domingo, 27 de fevereiro de 2011

DARK ? EU ? (Bizz Nº 15, Outubro de 1986)

“Não careço tanto de força quanto de ligeireza; nem tanto de idéias quanto de matizes; nem tanto de um acento básico quanto de uma diversidade de tonalidades; nem tanto de luz quanto de sombras; me atemoriza demasiado o que há de comum e de trivial na realidade”

Holderlin

PEPE ESCOBAR

Antes de tudo, o contexto. O Brasil é longe. Muito longe. Milhões passam fome, outros milhões cruzam suas existências na descerebração absoluta – por ausência de cálcio e proteínas na infância –, e uma minoria faz das tripas coração (de morcego) para “levar vantagem”. Para entreter esta minoria, a mídia espetaculariza tudo – e continua, animadíssimo, o Baile da Ilha Fiscal…

Peter Murphy

Passar um longo tempo completamente fora daqui e voltar equivale à sensação de jogar uma Ferrari em uma corrida de carro de boi.

Paulo Francis nunca esteve tão certo ao formular sua célebre pergunta, ainda na escada do avião: “Como é que o Brasil se comportou em minha ausência ?”. Mal. Sempre mal. Da última vez que cheguei aqui tinham “descoberto” os darks. E tudo era dark, como nos últimos anos andou sendo punk, beat, uêive, póisshh-moderrrrno (sic) etc. O negócio aqui é loooonge…

Vamos dar uma observada no fenômeno. Todos estes estilos e/ou conceitos, incluindo o darkismo, foram mencionados pela primeira vez, em São Paulo, na grande imprensa – ou seja, para um público de massa – , quando este que vos fala trabalhava todo santo dia no dito caderno ilustrado de um certo diário. O objetivo era informar, provocar interesse, mostrar o que andava acontecendo na Fluminense, através de Mauricio Valladares. Em relação a este vago e indefinível ethos/conceito/estilo de vida chamado dark, foi assim que a moçada em geral travou conhecimento com Bauhaus, Cure, Alien, Killing Joke, Sisters of Mercy, roupas pretas e atitudes sorumbáticas.

Era inevitável, pelo inerente espírito de macaquice tropical, que duas atitudes básicas derivassem desse processo. Não deu outra. A mídia passou a espelhar todo tipo de bobagens sobre dark nos seus caderninhos de (in)cultura e programinhas eletrônicos in, e uma grande massa palhaçou-se de darkinha com uma solicitude hilária, como dizem os isspherrtoosh (sic). Notórios PhDs em babaquice ressurgiram do limbo para, em português de cadeira de rodas, dissecarem ensaios tipo samba do caipira doido misturando dark, Nietzsche, cine alemão, roupa preta, intelligentzia francesa, tudo no mais completo barco furado, claro, mas impressionando os incautos (eterna maioria).

Em síntese: toda essa palhaçada não passou de mais um inócuo babalaô de mídia. Dark, como a velha new wave, é apenas uma generalização, onde não cabem todas as especificidades. Por exemplo, por que a garotada gostou de usar preto ?

Porque, em síntese, preto é neutro, nobre e elegante, além de prático. Mas entre os disco high tech de Tóquio, os buracos londrinos, a barra pesada de Berlim, o Village nova-iorquino e a zona norte de São Paulo há uma enorme gama de usos de preto, desde o basic black de designers milionários ao blusão de couro velho com Levi’s rasgada da garotada mais dura.

Na entrevista com Robert Smith, no ano passado, perguntei ao dito sobre o romantismo dark das letras do Cure pré-superpop. Aparentemente induziam ao suicídio, mas segundo Robert, depois de algum tempo passaram a ser compostas em clima de brincadeira. O apocalipsismo do Killing Joke tem raízes filosóficas bem definidas e refere-se a uma realidade definida, a paranóia nuclear na Europa do Norte. O darkismo de Peter Murphy na época Bauhaus era uma estetização exarcebada, produzida para máximo impacto. Ciro Pessoa, do Cabine C, instituído como ídolo dark local, é na verdade uma figura séria, preocupada com poesia, literatura e em colocar seu trabalho no mercado sem fazer concessões.

