

Mergulham. Tudo é bonito e belo, a cachoeira desembocava num lago cristalino que dava passagem, através de uma gruta submersa, até um outro lado da floresta. Aí vem a papagaiada do filme - O diretor meio sem idéias começa a apresentar intermináveis e claustrofóbicas cenas de mergulho. Sinceramente, nem juntando o Aquaman com o Namor alguém conseguiria mergulhar e ficar submerso por tantos minutos. Precisariam de um pulmão de ferro.

Neste instante (sei lá uns 30 minutos de filme, já fica explícita a picaretagem da fita), o jovem que os guiava dá um salto mal calculado, bate a cabeça e desmaia deixando todos perdidinhos da silva. Com muito esforço estes chegam a tal casa. Lá, como não aparece ninguém para recebe-los , começam a fuçar nas coisas e acham os próprios passaportes furtados na praia.

Com uma capacidade de recuperação maior que a do Wolverine aparece o morador que bateu a cabeça na pedra e agora ele está com outros planos. Quer matar todos os turistas por ter sido abandonado ferido.

Os jovens tentam fugir, são capturados e então aparece o verdadeiro vilão da história: um “cientista-louco” que tinha como hobby seqüestrar, drogar e extrair órgãos (rins, fígado, etc) dos manés que se arriscavam no nosso perigosíssimo país.

Não me recordo o final, parece que escapam da roubada mas não tenho certeza. Alguém se importa ?

“Turistas”.Uma verdadeira “viagem na maionese” !

*Ruim

DARNA ANG PAGBABALIK

darna ang pagbabalik GOOD

Filipinas (1994)

Direção: Peque Gallaga

Elenco: Anjanette Abayari (Darna), Edu Manzano, Cherie Gil, Pilita Corrales e Rustom Padilla

O cinema na Filipinas emprega 260 mil pessoas e movimenta milhões de dólares. Amado pela população, os títulos atraem atenção quase religiosa e toda a fita produzida por lá acaba arrastando multidões aos cinemas locais. Se não chega a ser um fenômeno, como a Bollywood indiana, consegue a custa de muita imitação e a manipulação dos mitos locais e internacionais engendrar coisas como impensáveis como “Darna ang Pagbabalik”.

Darna é a “criação” filipina baseada na HQ Varna que por sua vez é uma espécie de imitação da Mulher Maravilha. Darna , diferente de Diana que era filha de deusa grega, é uma mocinha pobre que recebe poderes mágicos num estilo semelhante ao do Capitão Marvel.darna2

A história do personagem remonta a revista “Darna” (que circulou no arquipélago como um gibi) que mostrava uma heroína sensual obediente a Vênus, indestrutível como Apolo e com força de Sansão. Seus superpoderes eram a capacidade de voar, a velocidade e a invulnerabilidade. Possuía também um medalhão e sua tiara emitia raios. Já o cinto era repleto de estrelas ninjas (shurikens).

O filme começa com cenas de um documentário qualquer mostrando inundações na Filipinas. Segue um dramalhão com moradores carregando o pouco que conseguiram salvar e tome crianças e idosos chorando. Um menino de uns cinco anos grita pela irmã, a jovem humilde Narda (Darna ao contrario) e logo surge uma oriental magrinha e meio desleixada para ajuda-lo a carregar alguma coisa.

Do nada ela agora aparece dentro de uma cabana e fica encantada com uma cobra (o réptil) e não percebe um vilão se aproximando e acertando uma paulada em sua cabeça. A cena é digna de comédia pastelão. Uma vez estatelada no chão tem roubada sua correntinha mágica (que é a fonte do seu superpoder).

Bom, lá está a Narda desmaiada e a enchente tomando todo o barraco, quando parecia que morreria afogada, o irmão menorzinho aparece e grita pedindo socorro.

Ela já salva, recupera os sentidos mas não a memória. Como num gibi do Superpateta a marretada na cabeça fez ela entrar em amnésia profunda. Agora a Narda é uma fútil e brincalhona filipina que vive se metendo em encrenca para sufoco do seu irmão mais velho (um fracote de uns 18 anos) que tenta sempre ajuda-la nas confusões.

A Narda vira uma espécie de mendiga ( já que seu esquecimento começa a afasta-la dos amigos), perambula pelas ruas  e é atropelada por um Mercedes-Benz prateado. Do interior do veículo sai uma mulher toda cheia de pompa e vestida com um turbante amarelo. Tudo caminharia bem se o irmãozinho da Narda não avistasse a jóia de sua irmã no pescoço da madame. A criança avisa a irmã e o irmão fracote (que deve ter assistido muito filme do Bruce Lee) vai lutar com os capangas da grã-fina. Leva um tiro. Ao ver o sangue a Narda recupera a memória, grita uma palavra qualquer mas não se transforma na Darna. Segue umas cenas de perseguição, lutas mal coreografadas e o colar retorna para nossa heroína.

Agora a Narda se transforma para valer na Darna (modelito de Mulher-Maravilha mais uma tiara dourada na cabeça) , dá porradas nos bandidos, voa, rechaça os tiros disparados pelos paus-mandados com aqueles braceletes metálicos e põe toda a corja para correr.

Curiosidades: darna3

- Em 1951 foram feitos dois filmes da “Darna” com a estrela local Rosa Del Rosário. Nos anos 1960 apareceu outro com Eva Montes encarnando o clone da Mulher-Maravilha e finalmente em 1969 ela apareceu na pele de Gina Pareno. Assim “Darna ang Pagbabalik” é a quinta versão do badalado gibi filipino.

- A Narda é magrinha e feinha mas ao se transformar em Darna ela surge com peitão (provavelmente sutiã 50) e cabelo OK (permanente com certeza).

Só para fãs de trash em estado terminal !

**Regular

terça-feira, 28 de julho de 2009

FANTASPOA 2009

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Foi realizado no começo do mês um dos maiores (se não o maior) festivais de cinema fantástico do Brasil: o Fantaspoa 2009, nome popular do Festival de Cinema Fantástico de Porto Alegre. Com o evento, a capital do Rio Grande do Sul foi tomada de assalto por produções e realizadores do gênero fantástico (ficção científica, fantasia e horror), inclusive com a exibição de muitos filmes ainda inéditos no Brasil.Mais uma vez o evento foi um sucesso.

Eu, infelizmente, não pude ir. Faço torcida para que os filmes apareçam agora em DVD, P2P ou camelôs.

Mais informações aqui http://www.fantaspoa.com/2009/fantaspoa/index.php

THE PASSION OF THE CHRIST - A PAIXÃO DE CRISTO

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EUA (2004)

Direção: Mel Gibson

Elenco: James Caviezel (Jesus), Maia Morgenstern (Maria), Mônica Bellucci (Maria Madalena), Luca Lionello (Judas) e Francesco De Vito (Pedro)

Quando em 1956, Cecil B.DeMille levou para as telas sua versão de “Os Dez Mandamentos” o mundo inteiro aplaudiu. Afinal era o que se esperava da tão falada e adiada (na época) superprodução. Os anos se passaram e cada livro da Bíblia acabou ganhando sua versão cinematográfica.

     Tivemos então, Judas, Maria, os apóstolos, a arca de Noé e até algumas versões pornô de Adão e Eva. O livro sagrado parecia uma fonte sem fim para diretores ávidos por atenção. Tudo corria como o previsto até que o mundo assistiu estupefato “A Paixão de Cristo”(2004), marco único na carreira do ator-diretor australiano Mel Gibson.

     Violentíssimo, com ritmo de videoclipe, quase um filme gore , Gibson se ocupou em relatar as últimas 12 horas do sofrimento físico do filho de Deus e deu às cenas de açoitamento status de “obra de arte”. Numa cena Jesus leva uns chutes, em outra é espancado nú em praça pública, mais adiante a coroa de espinho é colocada em sua cabeça e o sangue escorre até os olhos e por aí vai.

     A cena mais impressionante é a da crucificação. Um soldado romano com cara de tarado segura uns pregos de nove polegadas (sorry Trent Reznor) afiadíssimos e martela sem dó as mãos e pés do Messias. Junte esta sangueira com a clímax da trilha sonora e eis uma cena impactante.

     O legal é que o Mel Gibson, como um menino glutão em festa de aniversário, parte direto para os finalmentes e pula a parte politizada de Jesus x fariseus (que já deu nos sacos de católicos, crentes e ateus). Confesso que fiquei curioso para entender como estes últimos receberam o filme. É inegável o banquete sádico ao ver o “símbolo” apanhando sem dó nem piedade por mais de uma hora. Aí você pergunta:

     - Mas o que o diretor pretende com tudo isso ? Tem alguma mensagem embutida no meio de tanto sofrimento ? Lembramos então da passagem do “cordeiro de Deus” e relacionamos o excessivo derramamento de sangue a uma espécie de limpeza dos pecados da humanidade corrupta e mesquinha e então vislumbramos algum sentido nisso tudo.

     Claro que o velho Mad Max não ia escapar ileso de tanta liberdade poética. Foi chamado de antissemita para baixo e sofreu boicote de grupos desgostosos com a exibição da película.

     Mas vamos nos ater aos fatos: No filme “Mad Max “(1979) ele serra o pé de um cara, no “Máquina Mortífera” (1987) ele mata uns bandidos com um revólver prateado, no “Braveheart” (1985) dizima um monte de combatentes em campo de batalha, no “Sinais” corta os dedos de um ET e no “Apocalypto” ele extermina um monte de selvagens. Qual a surpresa em ver Jesus apanhando se o diretor já vem com um histórico destes ?

