segunda-feira, 30 de agosto de 2010

A CAIXA DE SAPATOS

 

A editora Francisco Alves lançou um livro com as histórias de maior sucesso do programa “Incrível! Fantástico! Extraordinário! Casos verídicos de terror e assombração” .

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Prefácio de Sérgio Cabral e aquele clima que remonta as conversas de bar ou de histórias ao redor da fogueira.Diversão garantida. Você vê que a imaginação humana não tem limites e as “histórias” tem um roteiro pra lá de criativo. A gente ainda chamando o Stephen King de gênio…

É aconselhável não ler o livro à noite.

Almirante - Incrível, fantástico, extraordinário! - 1951

Hoje com as histórias: “O Pretinho Misterioso”, “A Igreja de Minas Gerais”, “O Altar de Angra dos Reis”  e “A Caixa de Sapatos”. Não recomendado para cardíacos e pessoas facilmente impressionáveis…

RECLAME – DENTOSAN, KOLYNOS E LEVER

 

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AZUL SANGRE

 

Christian Desbois (1994)

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ARTE DA CAPA – PENELOPE CRUZ

 

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domingo, 29 de agosto de 2010

ALAN PARKER, MERGULHO NAS PROFUNDEZAS DA LOUCURA (Folha de S.Paulo, 06/03/1983)

 

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Ele cresceu ouvindo rock, que o preocupava tanto quanto os problemas filosóficos, literários e até de expressão. Quando surgiu a oportunidade de fazer um filme musical, desistiu de outros projetos e recusou convite para dirigir a seqüência de “Guerra nas Estrelas”

PEPE ESCOBAR

Loiro, olhos azuis, um belo rosto anglo-saxão, 39 anos, casado, pai de quatro filhos. Tranqüilo, polido, atencioso. Poderia ser um professor visitante de antropologia. Mas cuidado com Mr. Alan Parker. Dêem-lhe uma Panavision e ele se transforma em poeta alucinado cavalgando o expresso da meia-noite; ilumina a tortuosa espiral da fama; revela o lado escuro da lua matrimonial, e ilustra um tema-chave do pesadelo esquizóide pós-moderno – os muros sucessivos construído entre o eu e o mundo.

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Com “The Wall” – que estréia na cidade na próxima quinta-feira – Alan que veio a São Paulo para o lançamento de seu filme chega a uma posição única dentro do cinema contemporâneo: ele leva à tela um frenesi joyceano de imagens “transformistas”, conformando pela primeira vez , convenientemente, aquele espetáculo total de “sound and vision” ao qual se referia David Bowie já no início da década de 70. Cinema, rock’n’roll, laser, animação colocam o espectador numa mesa de vivissecção, em um idiossincrático exame de como não apenas o rock mas a sociedade em geral se intoxicam de cerimônias à custa de seus espíritos criativos. Meditação multidisciplinar manifestamente moderna.

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“Money !”, gritava a garotada , como lembra Alan, “quando o Floyd tentava no palco criar uma repousante “soundscape”. “The Wall”, o álbum duplo do Pink Floyd – 12 milhões de cópias vendidas – surgiu do grito de Roger Waters – baixista, compositor e produtor do grupo. Ele constatou, como gregos, místicos, românticos alemães e Michelangelo Antonioni, que individuu est incommunicabile. A partir daí, Waters e o Floyd passaram a concentrar suas investigações em um espaço interior, examinando a perigosa travessia vital de corpo e alma. Pete Townshend se preocupava – “demais”, segundo Alan – com envelhecer em um mundo trespassado pelo rock. Waters queria sobreviver para curtir a meia-idade. Ambígua ambição.

200903271644_38 Enquanto isso, Alan ouvia o Floyd em seu toca-discos. Cresceu ouvindo rock, que o preocupava tanto quanto problemas de linguagem, filosóficos, literários e de expressão criativa.

Convidado para dirigir a seqüência de “Guerra nas Estrelas”, recusou. Filma com dinheiro americano, claro, mas filma o que quer, e aquilo em que acredita. Confrontado com a possibilidade de mergulhar no delírio floydeano , começou a pensar na questão-chave: a partir de onde fazer a leitura ? Não vacilou: a música deveria conduzir a narrativa. No jorro de imagens expelidas pelo inconsciente, trabalharia as mil faces da alienação e de angústias shakesperianas.

