domingo, 30 de janeiro de 2011

ESCULPINDO SONS (Bizz Nº 13, Agosto de 1986)

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Royal Albert Hall (Londres)

25/04/86

PEPE ESCOBAR

Esta possivelmente, será uma das grandes bandas do final dos anos 80. Tem o feeling certo, a intensidade certa e até front man carismático indispensável. Mike Scott, cantor compositor, guitarrista, pianista e arranjador dos Waterboys, tem pretensões épicas e parece um poeta solitário – longos cabelos, olhar perdido e provavelmente uma obra-prima em pocket book no bolso do sobretudo cinza. Scott é basicamente um modernista, na linha de Bono Vox, Morrissey, Ian McCulloch e os inescrutáveis irmãos Reid do Jesus and Mary Chain. Um escultor de sons no espaço, um artesão sonhador vagando em minimalismo e construções monumentais. Ou seja: um esteta.

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Refinado como uma aquarela de Blake, Scott não pode ser, naturalmente, um bombom para milhões. Este é o primeiro ano que os Waterboys lideram sua própria turnê. Estão no terceiro LP, dos quais o último, This Is The Sea, é quase uma obra-prima pop. São a cult band dos universitários ingleses – o próprio Scott foi aplicado aluno de Inglês e Filosofia na Escócia.

Pose ? Nada disso. Apesar da bacanália sonora, do wall of sound construído em cima de piano, violão acústico e sax, um show dos Waterboys chega a ter puro rock’n’roll ou climas próximos de Neil Young, de quem Scott seria um remoto contraponto tardio. Ele é um arranjador extremamente virtuoso, orquestrando suas fartas cachoeiras poéticas com massas de guitarras acústicas, percussões pomposas, aquele baixo de fazer vibrar qualquer espinha – uma estética do excesso que no entanto parece tão natural quanto a estética da ausência privilegiada pelos Bunnymen.

Ao vivo, os Waterboys emocionam, chegam a se arrastar, mas também conseguem produzir uma inevitavelmente saudável demência dançante. Scott – de calça de couro, seu uniforme – lembra Young, Dylan ou até mesmo The Boss, mas com um ar baudelaireano que escapa aos superídolos made in USA. Os americanos continuam apaixonados pelos épicos instantâneos de U2 e Simple Minds. Se Scott arriscar um pouco mais, e ao mesmo tempo conseguir um hit de rádio, chegará a este Olimpo. Mas veja lá, Scott man: não me vá afundar com este soberbo tumulto acústico contratando um produtor de discoteca.


Nos anos 80 fui até uma loja para comprar o disco. Chegando lá travei o seguinte diálogo com o vendedor:

- Você tem o LP dos Waterboys ?

- Aí, vê pro rapaz um discos dos WALTER BOYS !

- (Não temos).

- Sinto muito, mas não temos nenhum disco do WALTER BOYS !

- Então tá bom (disse). Você tem Beastie Boys ?

- Opa. Temos sim !

Segundos depois o vendedor chega com um álbum dos BEACH BOYS…

(Por sorte havia por perto a Galeria do Rock)

OPTICAL

 

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sábado, 29 de janeiro de 2011

 

… o pior vilão que jamais existiu, pior do que Hitler e Stalin. Estou me referindo a Sigmund Freud.

(Telly Savalas)

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Morro do Diabo em Teodoro Sampaio, construção de ferrovia  (07/11/1982)

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

ROCK É ROCK MESMO !

Talk Talk

TALK TALK – IT’S MY LIFE

Funny how I find myself
in love with you
If I could buy my reasoning
I'd pay to lose
One half won't do
I've asked myself
How much do you
commit yourself?
It's my life
Don't you forget
It's my life
It never ends (It never ends)
Funny how I blind myself
I never knew
If I were sometimes played upon
Afraid to lose
I'd tell myself
what good you do
Convince myself
It's my life
Don't you forget
It's my life
It never ends (It never ends)
(Instrumental)
I've asked myself
How much do you
commit yourself?
It's my life
Don't you forget
Caught in the crowd
it never ends
It's my life
Don't you forget
Caught in the crowd
it never ends
It's my life
Don't you forget
Caught in the crowd
it never ends


A canção símbolo do synthpop europeu e com certeza uma das 5 mais da década de 80. Instrumental, refrão, backings… Não há nada fora do lugar nesta música.



http://www.youtube.com/watch?v=NXQYyKzyDaE

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

GAROTAS EM DESFILE (DE HOJE E DE TODOS OS TEMPOS*)

