quinta-feira, 31 de março de 2011

O PALETÓ (O Nanista, Nº 2, Maio de 2001)

 

paleto

NANI

No escuro, o paletó de Valdir, no cabide, se sente crucificado. Faz meses que seu dono não mais abriu a porta do armário. Talvez ele tenha se aposentado, pensa o paletó. Não mais foi vestido para ir ao escritório. Ou será que ele foi demitido ? A última vez que o paletó saiu foi para uma festa no Lions Clube. Ainda há uma mancha de salgadinhos no bolso que foram malocados ali. As portas vizinhas do armário, onde ficam as roupas femininas, se abrem e fecham de vez em quando. No escuro, o paletó vive sua angústia sem saber de seu dono.

Até que um dia: a luz brusca e o ranger da dobradiça da porta despertam-no.

Mãos outras pegam-no e mais pares de mãos vestem-no em seu dono deitado, desajeitado, paralisado e frio.

Que estará acontecendo ? Que flores são estas ? E essa gente em volta ?

Uma tampa se fecha. O escuro outra vez. O paletó vai ser enterrado com o seu dono.

EL INCREIBLE BLUE DEMON - 4

 

“Don Pedro e eu vimos seu retrato na companhia de aviação. Alguma pergunta ?”

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                        (continua)

BALAÃO E O ANJO

 

Balão e o anjo Northrop, Henry Davenport Charming Bible Stories (Philadelphia J.H. Moore Company, 1893) 129

Então levantou-se Balaão pela manhã, albardou a sua jumenta, e partiu com os príncipes de Moabe.

A ira de Deus se acendeu, porque ele ia, e o anjo do Senhor pôs-se-lhe no caminho por adversário. Ora, ele ia montado na sua jumenta, tendo consigo os seus dois servos.

A jumenta viu o anjo do Senhor parado no caminho, com a sua espada desembainhada na mão e, desviando-se do caminho, meteu-se pelo campo; pelo que Balaão espancou a jumenta para fazê-la tornar ao caminho.

Mas o anjo do Senhor pôs-se numa vereda entre as vinhas, havendo uma sebe de um e de outro lado.

Vendo, pois, a jumenta o anjo do Senhor, coseu-se com a sebe, e apertou contra a sebe o pé de Balaão; pelo que ele tornou a espancá-la.

Então o anjo do Senhor passou mais adiante, e pôs-se num lugar estreito, onde não havia caminho para se desviar nem para a direita nem para a esquerda.

E, vendo a jumenta o anjo do Senhor, deitou-se debaixo de Balaão; e a ira de Balaão se acendeu, e ele espancou a jumenta com o bordão.

Nisso abriu o Senhor a boca da jumenta, a qual perguntou a Balaão: Que te fiz eu, para que me espancasses estas três vezes?

Respondeu Balaão à jumenta: Porque zombaste de mim; oxalá tivesse eu uma espada na mão, pois agora te mataria.

Tornou a jumenta a Balaão: Porventura não sou a tua jumenta, em que cavalgaste toda a tua vida até hoje? Porventura tem sido o meu costume fazer assim para contigo? E ele respondeu: Não.

Então o Senhor abriu os olhos a Balaão, e ele viu o anjo do Senhor parado no caminho, e a sua espada desembainhada na mão; pelo que inclinou a cabeça, e prostrou-se com o rosto em terra.

Disse-lhe o anjo do senhor: Por que já três vezes espancaste a tua jumenta? Eis que eu te saí como adversário, porquanto o teu caminho é perverso diante de mim; a jumenta, porém, me viu, e já três vezes se desviou de diante de mim; se ela não se tivesse desviado de mim, na verdade que eu te haveria matado, deixando a ela com vida.

Respondeu Balaão ao anjo do Senhor: pequei, porque não sabia que estavas parado no caminho para te opores a mim; e agora, se parece mal aos teus olhos, voltarei.