“Do ponto de vista da linguagem, o filme é essencialmente inglês. Não se trata de nacionalismo, que é absurdo hoje. Mas isso tem pontos de relação com o fato de a indústria musical inglesa, riquíssima em idéias, estar sujeita às pressões americanas , assim como no cinema o dinheiro americano financiar projetos filmados na Inglaterra onde os técnicos são os melhores”.

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As contradições enfrentadas por Alan como cineasta começaram a colidir com as de Roger Waters como “rock star”: “Eu já imaginara vários projetos tendo o rock como tema central. Neste, sem dúvida, o que mais me atraiu foi o aspecto formal. Politicamente, não é o que eu gostaria de dizer. As implicações fascistas do complexo de massas do rock seguem uma visão que é basicamente de Roger. Tem, sem dúvida, um grande elemento de autocompaixão. E nos levam a perguntar: por que sentir pena de uma multimilionária estrela de rock ?”.

Enlouquecendo ainda mais a loucura interestelar de Waters, Alan terminou conseguindo passar para a tela uma tensão e uma ambigüidade que originalmente o filme não teria. O show The Wall, visto por alguns milhares de privilegiados em Nova York, Los Angeles, Londres e na Alemanha, já impressionara Alan profundamente: “Entre eles e a platéia havia um muro de verdade, uma barreira, construída durante o show. De repente, o muro virava uma tela, com três projetores sincronizados passando seqüências como a das flores fazendo amor (essa seqüência foi aumentada para o filme)”.

Havia insistentes ruídos de aviões, bonecas grotescas infladas. Tudo isso ilustrava o fato de que o Pink Floyd nunca se transportou para sua platéia. Sabemos que a música dos Stones, por exemplo, começa na linha da cintura. Já a do Floyd começa acima da cabeça”.

Alan, emérito rock’n’roller, de repente via se confrontando com todas as possibilidades cinematográficas do Rock como Teatro, em grande escala: “O som era impressionante. Os músicos, extremamente precisos. E para quem está acostumado ao lento, quase arcaico processo de filmagem, ver tudo funcionando simultaneamente, no momento exato, era um acontecimento. Colossais problemas de engenharia foram resolvidos. E havia seqüências mágicas. Quando o exército de martelos da opressão irrompia na enorme tela formada pelo muro, em tríptico, com os três projetores sincronizados com música ao vivo, era uma sensação teatral que eu achava quase impossível conter nos limites da tela normal de cinema”.

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Alan, no entanto, armou uma trama perfeita. Logo reuniu os melhores técnicos ingleses que conhecia. E acreditou nas habilidades teatrais de Bob Geldof – cantor e compositor do Boomtown Rats – contratando-o para o papel principal, o de Pink – o angustiado anti-herói freudiano que manipula tijolos como Hamlet manipulava seus crânios.

Se Pink é um alter-ego de Roger Waters, por trás deste assume mais importância ainda a figura de Syd Barret – um dos fundadores do Floyd, e por um meteórico período , de 66 a 67, o principal compositor, solista e verdadeiro aventureiro psicodélico. Para fanáticos do Pink Floyd, Syd era o verdadeiro Pink. Príncipe maldito da Era do Ácido, Syd costumava tocar guitarra como se estivesse cavando furiosamente um buraco em direção à China, improvisando solos alucinados ou monólogos de guitarra enquanto a banda oscilava maníaca atrás de si. Syd foi o responsável pelo antológico “Piper at The Gates of Dawn”, o LP de estréia do Floyd, uma obra-prima repleta de psicóticos delírios instrumentais, rock explosivos, baladas meditativas e contos de fadas pop “modificados”.

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Depois, Syd pirou. “O grito de Roger é o tema principal do filme”, diz Alan. “Syd, no entanto , chegou a um ponto em que não conseguia mais gritar. E virou um vegetal”.