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Lurdes, Edneia, Toninha, Eleninha, Odila, Cida, Dione, Neuza, Bolinha, Lurdinha, Jacira, Olguinha, Madalena, Lurdes da Matarazzo, Pedrinha, Edna, Bete, Dora, Neuza da Vila Lucinda, Tereza, Maria, Lurdes da Vila Linda, Tite, Cidinha, Lani, Elza, Cidinha do Parque, Delta, Margarida, Dirce, Maria do Novo Oratório, Helena, Eva, Célia, Lia, Mariazinha, Adelaide, Cida Kasfa, Antonia, Tereza do Matarazzo, Nena, Inês, Benvinda, Célia Baiana, Toninha da Vila Lucinda, Vanda, Cleide, Baby, Maria do Carmo, Neuza do Bangú, Jandira, Zilda, Gloria, Helena da Juta, Maria de Lourdes, Terezinha, Maria Tereza, Leila, Luzia, Mariona, Maria Lidia, Deolinda, Lurdes Baiana, Lurdes Menininha, Leuza, Loirinha, Jacira Crente, Neuza da Juta, Neuza do Batista, Iraci, Sonia, Gilda, Elza Velha, Dina, Maria Zoraide, Melanie, Eurides, Sonia da Comap, Odete, Ana Maria, Mari, Nair, Erminia, Miriam, Maria Aparecida do Matarazzo, Elaine, Lurdes da Vila Lucinda, Benedita, Marlene, Laura, Josefa.

(De 1957 a 1964)

*da caixa de fotografias, cartas e outras lembranças

KRIPTA Nº 7

 

Rio Gráfica Editora (1977)

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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O PODEROSO THOR Nº 19

 

Ebal (1969)

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PARA ESQUECER UM AMOR QUE LHE DEU FORA

 

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1 casca de banana

1 fio de cobre

Pegue uma casca de banana e escreva com a ponta do fio de cobre o nome da pessoa que lhe desprezou. Rasgue essa casca em tirinhas e depois enterre os pedaços. Com o passar do tempo esquecerá, por completo esta pessoa.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

ELEKTRA E WOLVERINE – O REDENTOR Nº 1

 

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O FANTASMA VEM PEDIR DESCULPA !

 

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Esta história teve como testemunha certa Julia Tverdianski, que escreveu, no mês de novembro de 1881, uma carta ao professor Richet: apesar do nome eslavo da correspondente , teve por cenário uma casa de uma aldeia francesa em Seine-et-Marne, e foi contada por Camille Flammarion, no seu livro sobre casas assombradas.

Tverdianski, sem dúvida de férias em casa de uma aldeã corajosa, passa uma primeira noite excelente. Infelizmente não acontece o mesmo na segunda: "uma pancada formidável abre a janela com estrondo, apesar das portas de pau fechadas. A jovem, não muito tranquila, salta da cama e volta a fechar a janela. Mas -, diz ela, - não fui capaz de adormecer. Parecia-me que alguém entrara pela janela e julguei ouvir esse alguém, ou essa coisa, durante toda a noite. -

De manhãzinha, conta à dona da casa sua desventura: - É como eu... Eu cá fui acordada pela visita do meu péssimo vizinho, o rendeiro Dufour. Contar lhe ei um dia o que ele fez para me tirar toda a fortuna, sem que a lei o pudesse castigar. Ora bem, esse malandro, que não vejo há muitos anos, veio-me visitar esta noite. Sonheio-o ? Apostava que fui acordada por sua voz, que ele estava diante da minha cama e me dizia:

- Desculpa, Vitória ? Vejam esta imprudência: chamar -me pelo nome próprio ! Ah ! Já chorei muito, na verdade, por causa dele, para já não me zangar com ele nos sonhos !

Neste momento, precisamente, alguém bateu à porta e nos anunciou  que esse vizinho acabava de morrer, nessa mesma noite...

(Alex Roudene)

domingo, 23 de janeiro de 2011

UM LOUCO PIERRÔ EM BUSCA DE SUA IMAGEM MAIS PURA (Folha de S.Paulo, 06/01/1984)

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PEPE ESCOBAR

Uma câmara no ombro – Aaton 35/8, portátil, feita por encomenda – e várias idéias direto da cabeça para a tela.

Taxa de angústia reduzida. Ele não pára. Depois de “Salve-se Quem Puder” – um doceamargo passeio pela neurose e desencontros do casal europeu moderno – Godard partiu para uma viagem pela pintura de Goya, Delacroix , Rembrandt e Velazquez – “Passion”, inédito no Brasil, sabe-se lá até quando, pois é uma produção independente – e chegou à sua versão de “Carmen” – Bizet substituído por quartetos de Beethoven e uma holandesa-fetiche, elegia a todas as mulheres do mundo. Na edição de 30 de dezembro do “Nouvel Observateur”, Godard em entrevista a Jacques Drillon, fala de tudo: da preferência por filmes Kodak sobre os Fuji à morte do cine em branco-e-preto, da indisciplina dos atores às leis de ferro do “ditador” Godard, da influência da TV à formação de uma nova religiosidade . Jean-Luc , 53 anos, o homem que revolucionou o cinema com “Acossado”, há quase um quarto de século, continua apaixonado pelos demônios das sombras, em uma época que já tem um novo “Acossado” (direção de Jim McBride, com Richard Gere) refilmado em ritmo rock, e onde a “nouvelle vague” se diluiu em infinitas recuperações sob o ubícuo rótulo “new wave”.