     “Paixão de Cristo” deve ser assistido longe das amarras da religião, livre de conceitos e pré-conceitos. Deve ser apreciado como uma aula de cinema que se vale de religião, drama e violência para contar uma triste porém importante história.

     No ano passado, a Igreja do meu bairro realizou uma encenação da Paixão de Cristo. O elenco muito bem ensaiado deu um show de bola. Como ressalva apenas um Jesus gordinho e uma Maria Madalena com tatuagem tribal no pé... O legal foi que colocaram como pano de fundo o filme do Mel Gibson que “interferia” na peça teatral e servia como explicação de algumas cenas !

Cadê o Gerald Thomas nesta hora para aprender como é que se faz ?

****Muito Bom

CARREIRAS

cartaz CARREIRAS GOOD

Brasil (2005)

Direção: Domingos de Oliveira

Elenco: Priscilla Rozenbaum, Domingos de Oliveira, Paulo Carvalho, Fábio Florentino e Jorge Jerônimo dos Santos

Não sei nem por onde começar. “Carreiras” é o filme do badalado diretor Domingos de Oliveira que anda causando furor sempre que lança algum filme (nos últimos anos foram muitos).

Vamos aos antecedentes e a folha corrida:

- O filme custou a bagatela de R$ 35 mil.

- A protagonista (Priscilla Rozenbaum ) é esposa do diretor.

- É o 11º trabalho do cineasta que no lançamento da fita trabalhava em “Todo Mundo Tem Problemas (Sexuais)” com Pedro Cardoso.

- Baseado na peça teatral “Corpo a Corpo” do Vianinha.

- O diretor tem no currículo obras com os sugestivos títulos “Amores”, “Separações” e “Feminices”.

- Ganhou nota máxima em resenhas do “Caderno 2” e “Ilustrada”. O primeiro o comparou a Pasolini e o outro com Rossellini.

Agora os fatos:

- A ótima atriz (Priscilla Rozenbaum) dá um show de interpretação, mas é antipática e o seu personagem não ajuda.

- O filme fala de cocaína e alpinismo profissional do primeiro ao último minuto da trama.

- Verborrágico, o longa vira uma espécie de monólogo e em alguns momentos parece que estamos assistindo um ensaio ou um documentário (e dos chatos) qualquer.

- Foi idealizado através de esquema de cooperativa, um negócio chamado Boaa (Baixo Orçamento e Alto-Astral) a idéia é treinar técnicos e elenco para então filmar tudo rapidamente a fim de reduzir custos. Partindo deste método o filme foi finalizado em nove dias.

A história:

Priscilla Rozenbaum interpreta Ana Laura; com mais de 40 anos ela vai ser demitida e perderá a vaga de âncora num jornal qualquer. Como o passaralho é inevitável ela arma mil esquemas de difamação e puxadas de tapete. Loucaça começa a cheirar mais que o Maradona e manipula todos ao seu redor. Passa então a limpo: a vida, as amizades, a carreira e os projetos pessoais. Demonstrando ser bem escrota, ela se dirige até o apartamento de um amor do passado (o próprio diretor e marido que nutre por ela uma espécie de amor platônico), e como não consegue ser feliz decide rebaixar o coitado (até aí beleza. Uma espécie de sadismo e fetiche sexual do diretor transportado para as telas).

A futura demitida vai até uma livraria, pentelha o vendedor, faz escarcéu de madrugada pelas ruas semi-desertas e quase leva um tiro (confesso que merecia). Cheira mais umas carreiras e vê sua vida profissional  desmoronar. Aí liga para a mãe (o que ela não fazia a uma eternidade pois não tinha tempo) e descobre que morreu um parente.

Culpada, diz que irá visitar a mãe e promete ser uma pessoa melhor. Neste momento, quando estava virando a tal pessoa melhor, ela recebe um surpreendente telefonema. Alguém a convida para ocupar um cargo de correspondente internacional nos EUA.

Ela aceita na hora, manda tudo e todos à merda e volta a ser a velha jornalista escrota de sempre.

Superestimar: Estimar muito ou em excesso. Dar apreço ou valor exagerado a; ter em altíssima conta.

(Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, editora Nova Fronteira, 1986)

*Ruim

segunda-feira, 27 de julho de 2009

PARAÍSOS ARTIFICIAIS (9)

sambaqui-camarao

camarão frito

local: Cabana do Camarão

atendente: eficiente

paisagem: balcões , mesa, cadeira e teto de madeira

comentário: foram bem atendidos ?

preço: R$ 26,00

FRANKENHOOKER – QUE PEDAÇO DE MULHER

frankenhookerGOOD

EUA (1990)

Direção: Frank Henenlotter

Elenco: James Lorinz, Joanne Ritchie, Patty Mullen, J.J.Clark e Carissa Channing

No meu bairro havia uma videolocadora que só tinha refugo. O dono, um japonês meio muquirana, não queria gastar muito comprando o novo Stallone, o novo James Bond, e as fitas top da época. Assim, na locadora do sujeito, havia apenas UMA fita de cada blockbuster (o termo na época nem existia pois a empresa ainda não havia chegado ao Brasil) e o tempo de espera para alugar o novo da Julie Roberts ou o mais recente Freddy Krugger era uma eternidade.

     Mas a sabedoria oriental do dono do estabelecimento era interessante. Já que ele não tinha o que a clientela pedia em contrapartida ele possuía “um caminhão” de outros filmes. Provavelmente arrematados naquele acordo de distribuidoras tipo: Compre o novo do Schwarzenegger e ganhe de lambuja 3 ou 4 podreiras no pacote. Para felicidade dos amantes do cinema, o japa só ia  pelos atalhos. Comprava as fitas que ninguém queria e fazia promoções ótimas. Me recordo de tentar alugar uns filmes e me deparar com a seguinte situação: Cliente só podia alugar DOIS lançamentos e tinha que devolver já no dia seguinte. Se os filmes escolhidos fossem da seção “podreiras” o sujeito ficava com os títulos por uma semana.

     Nestas locações no escuro acabei conhecendo coisas incríveis como o “Toxic Avenger”, “Surfi Nazis Must Die”, sub-comédias românticas com cenário praiano e este “Frankenhooker”.

    Na fita, um cientista louco está com a família e a noiva assando aquelas salsichas no George Foreman grill. Durante a festa alguém tenta e não consegue cortar a grama do jardim e o cientista vai até o porão buscar uma ferramenta qualquer. Conserta a bagaça e altera a velocidade de corte do aparelho. Ao testar o cortador este se desgoverna e atinge a noiva que morre retalhada pela máquina. Virou picadinho.

     Culpado com o acidente o aprendiz de Frankenstein parte para a reconstrução do corpo de sua amada. Ele tem um líquido rejuvenescedor no laboratório e mantém a cabeça da morta dentro de uma tina com esta poção. As outras partes ele consegue matando e retalhando prostitutas da cidade. Tudo para o renascimento da noiva-cadáver.

Como  não tem muito dinheiro para acertar os programas, ele decide atrai-las de outra forma. Cria uma uma droga explosiva (um supercrack de efeito mortífero). Agora , como traficante,ele começa a rondar ruas e becos mal iluminados para contratar as garotas de vida fácil e vender  sua droga do mal. Cansado em tentar encontrar centímetros exatos de braço, pernas perfeitas e bumbum idem. Decide matar um monte de garotas de uma vez.

     Acerta então uma animada festinha de embalo com umas dez garotas-de-programa. Todas fumam a droga e se explodem em mil pedaços facilitando assim o serviço do cientista xarope. No laboratório começa aquelas piadas de nerd. Ele pega um esquadro, começa a medir os seios retalhados na explosão e solta umas frases do naipe: “’14 dividido por Pi, isso quer dizer que e=mc2”. Pura viagem. Com a reconstrução da noiva, Patty Mullen (capa da Penthouse nos anos 1990), logo o maluco consegue a proeza de perde-la de vista. Ela é meio assassina e sai matando tudo o que encontra pela frente e acaba aterrorizando a cidade.

     O cientista agora tem duas missões: recapturar a noiva-frankenstein e escapar de uns cafetões furiosos pela morte das prostitutas.

     “Frankenhooker” não foi o primeiro filme trash a abordar o tema. Em 1985, o doido varrido Stuart Gordon lançou o inesquecível “Re-Animator”.

Ei boneca quanto é o programa ?

***Bom

OH! QUE DELÍCIA DE PATRÃO

o que delicia

Brasil (1974)

Direção: Alberto Pirealisi

Elenco: Jorge Doria, Carlo Mossy, Marta Moyano, Zezé Macedo, Geórgia Quental e Sônia de Paula

Para a nossa felicidade existe um negócio chamado Canal Brasil. Este TV-Rip que comento é inédito em DVD. Foi exibido no começo deste ano e já deve ter sido reprisado.

Rodado em 1974, finzinho do sonho hippie que aqui no Brasil reverberou em camadas e meio de qualquer jeito, a desopilante comédia “Oh Que Delícia de Patrão” é uma daquelas pepitas que ainda merece maior atenção por parte da “crítica especializada”.

Dividido em dois episódios, o filme traz todos os clichês deste maravilhoso estilo das comédias setentistas. Provavelmente foi exibido no extinto e saudoso “Sala Especial”.

“As Loucuras do Patrão” conta a história do Dr.Felipe (Jorge Dória em atuação magistral) fazendo amor com sua secretária (Marta Moyano, falo mais dela lá embaixo), quando fica com o corpo todo paralisado. Marta, a secretária, liga para o irmão (Carlo Mossy, presença obrigatória neste tipo de comédia) e juntos procuram uma solução para o caso. Uma empresa estrangeira vai chegar em poucos dias para assinar um importante contrato e o patrão está “todo duro”. Assim lá vai o Mossy peregrinar pelas ruas, num Opala amarelo, a fim de achar um sósia que aceite o papel temporário de impostor.