Tornou o anjo do Senhor a Balaão: Vai com os mem, ou uma somente a palavra que eu te disser é que falarás. Assim Balaão seguiu com os príncipes de Balaque:

Tendo, pois, Balaque ouvido que Balaão vinha chegando, saiu-lhe ao encontro até Ir-Moabe, cidade fronteira que está à margem do Arnom.

Perguntou Balaque a Balaão: Porventura não te enviei diligentemente mensageiros a chamar-te? por que não vieste a mim? não posso eu, na verdade, honrar-te?

Respondeu Balaão a Balaque: Eis que sou vindo a ti; porventura poderei eu agora, de mim mesmo, falar alguma coisa? A palavra que Deus puser na minha boca, essa falarei.

E Balaão foi com Balaque, e chegaram a Quiriate-Huzote.

Então Balaque ofereceu em sacrifício bois e ovelhas, e deles enviou a Balaão e aos príncipes que estavam com ele.

E sucedeu que, pela manhã, Balaque tomou a Balaão, e o levou aos altos de Baal, e viu ele dali a parte extrema do povo.

(Números, capítulo 22)

ROCK É ROCK MESMO !

 

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JOAN JETT

I LOVE ROCK AND ROLL

I saw him dancing there by the record machine
I knew he must have been about 17
The beat was going strong, playing my favorite song
And I could tell it wouldn't be long till he was with me
Yeah with me
And I could tell it wouldn't be long till he was with me
Yeah with me
CHORUS
Singin' I love rock and roll
So put another dime in the jukebox baby
I love rock and roll
So come on take some time and dance with me
*OOWW*
He smiled so I got up and asked for his name
but that don't matter he said cuz it's all the same
I said can I take ya home, where we can be alone
And next we're moving on and he was with me
Yeah me
And next we're moving on and he was with me
Yeah me
CHORUS
I said can I take ya home where we can be alone
And next we're moving on and he was with me
Yeah me
and we'll be moving on and singing that same old song
Yeah with me
I love rock and roll
So put another dime in the jukebox baby
I love rock and roll
So come on take some time and dance with me
I said can I take ya home where we can be alone
And next we're moving on and he was with me
Yeah me
and we'll be moving on and singing that same old song
Yeah with me

Então coloque uma moeda no jukebox baby…

OS ANJOS DE MONS

 

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Depois da batalha de Mons, na Bélgica, a 26 de agosto de 1914, a Força Expedicionária Britânica começou a bater em retirada, perseguida por uma unidade da cavalaria alemã. Esperando a morte inevitável, os britânicos se viraram e, aturdidos, depararam com um esquadrão de cavalaria fantasma entre eles e a cavalaria alemã.

Os cavalos alemães ficaram assustados e dispararam em todas as direções. Do lado alemão, veio a informação de que os homens haviam se recusado a atacar num determinado ponto (onde as linhas britânicas estavam rompidas) por causa da grande concentração de tropas inimigas. Segundo o registro dos aliados, não havia um único soldado britânico no setor.

Um capelão militar registrou ter ouvido relatos da aparição de um general-de-brigada e dois de seus oficiais . A retirada foi concluída com sucesso. Os soldados de ambos os exércitos ficaram convencidos que tinham avistado um exército espectral de anjos.

quarta-feira, 30 de março de 2011

EL INCREIBLE BLUE DEMON - 3

 

“Eu trabalho só Don Pedro, sou um lobo solitário…”

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             (continua)

TUDO QUE NÃO É SOLIDO SE DESMANCHA NO AR


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RADIOHEAD

THE KINGS OF LIMBS

Ao longo da existência deste blog me dei ao trabalho de relatar vários insultos ao bom gosto e suportei o desrespeito ao mínimo de decoro artístico, mas esse caso é grave. Estou falando de um baluarte amado por 9 entre 10 hipsters de plantão: a banda do “poeta” sensível, militante ecológico, defensor do download e das redes sociais, político e pastor (rei dos membros) da nova ordem roqueira: Mr. Thom Yorke.