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Godard rodou “Prénom: Carmen” (Leão de Ouro em Veneza, 83, com fotografia de Raoul Coutard, a holandesa Marushka Detmers no papel principal, que seria de Isabelle Adjani, e montagem e produção do próprio Godard) com filme Kodak. Não usou Fuji porque, segundo ele, “os japoneses elaboraram uma película feita para cores e luzes japonesas, que não são as cores de Vermeer e Rembrandt”. No Ocidente, “diz-se que os rostos são pálidos, mas é falso; eles são rosados, amarelados, rosados pela emoção, avermelhados pela cólera. A Kodak se inscreve dentro da tradição da pintura holandesa”.

Godard, que já fez filmes “vermelhos” (“Weekend”, 67), rodou “Carmen” em amarelo e azul refletindo a personalidade de seu personagem. “Toda a seqüência do hotel é amarela, é interior. Mas o exterior, o mar, o céu, é azul. Enfim trata-se de Carmen: quente e frio. Ela dá frio nos dedos e transmite calor permanentemente. Não se trata de iluminação, e sim de luz. Como no cinema alemão. Hitler sabia muito bem como utilizar a luz”.

Para quem rodou obras-primas como “Vivre as Vie” e “Masculino-Feminino” em branco-e-preto, o duas cores agora está morto: “Trata-se de um efeito estético, um esnobismo. Os laboratórios não sabem mais processa-lo, praticamente não se encontra mais película, e custa muito mais caro”. Para ele, Truffaut rodando em branco-e-preto (refere-se a seu último policial, com Trintrignant e Fanny Ardant), é algo “duvidoso”:

“Quando se filmava em branco-e-preto, no início, é porque não se sabia filmar, havia leis ignoradas, havia muito medo, e além disso, leis que ninguém queria respeitar”.

Ele é um ditador com seus atores ? Não: eles é que se fazem de estrelas: “Com os atores sou alguém que sempre gosta de gente nova. Se já conheço , tento encontrar situações novas entre nós. Em “Prénom:Carmen” havia dois jovens, mas já se consideravam estrelas . Ora para mim a estrela é o filme.

Em alguns momentos , é mais difícil falar aos atores do que a um ministro. Eles são ao mesmo tempo o presidente, o ministro e o povo. Pedi para Marushka escutar os quartetos de Beethoven, dez minutos por dia, escovando os dentes, não escutando , não importa, disse que isso ajudaria na interpretação, mas não adiantou. Depois dizem que filmagens de Godard são difíceis . É verdade, é violento, é a guerra, e isso deve ser sentido no filme”.

Godard está imerso em uma tarefa que só pode ser destrutiva – bombardeando os muros de Berlim do senso comum: “Se é para construir um filme...eu destruo o que me impede...Mas é para reconstruir, de outra maneira, para que não haja apenas destruição. E isso é menos grave do que uma guerra”.

Godard está cansado. Não aguenta mais a falta de comunicação, especialmente o medo da comunicação. Nem esse carrossel indiscriminado de imagens bestiais e bestializadas: “Na televisão, há muitas imagens. Não se sabe mais o que é o quê. Agora se diz: uma imagem; não se diz nem mesmo uma imagem de quê. É como alguém que vai ao médico e diz que está doente, mas sem dizer de quê. E o médico diz: bom, vou lhe dar comprimidos; você prefere os vermelhos ou os azuis ?”.

Mas qual é o sonho de um cineasta que já acreditou na eternidade do cinema – quando também se acreditava eterno – e hoje espera a sua morte ? “Eu queria chegar à IBM e poder dizer: muito bem, tenho um livro de Françoise Dolto sobre religião e psicanálise, tenho dois personagens , José e Maria, tenho três cantatas de Bach, um livro de Heidegger, me façam um programa que organize tudo isso. Mas eles não podem. Eu precisaria fazer tudo sozinho. Só que eu não tenho vontade de gastar vinte anos nesse processo”.

Godard. Um cineasta que entortou corações e mentes no mundo todo e foi idolatrado pelos cineastas brazucas.

REX Nº 1

 

Editora Grafipar

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sábado, 22 de janeiro de 2011

 

Não está escrito na Bíblia, mas meu dom espiritual , a vocação específica que recebi de Deus, foi a de ser apresentador de programa de televisão.

(James Bakker)

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Quatro chaminés restauradas pela Prefeitura de Martinópolis onde funcionava a indústria de cerâmica que deu origem à cidade (15/07/1990)

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Ambulâncias da Prefeitura de Taboão da Serra (abril de 1981)

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Guarujá (01/01/1983)

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Vista aérea de São José do Rio Preto (15/11/1984)

EDIÇÃO EXTRA Nº 161 – A PATADA

 

Editora Abril (1984)

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