Acham um mecânico tosco (o próprio Jorge Dória em atuação dupla) e obrigam o coitado a aceitar a trama. Obrigam o infeliz a tomar umas aulas de etiqueta: smoking, restaurante chique, boate e até o “Love’s Theme” do Barry White surge na trilha. O Jorge Dória é um trabalhador  humilde e não entende o porque de todos os mimos. Claro que tudo vai se encaminhando para uma grande confusão.

Como o patrão continua imóvel, a Marta vai fazer “uma massagem” no enrijecido chefe, para ver se ele volta ao estado normal , e é repreendido pelo irmão que diz que as massagens dela “não amolecem nada”. Só estes diálogos já valem o filme. Mas tem mais:

- O sósia-mecânico cansado em ter que vestir terno, sapato apertado e gravata (tudo para a tal reunião de negócios), aproveita a distração de todos e foge da mansão do patrão doente. Neste momento, três colegas de  oficina aparecem balançando um bilhete e aos berros gritam que ele acertou sozinho os treze pontos na loteca (lembram disso ?). Agora o mecânico é o mais novo milionário do país.

Com a notícia o Jorge Dória tira toda a roupa, fica  só de cueca e manda aquele gesto da banana para os confusos ex-patrões. Começa a tocar a música “Echoes” do Pink Floyd e na tela surge a palavra fim. Uma proeza !

O segundo epísódio, “Um Brinde ao Patrão”, traz o mesmo elenco do primeiro além da Zezé Macedo, Geórgia Quental e Sônia de Paula. Agora o Jorge Dória é o dono de uma revendedora de automóveis que morre de medo de sua esposa dominadora, ciumenta e meio louca. O que ele não sabe é que sua mulher está lhe traindo com seu melhor funcionário (Carlo Mossy com aquelas costeletas anos 1970).

Como o Dória não agüenta mais tanta confusão com a esposa, e já estava meio sufocado com tanta frescura, resolve não ser mais capacho da mulher e parte para o revide. Arquiteta uma inédita e mal ensaiada  “traição”. O alvo não poderia ser melhor: a atriz argentina Marta Moyano (não sabia desta ponte Brasil-Argentina no ramo da comédia...), loiríssima, na época com 23 anos, nariz arrebitado, magrinha, um espetáculo!

Bem, durante a tentaiva de sedução, o velho patrão  convence a gata a largar o antigo emprego para transforma-la na sua nova secretária. Ela vai, se envolve com o Mossy e desperta a fúria da mulher do chefe. Rola uns desencontros , cenas impagáveis de flagrante, nudez rápida, perseguições automobilísticas e tome, mais humor escrachado. Costurando tudo isso temos um Jorge Dória dirigindo uma Brasília vermelha, externas com o calçadão de Ipanema , mais Pink Floyd na trilha (o filme é 1974, “Dark Side of The Moon” era a bola da vez). Mas o que importa mesmo é a Marta Moyano de calça boca-de-sino não nos deixando nem piscar.

Sacou ? Um barato bicho !

***Bom

sexta-feira, 24 de julho de 2009

LE FESTIN DE LA MANTE – IRRACIONAL

Le FEstin de lamante

Bélgica (2003)

Direção: Marc Levie

Elenco: Lou Broclain, Yann Chely, Sasa Nikolid, Adele Jacques e Hugues Wausman

Filme europeu de baixo orçamento que aborda uma espécie de mulher-inseto, na verdade um espírito da floresta, que seduz os incautos que trafegam pela trilha encantada de um bosque qualquer.

Debaixo de chuva intensa um motorista avista uma morena com vestido encharcado carregando algumas flores. Ele para, desce o vidro do carro e oferece carona a ela. Ela não diz uma só palavra e está numa espécie de transe.

O prestativo motorista a leva para casa e prepara cama, agasalho e refeição. Ela ainda não diz nada e acena para que ele feche as cortinas. Passado alguns minutos, balbucia que a luz lhe faz mal e prefere ficar no escuro. Segue algumas cenas do anfitrião querendo sexo e ela rechaçando.

O dia amanhece e se encontram no café da manhã, ele tenta começar um jogo de sedução enquanto ela está mais preocupada em passar geléia de morango na torrada . Ele sai para o trabalho e mal se despede. Humilhado com a rejeição da morena, dirige-se até o conservatório e começa a tocar seu violino. Ela ,neste momento sufocada com tanto calor, desce até o porão e fica brincando com aranhas caranguejeiras.

Assim o filme vai revelando que a morena era uma forma de elemental da natureza e manipulava plantas e insetos com o poder da mente. A tarde passa e anoitece. Quando o violinista chega do trabalho, encontra a morena encolhida no porão e corre para socorre-la. Mais cenas de café na cama e cobertor. Ela , de novo, não demonstra gratidão nem excitação com a chegada do esforçado Don Juan.

No dia seguinte, ele já revoltado, se manda logo cedo e nem se despede. Ela acorda e vai passear no bosque. Encontra uma espécie de construção, acena para um loiro carpinteiro e, não demora , logo os dois engatam um romance. Enquanto isso o músico com remorso das palavras ríspidas que disse, vem a mil por hora para encontra-la. Saiu mais cedo do trabalho.

Seguindo a lei universal dos relacionamentos, quando o homem chega muito mais cedo a algum encontro qualquer a surpresa sempre tende a ser negativa. É isso que ocorre. A morena estava nua e transava agressivamente com o amante loiro no sótão da casa do músico infeliz.

Enciumado bate na morena e coloca o Ricardão para correr. Não adianta nada. Logo lá estão os dois agarradinhos novamente. Nisso o músico vai em alta velocidade até o vilarejo próximo para desabafar com amigo conselheiro. Ela, enquanto isso, tem planos mais sexuais e tenta matar o loiro durante a transa.

O artista retorna. Conformado com a situação, ele procura o carpinteiro e lhe diz que aceita a traição pedindo que pelo menos faça a morena feliz. Por aí percebemos que o azarado do violinista tinha um misto de carência com um instinto paterno mal resolvido. Segue mais algumas cenas de sexo.

Durante um rala e rola na estufa da casa, o músico abre uma garrafa de vinho, bebe tudo de uma vez e começa a desafinar seu instrumento. Não demora e a morena consegue seu intento. Após exercitar todas as posições do kamasutra ela sufoca e mata o carpinteiro (morreu transando, morreu feliz !). Quem a esta altura não estava nem um pouco contente era o corno-artista que além da traição agora tinha um cadáver em seu jardim.

Ele liga o forno do sótão afim de cremar o falecido atleta sexual. Invejoso do fim do rival ele praticamente estupra a morena que acaba permitindo que ele realize o seu tão adiado desejo. Mas como descuidaram da fornalha esta acaba explodindo começando um incêndio de grandes proporções. Ele acaba não tendo forças para tentar apagar as chamas uma vez que a garota invocou os elementais de uma trepadeira (a planta) que acabou lhe sufocando e matando.

O filme finaliza com a cena do início: chuva intensa, um motorista avista uma morena com vestido encharcado carregando algumas flores. Ele para...

O filme em inglês chama-se “Praying Mantis” (Louva-Deus) e só depois de descobrir isso a ficha caiu. O ritual dos Louva-Deus implica na morte do macho após o acasalamento; o que faz da morena ninfomaníaca do filme uma espécie de mulher-inseto.

Eu morro e não vejo tudo !!!

**Regular

quinta-feira, 23 de julho de 2009

TO RUSSIA WITH ELTON JOHN

elton john

Inglaterra (1979)

Direção: Ian La Frenais e Dick Clement

Em 1979, com 32 anos de idade já famoso e milionário, Elton John ,que havia declarado que não tocaria mais ao vivo, percebe que não podia ficar longe do palco e arquiteta uma volta triunfal.

Não contente em ver seu nome no topo de tudo quanto é parada ou lista de mais vendidos (olha a seqüência: “Goodbye Yellow Brick Road”, “Caribou” , “Captain Fantastic” e um “Greatest Hits” que vendeu os tubos), ele decide tocar numa fechadíssima União Soviética.

O fato por si já era meio impossível, a Guerra Fria ainda deixava o mundo meio apreensivo, o Iraque ganhava uns mísseis russos e desequilibrava o jogo de poder no Oriente Médio e o Jimmy Carter estava mais preocupado em ganhar um Nobel da Paz do que defender o mundo da ameaça vermelha. Para o Elton, nada disso importava  ele só queria levar sua mensagem e seu show para um público novo e que ele sabia, pelos relatórios da gravadora, fiel.

“To Rússia With Elton John” é exatamente o que o título sugere; é uma carta de intenções do cantor e pianista inglês e uma forma (indireta) de propaganda capitalista.elton2

Rodado na forma de documentário, o filme tem cenas saborosas como a fila de russos com LPs do músico aguardando pacientemente por um autógrafo. Bacana também é a cena onde alguém da equipe inventa que tem ingressos para o show e sugere uma troca: ingresso x discos de vinil. O russo faz cara de bravo e recusa a heresia.

