“Delicado”, “Risonhozinho”, “Requebrado”, “Afetado”, “Sabor de fruta”. Esses epítetos foram aplicados a Liberace em sua primeira viagem à Inglaterra, em 1956. Tudo provinha de um único homem, William Connor, um jornalista agressivo e sarcástico, que expôs suas opiniões pelo Daily Mirror, de Londres, sob o pseudônimo de “Cassandra”.
Para Liberace e sua mãe, que o acompanhava na viagem, o ataque de Cassandra podia ser resumido a uma só palavra: homossexual.
A sra. Liberace imediatamente caiu de cama, sob cuidados médicos. Quando lhe foi recomendado que deixasse a Inglaterra, ela se recusou categoricamente, receando que sua partida pudesse ser encarada como uma confirmação do comportamento sexual heterodoxo do filho. Os Liberaces não eram os únicos que tinham essa interpretação. As audiências, quase que unanimemente, adoravam suas apresentações, mas sempre havia alguns espectadores, nas galerias, presumivelmente estimulados pelas palavras de Cassandra, que saudavam sua entrada em cena com gritos de “Bicha ! Bicha !”.
Liberace prontamente consultou um advogado e entrou com uma ação judicial contra o Daily Mirror e William Connor. Três anos depois, quando Liberace foi chamado a prestar depoimento no tribunal, fizeram-lhe duas perguntas à queima-roupa:
- Você é homossexual ?
- Não, senhor.
- Já se entregou a práticas homossexuais ?
- Não, senhor. Nunca, em toda a minha vida.
A defesa alegou que os comentários feitos estavam no reino legítimo da crítica e insistiu que não tinha conhecimento do significado da palavra “fruta” para os americanos. Fez também comentários cáusticos sobre os trajes espalhafatosos de Liberace e apresentou uma testemunha que declarou que o pianista lhe confidenciara que tencionava comprar perfumes para si próprio em Paris. Depois de seis dias de julgamento e várias deliberações, o júri deu ganho de causa a Liberace, fixando uma indenização de oito mil libras, mais as custas do processo.
(S.W.)

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