domingo, 27 de junho de 2010

GELEIRAS, ECOS E ÍDOLOS POP (Folha de S.Paulo 17/05/1984)

 

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PEPE ESCOBAR

ECHO AND THE BUNNYMEN – Apresentação do vídeo inédito “Porcupine”. Como complemento, vídeos de Billy Idol, também inéditos. Carbono 14, hoje e amanhã às 20h30 e 22h.

“Echo and The Bunnymen” surgiu em outubro de 78 para ser uma das maiores bandas do mundo. Quatro de Liverpool. Um vocalista extraordinário – Ian McCulloch, garoto melancólico, Shelley da era tecnotrônica. Reminiscências sonoras de Doors, várias escalas além do psicodelismo. Tinham até mesmo Echo – uma bateria eletrônica, depois reposta por Pete de Freitas, um dos bateristas mais seguros do pop. Três álbuns, três obras-primas: “Crocodiles, “Heaven Up Here” e “Porcupine”.

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Ironia e melancolia, angst e dança. Com o antológico show no Royal Albert Hall, em julho do ano passado, estabeleceram todos os parâmetros sob os quais uma banda pop deveria produzir nos anos 80.

“porcupine” (vídeo de 29 minutos) é um roteiro simples e eficiente para se seguir as melhores músicas do álbum (o único já lançado aqui pela WEA, mas com uma prensagem horrível). Intercala sessões em estúdio dos Bunnymen com filmagens em geleiras das Novas Hébridas, que definiram a concepção visual de “Porcupine”. O único toque mais elaborado é o construtivismo na apresentação da ficha técnica. Não precisa mais nada. Basta a voz de McCulloch nos embalando para um torpor suave – como o, apaixonado de Barthes, via Caspar Friedrich, no topo de uma escarpa contemplando a geleira da paixão. Ou os overlays sinfônicos de “Back of Love” e “The Cutter”, riscados pela guitarra picante de Will Sergeant.

Os Bunnymen – que na Inglaterra são absolutamente reverenciados – não pararam por aí. Este ano lançaram “The Killing Moon”, uma das mais belas canções pop de todos os tempos (“Eu a vi em noites estreladas/ senti seus beijos cruéis/ seus lábios um mundo mágico/ seu céu adornado de jóias/ já está chegando a lua da morte”).

Há duas semanas saiu em Londres seu quarto álbum, agora sem ecos sinfônicos, de volta a pop songs melódicas, mais simples, porém sempre com muita atmosfera. Talvez já não sejam os melhores do mundo (vocês precisam escutar The Smiths, Pale Fountains , Aztec Camera). Mas continuam levando o pop a paisagens inexploradas. WEA, tome vergonha e lance decentemente os Bunnymen nestes trópicos infestados de baianadas e tristes torpes que perderam o bonde da new wave.

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Junto com os bunnies, o Carbono passa, como complemento, o vídeo de Billy Idol com três músicas de seu penúltimo LP. Idol, para quem não sabe , era vocalista do Generation X, um misto de replicante de Blade Runner com sex-symbol de subúrbio, ideal para as imaginações distorcidas da garotada punk inglesa em 76 e 77. A banda acabou logo e ele reapareceu em 82, dirigido pelo empresário do Kiss. Estourou nos EUA e Japão. Os três vídeos são impecáveis , dirigidos por Tobe Hopper, o piradíssimo criador de “Texas Chainsaw Massacre”, um cult-movie no hemisfério norte, onde um maluco sai de serra elétrica cortando jovens imberbes em um acampamento. “White Wedding” é um dos melhores videoclipes da última safra: loirinhas orgasmáticas, caixões , máscaras, ritmo frenético, montagem anfetamínica, criptas, jogo de identidades, referências de horror movies, couro, seda, um coquetel molotov de signos da época. Louquinhos “wave” e aprendizes de tecnologia eletrônica: dêem um pulo no Carbono e aprendam como se faz.

citações construtivistas…

natureza deslumbrante…

…e o ídolo do Papito.

Um comentário:

Cris disse...

Vejo que mudou o layout. Ficou muito bom.

LUIZ GÊ E OS IMPLACÁVEIS