A apresentação ocorre em São Petesburgo e o Elton e o percussionista Ray Cooper ficam sabendo que o Partido Comunista proibiu a venda e preferiu “doar” os ingressos para as pessoas de sua preferência. A manobra foi perfeita; na platéia não há jovens e nas primeiras filas o que vemos são senhoras gordas e cinquentonas compondo um público certamente mais acostumado com música erudita ou aquelas danças pentelhas regidas por balalaikas.elton4

O Elton acerta com o Ray que vai botar pra quebrar. Minutos antes do show chega um papelzinho com as músicas que o Partidão sugeria que ele tocasse (quase só baladas). Aí a prima donna fica puta ! O Elton já começa as primeiras músicas com “Your Song” e “Daniel”a mudar o andamento das canções que , embora baladas, ganham uma aceleração anormal e lá pela quinta música faz uma dobradinha com “Bennie and The Jets” e “Part Time Lover” com combustão digna de Jerry Lee Lewis. O Ray Cooper enquanto isso meio que distrai a galera com umas intervenções teatrais e uns truques de mágica.

Segue as pedradas. Para dar uma quebrada no tom eufórico do começo, entra a super pianística “Candle Wind The Wind”(anos antes desta balada ficar associada à morte da princesa Diana), para depois voltar ao ritmo contagiante de “Saturday Night Alright”. Nesta altura os amigos do Boris Yeltsin, reprimidos por décadas, já estão em pé e por pouco não derrubam o Teatro. Os guardas antevendo serviço extra, fingem que não está acontecendo nada.

Quando pinta o bis com “Pinball Wizard”, a melhor música do obrigatório “Tommy”, a fatura já estava encerrada. O Elton ganhou de goleada. Mas o documentário também tem outras cenas preciosas. Após o eufórico show, o Elton e o Ray  vão dar um rolê pela cidade Moscou. Museu daqui, igreja dali e eis que chegam num restaurante para tomar uns gorós. São surpreendidos por uma espécie de festa de aniversário. Logo ele é reconhecido no meio da multidão e tem que atender a turma que pedia a famosa“palhinha”.

E o que o velho Reginald escolhe para tocar no piano chinfrim do lugar ?

“I Heard It Throught The Grapevine” do Marvin Gaye ! Depois disso meu amigo, a missão passou a ser outra: achar no meio de toda a confusão do meu quarto o destino daqueles CDs  que devem estar em algum lugar mas não sei exatamente onde.

      “Saturday Night Alright for Fighting”

Está ficando tarde
Você viu meus colegas?
Mãe, me avisa quando os caras chegarem
São sete horas
E eu quero agitar
Quero ficar com a barriga cheia de cerveja
Meu velho está mais bêbado
Que um barril cheio de macacos
E a minha velha não dá a mínima
E minha irmã está uma graça
Com bastante brilhantina no cabelo
Então não nos venha com seu agravo
Já tivemos o suficiente de sua disciplina
A noite de sábado é boa para lutar
Tenha um pouco de ação
Fique oleoso com um trem à diesel
Vou ficar nessa dança a noite toda
Porque a noite de sábado é a noite que eu gosto
A noite de sábado é boa, boa
Bem, elas estão com roupas bem apertadinhas
Aqui esta noite procuro uma boneca
Que vai me achar legal
Posso usar um pouco de músculos
Pra conseguir o que eu quero
Posso entornar uma bebida e gritar "ela está comigo"
Os poucos sons que eu realmente gosto
São os sons de uma navalha de molas
E de uma motocicleta
Sou um produto juvenil da classe trabalhadora
Cujo melhor amigo flutua no fundo de um copo.

*****Ótimo

quarta-feira, 22 de julho de 2009

ROBERTO CARLOS A 300 KM POR HORA

roberto carlos VERY GOOD

Brasil (1971)

Direção: Roberto Faria

Elenco: Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Raul Cortez, Libânia Almeida, Flavio Migliaccio e Reginaldo Farias

Terceiro filme da trilogia de Roberto Faria, e o único em que Roberto Carlos não interpreta ele mesmo, “A 300 Km por Hora” traz uma marcante, segura e afirmativa atuação do Rei nas telinhas . Marca também seu adeus à Jovem Guarda.

O ano de 1971 cristaliza a guinada na carreira do Rei. Sai o Roberto beatlemaníaco e entra o Roberto com ares de Frank Sinatra. São deste período “Detalhes”, “Amada Amante” e “Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos”...

Por falar em cabelo: com uma juba hippie e macacão azul com zíper aberto, Roberto Carlos é Lalo, mecânico de concessionária de automóveis que vive dando um jeitinho de dirigir  os carros do patrão. O sonho de Lalo é virar piloto de corrida. Enquanto isso não acontece treina com o que (não) tem nas mãos.

Na concessionária, forma parceria  com o amigo Pedro Navalha (Erasmo) e juntos sempre acabam armando alguma para os clientes. O playboy Reginaldo Farias deixa seu carrão importado para uma pequena vistoria e tem o automóvel “roubado”, temporariamente, pelo Tremendão que decide usar a máquina para treinar o Roberto em Interlagos. No filme, dá para sacar que o Roberto era uma espécie de Speed Racer sempre batendo seus  próprios recordes na pista.

O patrão dos dois é o Raul Cortez. Mascaradíssimo e gostosão, o ator (ainda com cabelo), interpreta um campeão de corrida e piloto de renome internacional. O Raul , sempre com aquela cacharrel branca e um chapéu estiloso, namora a Libânia , que faz a linha hippie-chic.

O Rei percebe que o relacionamento dos dois anda mal e fica sonhando.Começa a tramar para ficar com a Libânia.  Não contente em ser mecânico ele sonha agora em participar do GP Brasil e ainda tascar uns beijinhos na namorada do patrão. Muita pretensão para um mecânico qualquer mas fichinha para o Rei da Jovem Guarda.

O filme segue e a dupla Roberto-Erasmo acaba virando trio com a ajuda medrosa do Flavio Migliaccio, um motorista de caminhão, que ajuda no seqüestro do carro do Raul Cortez.

O Raulzão velho de guerra a a estas alturas brigou com a namorada e se mandou para a Europa (estava com medo de pilotar). Ele tinha escapado da morte por um triz na corrida anterior. Sabendo da desistência do chefe, o Roberto decide então tomar o lugar do ex-cabeludo na competição e conta com as mutretas do Erasmo para que seu plano funcione.

Rá ! Batata né ? O Roberto banca o Vin Diesel é o mais veloz e furioso do GP e ganha a corrida e o coração da Libânia (que no final do filme acaba não ficando com ninguém nem com o Raul e nem com o Rei).

Achei o final meio triste. Talvez já reflexo do tipo de mensagem que o Rei usaria dali em diante.

A trilha ainda conta com a balada “De Tanto Amor” e o sucesso “Todos Estão Surdos”.

****Ótimo

terça-feira, 21 de julho de 2009

LA PLANETE SAUVAGE a.k.a. FANTASTIC PLANET

planete sauvage ACAPA

França-Checoslováquia (1973)

Direção: René Laloux

Escrito: Stefan Wul

Adaptação: Roland Topor

Ultra-psicodélica animação européia com um pezinho na Metal Hurlant, influência direta de Hieronymus Bosch e desbunde típico da época. Baseado no livro “Oms em Série” de Stefan Wul, venceu o Grand Prix Award no Festival de Cannes em 1973( o que já demonstra o tom “cabeça” do desenho).

O Planeta Selvagem é um lugar chamado Ygan onde os humanos são oprimidos por uma raça gigante (os Draags) de pele azul , olhos vermelhos e que trata os homenzinhos (nós ?) como animais. Os Draags com sua tirania transformam os pequeninos em escravos e conseguem até o apoio de alguns deles para as tarefas domésticas (os Oms). Este planeta foi devastado, as planíces recebem interferência de seres subterrâneos que toda hora emergem criando muitas confusões para o pessoal do planeta. Estão além do poder dos gigantes.

Com a animação se desenrolando, percebemos que Draags e Oms convivem pacificamente enfrentando apenas um pequeno foco de insuborbinação. Os poucos descontentes tentam escapar deste onírico planeta onde tudo parece possível. planet2

Rola um flashback qualquer e a história regride até o homenzinho Terr, que ficou órfão ainda bebê, e foi de certa forma adotado pelos Draags. Estes, longe do estereótipo brucutu,

possuem consciência mais elevada que a maioria e através da “meditação transcendental” (lembram desta expressão e do papo de Hata Yoga dos 1970’s ? Pois então, por aí...) viajam em bolas energéticas para o planeta satélite Ygam. Estas viagens seria o semelhante ao desdobramento astral propagado pelos esotéricos.

Uma vez em Ygam tudo parece acontecer. Lá os pensamentos são materializados e só os humanos nada entendem desta nova e maluca realidade. Neste cenário cenas estranhíssimas começam a surgir de maneira frenética. Flores com caule de aspirador de pó, vegetação feita de parafusos e uma doidera fundindo cibernética e natureza: árvores-robôs e oceanos sólidos. Um cenário de surrealismo total.planet5

Em Ygam está a chave para os humanos rebeldes conseguirem sua “libertação”. Terr, o órfão lá de cima aprende tudo com seu “dono” gigante e alcança consciência suficiente para a fuga.

Produzida nos estúdios de Jiri Trnka de Praga, a historia é considerada uma metáfora à ocupação soviética da Checoslováquia, o que obrigou a que fosse finalizada na França. A trilha composta por Alain Goraguer também é uma gema rara, daquelas com corais femininos, moog e intervenções orquestrais.

72 minutos de doidera sem auxílio de nenhum componente químico !