Mas no baile da espetacularização só o que resta é o look, e todas as discussões caem no vazio de significado. Na sua pulsão de spotlights, no seu desespero de cinco segundos de fama, quem aparentemente detém o poder são os micos de circo – tanto os “descobridores”, no caso do dark, e os “discípulos” aparvalhados.

Dá para escapar desta palhaçada ? Dá. É só pensar um pouquinho a sério – com ou sem roupa preta: quem sabe o que anda pela sua cabeça anda com a roupa na qual se sente bem, não atrás de modismos impingidos por descerebrados. Além , muito além do darkismo como moda, os micos e as pessoas interessadas em algum tipo de pensamento deveriam se interessar por algumas coisinhas. Por exemplo: quer algo mais dark do que a pressão social que levou ao extermínio três dos maiores gênios outsiders desta época – Fassbinder, Mishima e Pasolini ? Quer saber sobre o que realmente existe de dark na condição humana ? Leia Nietzsche com atenção, completando com os ensaios sobre ele por Deleuze e Bataille. Tente encontrar, ainda que em tradução espanhola, os textos devastadores do filósofo romeno Cioran, onde ele nega tudo, tudo, até o limite da nossa insignificância, mas, no fundo do seu niilismo denunciador, ainda aposta nesta raça desmiolada. O realmente dark, a escuridão e as trevas, está no fundo da mais plena reflexão humana – manifesta em filosofia, literatura ou até em letra de pop song do fundo de si.

Fiquem com Holderlin do início deste texto, carecendo mais de sombras do que de luz, só estudando e tentando compreender nossas sombras é que podemos almejar e pressentir alguma iluminação.

Jaz Coleman mostrando como a paranóia pode ser sublime.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

 

O Baltimore Colts é uma equipe jovem e brilhante. Parece que ela tem o futuro à frente.

(Curt Gowdy, locutor esportivo)

018-c

Teleférico…

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… placa da inauguração,

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design futurista e…

018-c

vista aérea da…

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… Pista de Esqui de São Roque (03/04/1977)

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

STEVEN SEAGAL


A melhor cena do melhor filme do Steven Seagal. Qual era o nome mesmo ?
Acho que era o "Fúria Mortal", mas não estou muito certo...

EM EXPERIÊNCIA DE QUASE MORTE, MENINO DIZ “O CÉU E REAL”

Deus-te-quer-sorrindo

Do blog do Julio Severo

Natalie Tysdal

IMPERIAL, Nebraska, EUA — Parece uma estória que um menino teve num sonho, mas para entender o que Colton Burpo diz você tem de ouvir o que ele conta que lhe aconteceu.

Colton se queixou de uma dor no estômago, que o levou a uma ida ao médico e um diagnóstico de gripe. Depois, a família Burpo foi para casa, que fica na pequena cidade de Imperial, no Nebraska, onde outro médico descartou indicações de que Colton estivesse sofrendo de apendicite.

Mal se passaram dois dias, Todd e Sonja Burpo tiveram de levar urgente seu filho inerte a outro centro médico, onde ele foi imediatamente conduzido à cirurgia. O cirurgião de Colton estima que o apêndice do menino havia se rompido cinco dias antes de ser diagnosticado de forma adequada.

Todd se lembra de pensar: “Como pais, estávamos nos sentindo muito mal. O que foi que fizemos de errado?”

Enquanto Colton estava na cirurgia, Todd e Sonja oravam em quartos separados. Eles achavam que seu filho estava morrendo e se culpavam.

Miraculosamente, depois de uma recuperação difícil e outra cirurgia, Colton sobreviveu. Mas seu testemunho está longe de terminar.

Havia coisas que Colton fez e coisas que ele disse depois da cirurgia que estavam fora do normal, mas nada disso fazia sentido até que passaram em frente do hospital quatro meses depois da cirurgia.