Esta tensão entre silêncio e grito está presente o tempo todo em “The Wall”, na mente torturada de Pink. Ela acentua a voz da revolta , exarcebando no rock todas as suas conotações políticas. Nesta experiência dos limites, Alan recorda: “Perguntávamos o tempo todo se devíamos conduzir o filme daquela maneira exasperada. Mas também se a música estava tão revoltada quanto deveria”. Sem usar diálogos, Alan terminou criando um sofisticado equilíbrio entre som e imagem; para cada nunca da música, criou uma luz determinada, ofuscante ou contaminada; para cada manifestação de paranóia aguda ou de um imbatível sentimento na impossibilidade da vida, criou uma nova posição na selvagem cópula som/imagem.

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“The Wall” levou oito meses para ser editado. Alan filmou 60 horas para chegar aos 99 minutos de duração finais. Gerry Hambling, o editor, fez mais de 5.400 cortes. E os artistas do estúdio de animação de Gerald Scarfe fizeram mais de 10 mil pinturas a cores para completarem os 15 minutos de seqüências animadas. Em termos técnicos, Alan diz que não tentou alguma coisa que não havia experimentado antes; “Mas usamos tudo o que já conhecíamos. Tínhamos um prisma especial na lente da Panaflex para nos permitir filmar ao nível do chão, configurando a visão distorcida de Pink à medida que ele se embrenha em sua visão distorcida do mundo. Mais uma vez me inspirei em Abel Gance para suspender a câmara em um pêndulo, filmando Pink em sua piscina imaginária de sangue enquanto lembra a morte do pai. E nos estúdios de Pinewood construímos o muro gigante, de blocos semelhantes a granito, com uma falsa perspectiva e bordas inacabadas, para dar a impressão de expandir infinitamente”.

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Em termos de áudio, Alan pode dizer com certeza que “The Wall” tem o melhor som do cinema moderno. OS “master tapes” gravados pelo Floyd em estúdio, com máximo rigor , foram transferidos diretamente para o filme; com isso, Alan evitou passar por um estúdio de gravação cinematográfica, cuja tecnologia está pelo menos dez anos atrasada”.

Os dois anos de cuidadosa manufatura de “The Wall” deixaram Alan extremamente esgotado. Até mesmo a filmagem de “A Chama que Não se Apaga”foi menos turbulenta. Meditação sobre a atitude anglo-americana em relação aos relacionamentos em fase terminal, e seu efeito sobre as crianças, “A Chama...” terminou se constituindo “no filme do casamento de cada um dos envolvidos”. Albert Finney projetava no seu personagem as lembranças de seu primeiro casamento. Diane Keaton as do casamento de um amigo e de seu relacionamento com Woody Allen, e Alan fazia sua autobiografia. Ele usa o exemplo para fundamentar sua visão do cinema como meditação sobre comportamentos e experiências humanas, e repudiar o cinema-computador ao estilo “Tron”: “As novas tecnologias computadorizadas não vão mudar a essência do cinema, e provavelmente não vão ter sucesso com a maior parte dos diretores”.

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Conversando com Peter Yates outro dia, ele me disse que junto a um exército de experts, gráficos, truques de projeção e computadores, ele se sentia como um diretor executivo, de uma multinacional, e não um cineasta. Este toque naturalista é fundamental para o cinema, que persiste com seu aspecto marcante de experiência teatral.

Delírio boschiano, busca de outro mundo através da solidão e da loucura, “The Wall” é o filme de um apaixonado. Mas que não se confunda Alan com Pink. Contraposto ao pesadelo esquizóide de um indivíduo que só se pode relacionar com o mundo através da auto-anulação, Alan investe com a lucidez do fogo criativo. Isso significa perceber onde circula o controle econômico da indústria cinematográfica, e usar esse sistema em benefício próprio: “É a única maneira de meus filmes serem vistos em todos os mercados. E um incentivo para se persistir nesta busca , a fusão da sensibilidade européia com as grandes inovações do cinema americano”.

 

Assistir este filme aos 17 anos de idade fez toda a diferença.

Que “Sandinista” que nada. Precisou apenas um tiozão da aristocracia e uma banda de rock progressivo se encontrarem para juntos mostrarem  para o mundo o que era o espírito “punk”.