*****Ótimo

KILLER KLOWNS FROM OUTER SPACE – PALHAÇOS ASSASSINOS

Killer_klowns_poster

EUA (1988)

Direção: Stephen Chiodo

Elenco: Grant Cramer (Mike), Suzanne Snyder (Debbie), John Allen Nelson, John Vernon e Michael Siegel

Saca o título: “Palhaços Assassinos do Espaço Sideral”. Está pérola única dos Irmãos Chiodo é o mais memorável e divertido filme B dos anos 1980 e ganhou status de cult movie com o passar do tempo.

Armas de pipoca, nave espacial em forma de tenda de circo e casulos de algodão doce recheiam um absurdo e criativo filme que gerou algumas (esquecíveis) cópias na década seguinte. Inicia com uma espécie de pião voador girando nos céus e aterrisando numa cidade do interior dos EUA. O pião voador era na verdade uma nave-circo espacial.

Moradores locais começam a se aproximar do circo e desaparecem. Corta. Agora dois carinhas estão pilotando um carrinho de sorvete (na verdade uma van com um sorvetão de plástico em cima dela) e saem fazendo barulho pela cidade que já está meio cheia das piadas dos dois.

Enquanto isso, jovens se reúnem na lanchonete da cidadezinha e curtem um rockabilly naquelas jukebox estilosas e um casal “dá um pega” no banco traseiro de um Oldsmobile. Um fazendeiro tosco pega uma pá, um balde e seu cachorro “Ursinho Puff (?)” e vai investigar o local do surgimento do “circo”. Se ferra de vermelho e amarelo (as cores da nave-tenda). Começa uma série de sumiços e ataques na cidade e o xerife, claro, acha que tudo é invenção das pessoas e atribui as ligações de socorro a trotes dos irmãos sorveteiros.

Pinta um novo telefonema e o xerife muito a contragosto vai investigar. Acha uma espécie de cobertura de chantili no banco do carro em que o casal (desaparecido) namorava. Surge o indefectível par romântico Mike e Debbie, que num momento de distração dos palhaços consegue penetrar na nave-circo e descobrem que tudo aquilo era meio estranho. Acham uma espécie de geladeira forrada de casulos gigantes.

Os ataques continuam, seduzidos pelos palhaços, os moradores da cidade acabam estrangulados por línguas-de-sogras, sufocados por pipocas voadoras, derretidos por tortas de creme no corpo e raptados por algodões-doce gigantes. Cena memorável: casal apaixonado troca beijos na lanchonete da cidade, a mesma do começo do filme, e descuida da filha de 5 anos que observa um dos palhaços assassinos dando tchauzinho do lado de fora da lanchonete. Ela abandona os pais e vai até a porta da lanchonete para se deparar com o palhaço-alien com um porrete gigantesco escondido para esmagá-la.killer_klowns3

Voltamos para o casal xereta, que acaba encontrando os habitantes da cidade presos dentro de casulos de algodão-doce gigante. Advinha a utilidade dos casulos ?

- Eram onde os coitados raptdos estavam. Um furinho na superfície do algodão e… a palhaçada toda bebia os moradores como quem toma uma diet coke).

Mas, os vacilões fazem barulho demais e um palhaço surpreende os bisbilhoteiros. Começa perseguição. Tiros e tiros de espingarda que dispara pipocas assassinas explodem na tela.

Nossos heróis conseguem ganhar uma boa distância. Então, no segundo grande momento do filme o palhaço pega umas bexigas, dá aqueles nós e monta um “cachorrinho-bexiga-farejador” que denuncia esconderijo da dupla. Mais correria , tiros e tal até que o Mike com uma arma de verdade dá um tiro bem naquele nariz de bola que os palhaços usam. Surpreso, percebe que os aliens explodiam. A cena marcante era exatamente essa: tiro no nariz, palhaço girando como pião, musiquinha circense e eles virando serpentinas. Eureca ! descobriram como evitar os invasores !

Os palhaços-aliens ligam a nave-circo que começa a girar intensamente , a dupla de heróis pula fora no último segundo e os malandrões se mandam para o espaço sideral (de onde nunca deveriam ter saído). O filme, coloridíssimo , com atuações supreeendentes , baixo teor de violência é quase uma terror-comédia e acaba funcionando como um caledoscópio de citações da cultura trash dos anos 1950 ( passagens plagiadas de “A Bolha” - a dominação da cidadezinha pelos clows - e “Invasores de Corpos”- os casulos algodão-doce). Enfim, palhaçada de primeira.

A TV Bandeirantes exibiu este filme pela primeira vez, acho, que em 1990 no “Cine Mistério” e depois várias vezes no “Cine Trash”.

No espaço sideral ninguém pode tomar sorvete !!!

*****Ótimo

segunda-feira, 20 de julho de 2009

TURMA DA MÔNICA – A PRINCESA E O ROBÔ

princesa e o roboGOOD

Brasil (1983)

Direção: Reinaldo Waisman e Mauricio de Sousa Produções

Segundo longa-metragem da Turma da Mônica, o primeiro foi o curta “As Aventuras da Turma da Mônica” de 1982, marca a tão aguardada transposição para as telas dos quadrinhos do nosso Walt Disney, Maurício de Sousa.

Aprendi a ler com 6 anos de idade e me recordo de voltar com minha mãe de uma consulta ao oftamologista. Este, além de tapar meu olho esquerdo com um esparadrapo e pedir que permanecesse assim por uns 60 dias, recomendou-me a pintura das letras “O” e dos números zero das revistinhas. Minha mãe comprou então “Faísca e Fumaça” na qual a dupla de corvos montava uma construtora, onde tudo quebrava e dava errado, para terminar então virando uma demolidora. O impacto em mim pela descobertas dos gibis fez meu falecido tio começar a comprar muitos quadrinhos usados a fim de auxiliar na recuperação da minha visão (nada supera o trauma de ter sido um quatro olhos na infância).

Assim,durante a juventude, li muito Pato Donald, Tio Patinhas, Pinduca, Recruta Zero, Sobrinhos do Capitão e claro Mônica e Cebolinha (na época os meus preferidos).

Já mais tarde, com uns 17 anos, assisti a animação “A Princesa e o Robô”, desenho que “pasmem”, a Turma da Mônica atua como coadjuvante. A história começa num planeta distante com coelhos robôs marchando atrás de uma espécie de líder. Um raio vem do espaço e acerta um deles. Após ser atingido, nasce um coração vermelho na armadura do robozinho.

Corta para o Cebolinha sendo despertado pela Mônica e a Magali que assistiam o clarão do raio que caiu do céu. Logo todos vão até o campinho checar a misteriosa luz e acabam encontrando um presente. Temerosos em abri-lo este acaba nas mãos do Anjinho que rasga o pacote e liberta o coelho-robô com o tal coração vermelho. O robozinho conta então sua história através de uma prancheta embutida na barriga.

Relata sobre a disputa dele com Lorde Coelhão pelo amor de uma princesa-coelho. Um torneio havia sido organizado reunindo os orelhudos mais valentes do reino e os dois se inscreveram na competição. O prêmio era a mão da princesa coelho. Após derrotarem todos os pretendentes restaram apenas o robozinho e o tal Lorde Coelhão. Terminaram empatados.

Após o tradicional cara-e-coroa pelo desempate e o vencedor acabaria sendo o coelho robô do coração vermelho.

Inconformado com a derrota, Lorde Coelhão convenceria o rei de que seu rival não pode se casar com a princesa por ser um robô e não ter coração de verdade. O rei então diz que mudaria de idéia se o robô conseguisse pegar a estrela Pulsar e colocasse dentro de seu mecanismo. Mais uma vez contrariado, com a possibilidade de perder a princesa, o Lorde Coelhão acertava seu rival com um revolver empacotador e despachava-o para a Terra.

Assim a turminha ouve emocionada o relato do coelho robô. O Franjinha entra na história e constrói uma nave para levar de volta nosso herói metálico até o seu planeta de origem.

Incrível como o Mauricio com o passar dos anos foi perdendo a mão. Ele que desenhou verdadeiras sagas do Horácio, dos Napões, Capitão Feio e atualizou a Tina, entrou numa viagem sem volta em busca de ecologia e do politicamente correto e pasteurizou sua produção.

Esta animação nunca saiu em DVD e foi relançada em 1999 (no formato VHS) pela Publifolha como brinde na assinatura do jornal Folha de S.Paulo.

***Bom

domingo, 19 de julho de 2009

PARAÍSOS ARTIFICIAIS (8)

Menu Tordesilhas - Cuscuz

cuscuz

local: cozinha de casa

atendente: mãe

paisagem: vista para o quintal

comentário: “vem logo senão esfria !”

preço: não tem preço

O GATO DE BOTAS EXTRATERRESTRE

O-Gato-de-Botas-Extraterrestre1

Brasil (1990)

Direção: Wilson Rodrigues

Elenco: Tonia Carrero, Heitor Gaiotti, Mauricio Mattar, Tony Tornado, Zé do Caixão, Zezé Motta, Joffre Soares e Flavia Monteiro

Estranho e emblemático filme nacional que subverte o conto de Charles Perrault  dando origem alienígina ao Gato de Botas.

Indiscutivelmente presença obrigatória entre as produções mais esdrúxulas já filmadas, “O Gato de Botas Extraterrestre” é um daqueles casos em que fica difícil descrever com palavras. Só mesmo vendo parar crer até que ponto chega a imaginação humana.

Tônia Carrero é uma vovó contando história de ninar para a netinha. O livro escolhido é o “Gato de Botas”. Corta. Aparece o interior de uma choupana, móveis de madeira e ambiente de muita pobreza. Um emissário do rei lê uma carta testamento e então compreendemos que a tristeza era pela morte de um ancião. Este, deixava seus únicos pertences: um burro e um gato para os seus dois filhos (Joffre Soares e Mauricio Mattar). Como o primeiro era o mais velho tem por direito escolher e fica com o eqüino. Sobra o gato para um Maurício Mattar meio maltrapilho e com um chapeuzinho ridículo.