Seu pai perguntou para Colton, em tom de brincadeira, se ele queria voltar ao hospital.

A resposta de Colton? “Sabe, papai, os anjos cantaram para mim enquanto eu estava ali”, disse o menino.

Todd se lembra de olhar para o espelho e ver a face de seu filho totalmente séria, sem nenhum sorriso ou noção de que ele estivesse brincando em retribuição.

Todd olhou para sua esposa e perguntou: “Alguma vez conversamos sobre anjos com você antes?”

Colton afirma que enquanto estava na mesa de operação ele foi para o céu e que ele conheceu seu bisavô Pop. Colton diz que seu avô não se parecia com o homem na foto de sua casa, mas em vez disso parecia o homem na foto que havia sido enviada meses depois por sua avó, um jovem sem óculos.

Mas talvez a parte mais chocante do testemunho de Colton seja o bebê sobre o qual ele nunca soube.

Um dia enquanto Colton estava brincando ele foi até sua mãe, e do nada perguntou: “Mamãe, tenho duas irmãs. Você teve um bebê que morreu na sua barriga, não é?”

Sonja ficou chocada e de boca aberta com o que seu menininho havia acabado de dizer. Quando ela lhe perguntou quem havia contado para ele, ele disse: “Ela mesma me disse, mamãe. Ela disse que morreu na sua barriga”.

Todd e Sonja nunca haviam dito para seu filho acerca do aborto espontâneo que Sonja tivera antes de Colton nascer. Afinal, esse era um assunto que estava muito além da capacidade de compreensão de um menino de quatro anos.

Colton também disse para sua mãe que ela era uma menina e “parecia conhecida e começou a me dar abraços e ela estava feliz de ter alguém da família dela lá em cima”.

Com o tempo as visões dele se tornaram mais fáceis de acreditar. Ele descreveu Jesus, e até falou sobre o Armagedom e como Deus lhe disse que seu pai lutaria nesta batalha final. Embora Todd fosse pastor, ele diz que nunca conversou detalhes dessa natureza com seu filho, que nem estava ainda em idade escolar.

Depois de anos de estórias e novos detalhes, os amigos de Todd e membros de sua igreja começaram a pedir-lhe que registrasse suas estórias. Eles incentivaram Todd a escrever um livro, que não era algo que ele quisesse fazer ou tivesse alguma ideia de como fazer.

Ele se lembra de orar sobre o assunto, e disse que só o faria se a oportunidade lhe fosse muito favorável. Não muito tempo depois de sua oração, uma editora ligou para ele.

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Agora as estórias do céu contadas por Colton estão documentadas num livro intitulado “Heaven is for Real” (O Céu é Real).

Foram impressos 500.000 exemplares do livro e já se fala em fazer um filme. Sonja diz que é muito para sua família de cidade pequena, mas eles estão vendo sua história fazer uma diferença em muitas vidas.

Quanto a Colton, ele tem agora 11 anos de idade e adora cantar, praticar esportes e tocar trompete. Seu pai diz que sua experiência no céu não mudou seu filho, mas pelo fato de que Colton era tão novo quando tudo aconteceu definiu sua vida.

Quando lhe perguntam o motivo por que ele pensa que seu filho e sua família tiveram essa experiência, Todd diz: “Não sei a razão por que Deus nos escolheu. Se tivéssemos uma chance de votar quando vimos nosso filho sofrendo e a ponto de morrer, nós teríamos votado “não”. Não queríamos aquilo. Somos apenas pessoas normais para quem Deus fez um milagre”.

Arrependei-vos ó pecadores, senão ficareis pernetas no inferno levando flechadas de centauros num rio de sangue efervescente.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

ROCK É ROCK MESMO !