Mas o gato não era um bichano qualquer, além de se apoiar nas patas traseiras ficando ereto, ter mais ou menos 1,60 de altura, e usar um jaleco igual ao dos jacobinos ele ainda falava e de maneira bem articulada (O Gato era alguém com máscara de gato e corpo de gente).

O Maurício Mattar chateadão começa a conversar com o gato. Este diz para seu novo dono não se preocupar e pede emprestado as botas e três cenouras. Com o consentimento o felino parte em viagem e anuncia para o global aguarda-lo.

Com as cenouras, o Gato de Botas monta uma arapuca, prende um coelho e dá de presente ao rei. O soberano aceita o presente e pergunta o motivo da gentileza. Aí então o Gato de Botas conta a primeira mentira dizendo que seu amo, um tal de “Marquês de Carabás” de um reino distante está lhe oferecendo o suculento coelhinho. O rei aceita e o Gato vai embora.

Volta correndo para a floresta e prende outro coelho. Detalhe: toda vez que o Gato está correndo toca uma música do Jean Michel Jarre. Retorna ao castelo e mais um presente para o monarca.

A rainha e a princesa, curiosas, simpatizam com o Gato. O rei também começa a acha-lo boa praça e apenas o guarda real, Tony Tornado, fica desconfiadão.

Logo o Gato tem uma idéia: chega na choupana e ordena ao Maurício Mattar que tome

um banho no lago. Esperto, ele prepara sua segunda mentira ao parar a carruagem da rainha e inventar a história de que tentaram afogar o Marques de Carabás (Maurício Mattar) e rouparam toda a sua roupa. A rainha com dó ordena que os cavalariços recolham o “nobre” e lhe emprestem trajes finos.

Nesta parte o Mattar já tava curtinho as cascatas do Gato e pagava para ver onde ia dar isso tudo. Na carruagem, vê pela primeira vez a princesa (Flávia Monteiro, novinha e gatinha) e já fica apaixonado. Ela também simpatiza com ator da Globo dando aqueles risinhos que as mulheres sempre usam para chamar atenção. Rola um clima, mas os dois se contém pois estavam na presença da rainha.

O mentiroso do Gato bola então a terceira lorota e pede para a carruagem mudar o curso e ir para um outro caminho. Ele que havia encontrado numa rocha o Zé do Caixão (????), acabou fazendo um pacto com o Mojica e decidiu ajuda-lo numa quebra de feitiço ou algo assim. O Zé se comunica com o Gato de forma telepática. O felino vai então até o castelo do Mago Mau ,que havia aprisionado a alma, mas não os poderes do Zé do Caixão. O castelo , feito de lego, veio voando do céu enquanto tocava a 9ª Sinfonia do Bethoveen.

Começa um bizarro diálogo entre Gato e Mago Mau e este, para provar seus poderes,começa a se transformar em bicho. O Mago ameaça se transformar em elefante, se transforma em cachorro e assusta o visitante. O Gato, que devia ter uns 234 anos de idade tamanha malandragem, desafia o Mago a se transformar em rato. Claro que o Mago babaca faz isso para virar então presa natural do Gato que acaba lhe varrendo da história.

Segue então correria pela estrada e o amigo do Mattar encontra a carruagem da rainha . Convinda todos a conhecerem o “castelo do Marquês”. Para o palácio não ficar desabitado, o Zé do Caixão,em retribuição ao sumiço do Mago Mau, providencia uma corte de serviçais. O Zé era uma espécie de mago Merlin...

A rainha e a princesa ficam embasbacadas com tamanho luxo e alegria , o Mattar leva a Flavia Monteiro para o jardim e lhe aplica uma beijoca. Ficam noivos. Corta.

Agora a cena é o interior do castelo do rei e o baile de casamento. O espertalhão do Gato tramou tudo desde o início. O pobrezinho e desanimado Mattar ficaria satisfeito com a princesa (a Flávia Monteiro) e ainda herdaria um castelo supimpa.

Com a missão encerrada, o Gato sai em disparada com seu cavalo (nesta altura o Gato já aprendeu a cavalgar) e temos mais Jean Michel Jarre na nossa orelha. Surge,vindo do nada,um cara todo de preto vestido de Darth Vader que se aproxima do Gato de Botas que estava imóvel sem se mexer. O galático dá um tapinha nas costas do bicho, abre uma caixinha e troca duas pilhas Rayovac (as amarelinhas). O Gato meus amigos: era um robô !!!

Aparece um disco voador, resgata o gato e some pelo espaço sideral.

A fita,que traz embutida o elogio da mentira, termina com a Tônia Carrero fechando o livro e a netinha já nos braços de Morfeu. A menina com certeza preferiu dormir a agüentar tanta babaquice.

Um filme obrigatório antes da internação no sanatório ! (rimou)

*Ruim

sábado, 18 de julho de 2009

ORGAZMO

orgazmo-uDVD

EUA (1997)

Direção: Trey Parker

Elenco: Trey Parker (Joe), Dian Bachar (Ben), Robyn Lynne Raab, Ron Jeremy, Juli Ashton e Chasey Lain

Lá pelos idos de 1999, sempre que largava o trabalho, na zona Norte, por volta das 17:30 eu ia voando até o centro de São Paulo. A operação era bem simples: desembarcava do ônibus da empresa e pegava o metrô até a República. Começava então uma peregrinação que partia da Rua 7 de Abril, passava pelas grandes galerias, cruzava o Viaduto do Chá, quebrava pela Rua São Bento e chegava até a praça João Mendes. Na praça ficava (fica) o Sebo do Messias e foi lá que eu comprei o VHS “Orgazmo” que faz parte da pré-história da minha coleção de filmes.

Assistir a esse vídeo reafirmou alguns conceitos que eu já tinha: ao chegar num sebo, arriscar a compra de filmes quando a capa ou o título é muito bizarro, sempre checar a parte das “barbadas” (aquela prateleira da loja que o proprietário coloca seus piores produtos a preços de banana) e fugir como o diabo da cruz das dicas dos grandes jornais, que na época estavam preocupados com umas histórias estranhas como cinema tcheco, cinema iraniano e outras coisas que se assemelhavam a um chute nos testículos.

Por falar em testículos, estes são os protagonistas invisíveis (nunca são mostrados, felizmente) em “Orgazmo”.

A trama se inicia com uma dupla de mórmons (Joe e Ben) com aquelas camisas brancas abotoadinhas, bíblia debaixo do braço ,discurso pronto,tocando a campainha da casa e sendo recebidos por um Ron Jeremy só de cuecas.

A casa era na verdade um set de gravação de um filme pornô e os dois religiosos acabavam de interromper uma cena. O diretor do filme desesperado para que os homens de Deus fossem embora logo, convida a dupla para comparecerem ao local no dia seguinte.

Amanhece e lá vão eles. Quando chegam presenciam o principal ator do filme pornô pedindo demissão e abandonando as filmagens. Desesperado e com prazos a cumprir o esperto cineasta convence os “mórmons” a participarem da “inocente” fita.

Ocorre que Joe e Ben além das preocupações religiosas, tinham como hobby a invenção de trecos e bancavam a todo o momento os cientistas malucos. Acabam por zoeira criando uma pistola que, julgavam de brinquedo, e disparava um raio invisível. Como todo nerd começam sempre a andar com as pistolas (armas).

No terceiro dia e já meio desconfiado sobre o tipo de filme que estão fazendo, chegam às gravações e discutem com o diretor dizendo que vão abandonar a gravação.

O diretor então solta uns capangas para dar um sossega leão nos dois fujões.

Para não apanhar bonito o Joe saca a arma e aponta para os leões de chácara. Como os fortões estão mesmo dispostos a machuca-los o Joe mira e dispara. Zóoiimmm... Uma revelação!

A arma emitia um raio do orgasmo. Uma vez disparada o indivíduo se contorcia todo e chegava ao clímax. Com a descoberta do poder das armas eis que o Joe bola a identidade do capitão Orgazmo e seu fiel ajudante o Orgazminho.

Chantageado pelo diretor, o Orgazmo , que tinha bom coração, perdoa a tentativa de agressão e cede participando de umas cenas do filme sacana. Claro que ele usa o dispositivo para acelerar as coisas.

Segue as confusões de praxe e o capitão Orgazmo vira celebridade local. Brinquedos, revistas e vídeos são vendidos explorando sua imagem. Um destes vídeos com o Orgazmo em cena cai nas mãos de sua noiva que fica possessa com a “traição (?)” e termina a relação. Nisso, para chantagear o herói que não queria filmar a parte 2 do filme erótico, uns lacaios seqüestram a noiva do rapaz e prometem só liberta-la se o Joe aceitar fazer a continuação. Claro que a pistola orgasmática acabará entrando em ação e salvará nossos pombinhos dos bandidos da indústria pornô.

Está com a moral baixa, aquela gata não olha mais para você ? Zóoimm conte com o Capitão Orgazmo !

***Bom

EL CHUPACABRA – A CRIATURA

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EUA (2003)

Direção: Brennon Jones e Paul Wynne

Elenco: Eric Alegria (Navarro), Elina Madison, Anthony Criss, Jerry Rodriguez (Noriega) e Calvi Pablon

A lenda latina do Chupacabra relata uma suposta criatura com forma de lobo, olhos vermelhos brilhantes, pele acinzentada ,apetite de vampiro, e que atacava animais da zona rural bebendo-lhes todo o sangue até restarem apenas ossos e carcaças.

Em cima deste fato, a York Entertainment decidiu fazer um longa sobre o tema recrutando elenco de latinos radicados nos EUA para dar mais veracidade à história.

“Chupacabra” é uma espécie de suspense, mas que acaba de forma involuntária servindo como comédia. O filme se inicia com a chegada de um caminhão baú que estaciona num local afastado. Motorista desce, acerta negociação com contato e entrega a mercadoria. O receptor abre as portas do veículo e solta a criatura sendo devorado por ela.

Não demora muito e o bairro começa a sofrer com ataques e mortes em massa. Aí entra o Navarro. O galã da história trabalha numa carrocinha e usa um uniforme semelhante aos bombeiros, com distintivo e tudo. Para ele está tudo OK, gosta de prender e tratar dos vira-latas e segue feliz seu destino. Mas o ponta firme do Navarro tinha uma chefe pentelha que vivia lhe pedindo uns relatórios que nunca eram entregues. Ele tinha que se virar entre prender a cachorrada e o burocrático serviço no escritório que ele não gostava.

Seu primo comenta que os ataques no bairro são autoria do Chupacabra e tenta convence-lo a tomar cuidado; nisso aparece uma escritora meio coroa que “gruda” nele e quer de toda a maneira virar sua parceira pois antevê que ao sairem em busca dos cães logo acabarão achando a criatura.

Quando a dupla Navarro-escritora estava tendo progressos aparece na trama o “bad cop” Noriega. Este, todo gomalinado, cabelão penteado para trás e gravatinha escrota tem uma ajudante a tiracolo com cara de nerd ( uma morena baixinha que usa um rabo de cavalo show de bola... ). Após uma enrolação qualquer o Noriega decide enquadrar a dupla dizendo para saírem do caminho coisa e tal. Aparecem dois mafiosos responsáveis pela chegada da criatura e notam que os quatro: Navarro, escritora, Noriega e ajudante vão atrapalhar seus planos de lucro fácil.

Os mafiosos, que tinham uns dados tranqüilizantes, queriam que o Chupacabra promovesse matança na cidade  para ganharem recompensa pela prisão do bicho. Nosso herói (Navarro) decide não deixar isso ocorrer mas é demitido pela chefe, porque esqueceu dos benditos relatórios. Perde então uniforme vistoso e distintivo dourado. Todo chateado, chega em casa, meio humilhado pela forma com que foi dispensado, e tem a segunda notícia ruim do dia. Seu primo, o que havia alertado sobre o Chupacabra, foi retalhado pela criatura. O Navarro então jura perseguir e prender o bichão e deixa neste momento de ser o “good cop” e vira um Charles Bronson cover.

A escritora fica satisfeita já que além da parceria ela já tava achando seu parceiro meio paradão. Segue uma seqüência de ataques da besta (na verdade um cara de 1,50 cm de altura numa roupa emborrachada meio tosca), cenas de pânico e tentativas de brecar este mal.

Neste momento temos o elenco inteiro perseguindo e não conseguindo prender o Chupacabras que vai matando os figurantes e o elenco de apoio sem dó. Ritmo de novelão mexicano...

Dá para assistir com crianças pois os ataques da fera nunca são filmados de pertinho.

**Regular

sexta-feira, 17 de julho de 2009

ZOMBIE STRIPPERS

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EUA (2008)

Direção: Jay Lee

Elenco: Robert Englund, Jenna Jameson, Roxy Saint, Joey Medina, Shamron Moore e Jennifer Holland

Senhoras e senhores Jenna Jameson na área. A grande musa dos filmes eróticos estrela esta sangrenta e divertida comédia gore dirigida por Jay Lee que atualmente trabalha em uma nova versão de “A Casa dos 1000 Olhos”.

Num galpão qualquer do interior dos EUA, uma agência  do governo acaba acidentalmente liberando um vírus que funcionava como arma secreta para reanimação de corpos. Após um otário morrer inoculado, um outro carinha fica dando mole e entra em contato com a coisa. Já contaminado acaba visitando um clube de strip-tease no Estado de Nebraska. Assim, entre contorcionismos e danças sensuais começa o desfile de beldades, provavelmente atrizes egressas dos porn-movies, até que chegamos na beleza siliconada chamada Jenna Jameson. Ela, cada vez mais linda, é mais uma das dançarinas do clube e tem que conviver com umas intriguinhas na linha “Showgirls” do Paul Verhoeven.

Como o infectado estava na “fila do gargarejo” ele acaba tocando e mordendo uma das strippers. Isso na cartilha zumbística (forçei ?) significa que ela também se transformará em uma morta-viva. Bom, aí segue aquelas maravilhosas cenas das strippers no pau (aquela barra fincada no meio do palco, não esse outro que você está imaginando) , danças, caras, bocas coisa e tal. A stripper zumbi morde uma outra, que morde outra, que morde outra (sinceramente até eu já estava doido para morder aquelas belezuras) e assim quase todo o elenco, incluindo a Jenna, vão aos poucos se tornando monstras.

O legal é que depois que a stripper vira zumbi suas “performances” ficam mais calientes e aquelas notas de dólar, que os manés colocam nas calcinhas, não param mais de serem arremessadas. Tal lucro fácil faz com que, mesmo sabendo ser um caminho sem volta, as strippers sadias aceitem serem mordidas.

Uns funcionários do clube se armam com umas espingardas velhas , que falham toda hora para poderem virar rango de zumbi, tentam acabar com as gostosas. Tiros, sangue, pernocas e muita curtição...

É tranqueira , mas é sexy !

**Regular

THREE O’CLOCK HIGH - TE PEGO LÁ FORA

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EUA (1987)

Direção: Phil Joanou

Elenco:Casey Siemazko, Anne Ryan, Richard Tyson, Stacey Glick, Jonathan Wise e Jeffrey Tambor

Divertidíssima comédia que marcou época na “Sessão da Tarde”, “Te Pego lá Fora” mostra o pacato e boa praça Jerry, um colegial que trabalha no jornal da escola e é amigo de todos. Meio fracote ele tem como missão entrevistar um aluno recém-chegado, o Buddy, e durante a entrevista comete o descuido de dar um tapinha nas costas do figura.

Aí é que o bicho pega. O Buddy é um grandalhão psicopata e tem fobia de ser tocado. O tapinha amigável faz com que o brutamontes se descontrole a ponto de prometer ao Jerry “pega-lo lá fora”.

A partir daí o filme vira uma comédia hilariante porque o Jerry, morrendo de medo da briga, tenta ficar amigo, paga lanche, passa cola nas provas , elogia, mas não consegue demover o fortão da promessa de esmurra-lo.

O pau está marcado para às 3 horas no estacionamento do colégio. Os minutos correm e uma sensação sádica nos invade esperando o cacete monumental que o Jerry vai tomar. Aparecem as bonitinhas solidárias que simpatizam com o franguinho jurado de morte.

Os minutos voam, amigos nerds bolam projetos falíveis que não retardam o massacre.

A gente espera impaciente pela briga. Nesta altura não importa mais nada só queremos saber do final. O sinal toca, o relógio marca a hora fatídica e os estudantes da instituição que já sabiam da briga “armam um cirquinho” a espera dos lutadores.

Como não pôde adiar a briga o Jerry se apresenta para lutar com o Buddy, este avança e soca o ar, o Jerry vai morrer, o Jerry vai virar farinha, agora o Buddy mata. Então...

Um inesperado e bem encaixado gancho de direta explode bem no queixo do Buddy que despenca igual ao Maguila quando apanhou do Holyfield. Milagre.

No fim o Buddy era o maior cuzão. Estava lutando com um soco inglês !

O Spielberg fez a produção executiva da fita

**Regular

TROPA DE ELITE

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Brasil (2007)

Direção: José Padilha

Elenco: Wagner Moura, André Junqueira, André Ramiro, Maria Ribeiro, Fernanda Machado e Marcelo Valle

O mais importante filme brasileiro de todos os tempos, “Tropa de Elite” escancara trajetória e números tão absolutos que desmonta qualquer tentativa de quem precisa e gostaria de ver  rebaixado um trabalho irretocável como o perpetrado pelo diretor José Padilha (de “Ônibus 174”).

“Tropa de Elite” inverte todos os signos e como num tabuleiro de xadrez aplica um xeque-mate no discurso pronto de que “todo mundo é corrupto”, “a oportunidade faz o ladrão” e “está chorando porque também queria participar da bufunfa” e outras barbaridades típicas de quem mede com régua própria coisas e pessoas. Como diria um velho filósofo: “Você vai preferir acreditar nos seus próprios olhos ou no que a grande imprensa está lhe dizendo ?” Esta cegueira moral gerou esta distorção toda e fez de “Tropa” o filme mais incompreendido e manipulado desde “Metropolis” de Fritz Lang.

O filme, ao expor as entranhas do BOPE, modifica os papéis de mocinho e bandido, e o espectador já nos primeiros minutos acaba fisgado pela narração alucinante dos detalhes do cotidiano do Capitão Nascimento (Wagner Moura em atuação que reinventou sua carreira).

É provável que José Padilha nem soubesse no que estava se metendo ao radiografar o interior do competente, e muitas vezes violento, Batalhão de Operações Especiais. O estrondo de indignação, aplausos, vaias, comoção generalizada com que o filme foi recebido entre público e intelectualidade demonstra que o trabalho,parido pelo jovem diretor, foi muito além das fronteiras da sétima arte.