 

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LED ZEPPELIN – ROCK AND ROLL

It's been a long time since I rock-and-rolled
It's been a long time since I did the Stroll
Ooh, let me get it back, let me get it back, let me get it back
mm-baby, where I come from
It's been a long time, been a long time
Been a long lonely, lonely, lonely, lonely, lonely time
Yes, it has
It's been a long time since the book of love
I can't count the tears of a life with no love
A-carry me back, carry me back, carry me back
mm-baby, where I come from,whoa-whoa, whoa-oh-oh-hoh
Its been a long time, been a long time
Been a long lonely, lonely, lonely, lonely, lonely time
Ah, ah-ah, ah-ah
Hoh, it's been so long since we walked in the moonlight
a-making vows that just can't work right
Haw-haw, yeah, open your arms, open your arms, open your arms
Baby let my love come runinng in, a-yeah
It's been a long time, been a long time
Been a long lonely, lonely, lonely, lonely, lonely time.
Yeah, hey, yay, hey, yeah, hey, yeah, hey
Ooh, yeah, ooh-ooh, yeah, ooh-ooh, yeah, ooh-ooh, yeah
It's been a long time, been a long time
Been a long lonely, lonely, lonely, lonely, lonely time

Se tem uma música que faz juz ao título é esta !

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

OLHO DE VIDRO

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O milionário foi operado na vista. Como sinal de gratidão, manda colocar um enorme olho de vidro na fachada da clínica, em cuja pupila há um retrato do cirurgião. Após a inauguração, ele pergunta ao cirurgião:

- Bem, o que achou da surpresa ?

- Achei que foi uma sorte não lhe ter operado as hemorróidas...

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CATAFLAM

 

Novartis

Diclofenaco dietilamônio

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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

CONFESSIONS

Cicciolina

Editora Record (1988)

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mais sobre ela:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Cicciolina

OUTRA SIMPATIA PARA TOMAR NAMORADO ALHEIO

 

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2 palitos de fósforos

Se você está interessada em conquistar o namorado de uma amiga, faça esta simpatia.

Pegue dois palitos de fósforo. Um, em pensamento, faça-o ser o rapaz que quer conquistar. Quebre o palito que seria "sua amiga" e jogue-o fora. O palito que seria o rapaz, coloque-o dentro do soutien por três dias seguidos. Logo o rapaz vai se declarar apaixonado por você.

Se suas intenções para com o rapaz vão além de namoro, repita a simpatia três vezes.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A MEUS AMIGOS DO BRASIL

 

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NAT KING COLE –  ANSIEDAD

Ansiedad, de tenerte en mis brazos
Musicando,... palabras de amor
Ansiedad, de tener tus encantos
Y en la boca, volverte a besar
Tal vez este llorando mis pensamientos
Mis lagrimas son perlas que caen al mar
Y el eco adormecido, de este lamento
Hace que este presente en mi soñar
Quizás este llorando al recordarme
Estreche mi retrato con frenesi
Hasta tu oido llegue la melodia selvaje
Y el eco de la pena de estar sin ti.
Ansiedad, de tenerte en mis brazos
Musicando,... palabras de amor
Ansiedad, de tener tus encantos
Y en la boca, volverte a besar

 

Meu tio ouvia direto este álbum. Cresci gostando do Nat. Suas músicas tem “um quê” de “Ilha da Fantasia” misturado com um cruzeiro no “Barco do Amor”…

domingo, 20 de fevereiro de 2011

OS PUNKS DEIXAM SEUS GUETOS (Folha de S.Paulo, 27/11/1982)

 

começo do fim

PEPE ESCOBAR

Houve um tempo em que imaginávamos poder pulverizar o espaço com um soco, brincar com as estrelas, deter a duração do tempo ou manobra-la de acordo com nossos caprichos.

Mas com que quantidade de ilusões nascemos para poder perder uma a cada dia ! Percebemos que a vida é um milagre que a amargura destrói.

Hoje e amanhã, das 14 as 18 horas – para todas as idades -, os punks de São Paulo saem de seus guetos para conversar com sua cidade, no Sesc-Pompéia. Não se espere violência – a começar pela escolha do horário. O 1º Festival Punk de São Paulo, apocalipticamente – e pós-modernamente – intitulado “O Começo do Fim do Mundo”, será o encontro entre o branco e o preto de uma paixão e os sobretons cinzentos de uma cidade que ainda não a entende muito bem. Os punks também amam, como assinala uma de suas músicas. Quem for ao Sesc-Pompéia para conhece-los e ouvi-los não deixará de contaminar-se com sua pureza .

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Organizado por Antonio Bivar – teatrólogo, jornalista e animador cultural – que estará lançando seu livro “O Que é Punk” (Ed.Brasiliense) – e Callegari, guitarrista da banda punk Inocentes, o festival é extremamente didático: os punks aparecem em som, imagem e palavra.

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No Centro de Convivência, uma exposição de fotos apresenta trabalhos de Ugo Romiti, Vânia Toledo – ela fotografou dois dos Sex Pistols quando estiveram no Rio, em 78 -, Toninho Prada, Carla Reichmann e Bivar. Ao lado, uma barraca da “Punk Rock Discos” – a lojadas Grandes Galerias da av.São João onde os punks costumam reunir-se – está vendendo camisetas, discos – entre os quais os dois primeiros lançamentos nacionais “Grito Suburbano” e o compacto do “Lixomania” – botões, “armbands” e números dos “fanzines” paulistas – mini-revistas em xerox, editadas e distribuídas pelos próprios punks.

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Em vídeo, há uma seleção de trabalhos nacionais ao lado do já conhecido “Punk Rock Movie”, de 77, transposto de um super-8 filmado pelo jamaicano Don Letts no mítico Roxy Club de Londres, templo do nascimento do punk. Para quem conhece, é uma ocasião única para se ver Sex Pistols, The Clash ou a neodadaísta Siouxsie e The Banshees no auge do furor, quando o punk como música e comportamento desestabilizava o torpor da Europa pós-industrial.

Entre os vídeos nacionais, reportagens produzidas pela TV Cultura e TV Bandeirantes, “Punk na TV” – um trabalho de quatro alunos de Jornalismo do Instituto Metodista, “Punk São Paulo 82”, produção de Álvaro Roberto Barbosa e o extremamente bem-cuidado “Garotos de Subúrbio”, a delicada reflexão sobre seu som, agonias e esperanças, produzido pela “Olhar Eletrônico” e já mostrado com muito sucesso no Masp.

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Mas é o som punk que deverá invadir os visitantes do Sesc-Pompéia, neles provocando todas as sensações entre o fascínio e a perplexidade. Dez bandas hoje à tarde – Doze Brutal, Psycose, Ulster, Cólera, Neuróticos, M-19, Inocentes, Juízo Final, Fogo Cruzado e Desertores e -, dez amanhã – Suburbanos, Passeatas, Decadência Social, Olho Seco, Extermínio, Ratos de Porão, Hino Mortal, Estado de Coma, Lixomania e Negligentes, com seus nomes, sua fúria e pureza de sua revolta, estarão danificando irremediavelmente a atitude bem-pensante de quem os considera apenas um grupo isolado de alienados.

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Este festival é muito importante para colocar os punks de São Paulo no devido contexto das transformações que estão ocorrendo no espaço cultural da cidade. Não são um enigma, ou mais um fenômeno epidérmico engolido pela mídia e depois dissolvido na mitificação.

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Sua atitude frente à vida, mais do que o som, os adereços ou as provocações, é o mais importante a ser visto neste momento. Sua alegria assesta golpes mortais, seu regozijo dissimula um punhal sob um sorriso. Como sábios raivosos, mortos para o mundo, só invalidam suas ilusões para excita-las melhor.

São os verdadeiros desenganados urbanos. Sabem que o próprio caos não poderia ser mais do que um “sistema” de desordens. É com esta certeza que passeiam – como enfermos resignados – tanta energia e tanta curiosidade por uma vida moderna prevista, espantosa e vã.

Lixomania: “você de roupa preta que anda pelas ruas…”

Olho Seco: “haverá futuro para este país ? haverá futuro para este pessoal ?”

Neuróticos: “Oi oi oi oi oi oi…”