     Fatos e lendas cercam de todas as formas esse objeto único chamado “Tropa de Elite”. Durante as filmagens as armas cenográficas foram roubadas de dentro de uma van. Pessoal da técnica e do apoio abandonaram as filmagens temerosos que ação tivesse partido de um Bope contrariado pelo despimento total de suas operações.

O prejuízo do roubo e a demora fez com que o filme atrasasse. Foram contratados então, especialistas norte-americanos tarimbados em vídeos de ação para a agilizarem as gravações. O filme que havia sido orçado em R$ 4,9 milhões salta para R$ 10,5 milhões.

Com o filme quase sendo finalizado a grande imprensa “descobre” a obra e logo já parte para a comparação com “Cidade de Deus”. O fato foi reforçado porque o roteirista Bráulio Mantovani e o montador Daniel Rezende haviam trabalhado na superestimada obra de Fernando Meirelles.

O filme espetacularmente começa a ser vendido por camelôs do Rio e ganha as ruas e noticiário. Chega rapidinho na 25 de Março em São Paulo. Naqueles meses me recordo de ouvir um camelô explicar detalhes do filme e convencer um desconfiado comprador a “morrer” com os R$ 5. Na tentativa de frear a venda, diretor e produtora dizem que a cópia não estava finalizada. tropa-de-elite1

Tamanho barulho desperta a atenção do Ministério da Justiça que diz que atacará “a demanda”. Burocratas da Agência do Cinema lamentam o evidente prejuízo. A TV começa a falar do caso e cópias piratas chegam ao Norte e Nordeste. A esta altura “Tropa de Elite” já havia virado coqueluche nacional e o filme “que não existia”mais visto  da história do país. Campanhas pentelhas (PTelhas ?) dizendo que pirataria é crime começam  a varrer as salas de cinema e televisão aberta. Nada disso acaba dando resultado, o filme a estas alturas era assunto até internacional. Detalhe:continuava inédito nos cinemas.

Por conta do vazamento,a Paramount decide antecipar a distribuição do longa. O impacto da pirataria começa a ser incógnita na bilheteria de “Tropa”. Rodrigo Saturnino Braga , da distribuidora Columbia, relembra o fato do presidente Lula ter assistido a cópia pirata de “2 Filhos de Francisco” e acha que não há problema algum na crescente distribuição ilegal do filme.

Em outubro de 2007, José Padilha finaliza o filme e garante exibição imediatamente. A estréia não ocorre e o Lao, da 25 de Março, troca de carro importado pela terceira vez no ano... Policiais do Bope começam a relatar casos de porteiros, garçons e populares que começam a aborda-los pedindo autógrafos e sinalizando com o polegar para cima em atitude, inédita para policiais, simpática.

O site do Bope fica congestionado e uma multidão acampa em frente ao Batalhão perguntando como proceder para se tornar um membro da equipe.

Uma equipe da TV japonesa desembarca no Brasil para filmar documentário sobre o filme mais falado e assistido e que ainda não foi lançado. Voltando de uma “peregrinação” ao centro de São Paulo escuto conversa surreal de motorista e passageiro de ônibus dizendo que “Tropa de Elite” é uma espécie de “Rambo 2”.

Crianças começam a cantar o hino da tropa.

Cópias piratas surgem em quartéis da PM, delegacia e Exército. O filme ganha status de “bíblia” dos homens da lei.tropa de elitre ENORME

A imprensa governista decide ressaltar o caráter retrógrado do filme o que faz com que oficiais da PM capitulem e entrem na Justiça contra a exibição da fita. O jornal Folha de S.Paulo tenta falar com Padilha sobre a possível proibição. O diretor amedrontado com tanto barulho se recusa a dar entrevistas. O governador do RJ Sérgio Cabral assiste a cópia pirata e “aprova” o filme, o mesmo ocorre com o ministro da Justiça Tarso Genro dizendo que o filme é “didático”. Um cheiro de manipulação esquerdista a essa altura começa a ser percebido. Logo, o diretor do filme começa uma inacreditável história de que o filme foi mal compreendido e que ele “não louva “ a Polícia. Assustado com tanto patrulhamento vai até o Programa Roda Viva e quase pede desculpas por ter feito o filme que fez...

O governador Sérgio Cabral volta atrás e diz que “o filme mostra a que ponto nós chegamos e desmente ser fã da obra. Os ambulantes cariocas decidem deixar o fantoche lulista para lá e inventam mais duas continuações. Documentários sobre o BOPE exibido no Fantástico e na TV acabam se transformando em “Tropa de Elite 2” e “Tropa de Elite 3”. Camelôs descobrem o documentário “Notícas de Uma Guerra Particular”(1999) de Kátia Lund e lançam a parte 4 do “Tropa”.

Wagner Moura, o Capitão Nascimento, começa a ser requisitado para filmes, novelas e comerciais. Vai ao “Faustão” e dobra a audiência da tarde.

Finalmente o filme entra em cartaz nos cinemas. De maneira quase secreta,e sem um pingo de publicidade,o cine Maxi de Jundiaí (SP) consegue a proeza de ser o ÚNICO cinema a exibir então o filme. O inevitável boicote fica escancarado. Notas na Folha e Estadão começam a inventar sobre um possível fiasco do filme. A revista Veja decide contratacar e dá grande destaque ao filme de Padilha. Na capa um durão Wagner Moura fita o leitor com arma na mão.tropa de elite2

Após a revista, o filme “estréia direito” e em pouco mais de 10 dias já é o filme mais visto e comentado da história do cinema brasileiro. O Instituto de Pesquisas Vox Populi realiza então pesquisa e mostra um resultado arrebatador. Na opinião de 72% dos entrevistados, os criminosos que aparecem no filme são tratados da forma que merecem e 80% deles acreditam que a polícia é apresentada de forma correta. Resumindo:aprovam que “desçam lhe o relho”. A frase de Wagner Moura “Playboy que fuma maconha é responsável pela morte de colegas do Bope na defesa da lei” ganha aplausos e críticas. Os jornalistas “pró-hemp” começam a boicotar o filme e tascam-lhe a pecha de “reacionário”.

Cadernos de fim-de-semana começam a tentar traçar paralelo forçado e idiota comparando o filme a “Lúcio Flávio”, “O Bandido da Luz Vermelha” e “Cidade de Deus” enxergando aí uma linha evolutiva. Jogada desesperada a fim de diminuir o valor do filme com a velha ladainha “ah mas tem outros também...”. Se há algum mérito no filme “Tropa de Elite” é exatamente o oposto do que bradam os jornalões. Com tudo isso, a crítica especializada procura transformar bandidos perigosos em “Zés Galinhas”. A revista Trip coloca nas bancas mais uma edição louvando traficantes  mostrando o drops dulcora do mundo cão.

O humorista Tom Cavalcante assiste o filme e monta a paródia “Bofe de Elite”, o quadro, retratando policiais gays faz tanto sucesso que dobra a audiência do programa “Show do Tom” e obriga os camelôs a lançarem mais um produto. Agora, além dos quatro DVDs piratas um quinto de bônus (o do Tom) entrava no pacote. “Três é dez e cinco é R$ 15 chefia”, bradava um excitado vendedor ambulante satisfeito com as vendas incessantes.

O filme sai em DVD oficial a R$ 29,90 e o site da Submarino esgota todos os itens num único dia. O longa é selecionado para o Festival de Berlim.

Apresentado na cidade alemã, o filme é prejudicado pelo legendamento capenga, não provoca reações da platéia mas lota a entrevista coletiva de Padilha após a exibição. Tablóides europeus comentam o sucesso do filme visto por 11,5 milhões de brasileiros e toda a polêmica que o cerca. A Ilustrada numa das maiores burradas de sua história publica que o filme foi um fiasco e que é certo que não ganhará um prêmio sequer. Contrariando a opinião do jornal paulistano a revista inglesa “Screen” e o jornal alemão “Berliner Zeitung” dão nota máxima ao filme e qualificam-no como “obra-prima”.

Sai o resultado.“Tropa de Elite” é o principal vencedor do Festival de Cinema de Berlim. Na mesma noite Arnaldo Jabor faz um buxixo de pouco caso enquanto Rubens Ewald Filho prefere ressaltar a força dos distribuidores , os irmãos Weistein.

Após a divulgação dos premiados, José Padilha é ovacionado como se fosse um Brad Pitt ou um Clint Eastwood e é aplaudido em pé por vários minutos por jornalistas, diretores e organização do festival.

Os jornais brasileiros publicam o resultado e dão o destaque costumeiro, mas estranhamente,em se tratando de segundos cadernos,um grande silêncio começa a se formar. O filme é então inacreditavelmente “esquecido” pela imprensa.

Ao chegar ao Brasil,Padilha começa a falar mal da própria obra e prefere divulgar o

documentário “Garapa” sobre famintos do Nordeste, ainda no papel. É lançado o longa “Meu Nome Não é Johnny”, o filme atua exatamente como uma espécie de lado B e tenta

romantizar a esperteza e gravar a surrada frase “os fins justificam os meios”. Uma reação à mensagem passada por “Tropa”. Com Selton Mello no elenco o filme estoura nos cinemas mas empaca nos camelôs. Alguns meses se passam e “Meu Nome Não é Johnny” já não é lembrado por mais ninguém.

Globo e Record atualmente disputam a adaptação do filme de Padilha para as telas da TV.

Se ainda não assistiu você não passa de um fanfarrão !

*****Ótimo

AIRTO DE VOLTA (POR POUCO TEMPO) AO PAÍS DA BUROCRACIA (Jornal de Música, agosto de 1977)

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