Estava preparado para comentar o nojo, o asco e a raiva que este álbum me causou afinal nos últimos meses foi impossível acessar internet, ouvir podcasts, assistir TV e ler revistas sem esbarrar com os cabeças de rádio fitando a gente com aquela risadinha besta estampada na cara do líder da banda. Risadinha esta que compõe uma máscara viva que resume tudo o que há de errado com a música da atualidade. Jesus, como se não bastasse Bono e Caetano onipresentes-oniscientes dominando tudo, agora tínhamos que agüentar também esses ingleses ?

Quando, de fato,com atenção ouvi a “obra em progresso” confesso que não me mexi do lugar. Fui invadido por uma sensação de nada e de vazio e nem de não gostar do disco foi possível. Não sei se foi a ausência de substancias tóxicas ou o fato de não freqüentar raves que me impediu de entende-lo melhor, o fato é que o disco sumiu. Sim desapareceu.

Mesmos discos chatos a gente se recorda de algo para falar depois, não foi o caso deste... Comecei ouvindo a “obra” com ouvidos de mercador “Bloom”, “Morning Mr. Magpie”,… e quando me dei conta já estava folheando uma revista ou lendo um texto qualquer na Internet . O reloginho do CD Player já indicava track 5. Pasmei.

- Como é que se passaram as quatro faixas anteriores (todas no volume 9) que eu havia pré-sintonizado ?

Entendi então que estava diante de um fenômeno novo. O não-disco. Explico: este “The Kings of Limbs” não deve ser encarado como um item da discografia do Radiohead mas um link sólido, um flyer, um convite para o verdadeiro trabalho da banda que são aqueles vídeos no youtube do Thom Yorke dançando. Sim meus amigos, a banda que perpetrou delicias como “The Bends” e “OK Computer” se transformou numa videocassetada do Faustão.




Abaixa, que isso aí não é rock’n’roll !

PEPRAZOL

 

Libbs

Microgrânulos de omeprazol

Peprazol

 

matusquela

terça-feira, 29 de março de 2011

ARTE DO FUTEBOL - ROGÉRIO CENI


O EMPENHO DIÁRIO,


O PROFISSIONALISMO CONSTANTE,


A PAIXÃO ETERNA, A GARRA INCONFUNDÍVEL,


O EXEMPLO INSPIRADOR, O ATLETA ÚNICO,


E, AGORA, O GOL CENTENÁRIO.


SE VOCÊ É SÃO-PAULINO, SE ORGULHE.


SE NÃO É, SE LAMENTE, SEU TIME NUNCA TERÁ NINGUÉM IGUAL.


PARABÉNS CAPITÃO.


no link abaixo o 100º gol.

EL INCREIBLE BLUE DEMON - 2

 

“A estas horas Inferno deve te-la em seu poder…”

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                  (continua)

MINI-ÁLBUM DOS TRAPALHÕES

 

Editora Abril (1990)

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Faltou o “S” no nome do Zacarias ou sempre foi assim ?

PARA VOCÊ ESTAR SEMPRE PROGREDINDO

 

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3 raminhos de arruda

3 moedas

um punhado de arroz cru

Assista a uma missa numa sexta-feira. Leve três raminhos de arruda e três moedas.

Ao terminar a missa, coloque os três raminhos e as moedas ao pé da imagem de um santo de sua devoção. Do lado de fora da porta principal da igreja, coloque um punhado de arroz.

domingo, 27 de março de 2011

UMA VIAGEM AO INFERNO, NAS ASAS DOS GAVIÕES (Folha de S.Paulo, 12/12/1983)

 

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PEPE ESCOBAR

Esta é uma viagem à replica tropical da sucursal do inferno.

Gaviões da Fiel, canto inferior esquerdo, acima das cabines de rádio, três da tarde. Prenúncio de tempestade, mas nada no céu tão negro quanto a massa humana. Mísseis de ogivas multidirecionais – de papel higiênico, serpentina, detritos variados ou pedaços de rojões – cruzam o espaço intermitentemente, em velocidade vertiginosa. Como aliviar o tédio ? Gaviões transformaram-se em abutres; e qualquer sujeito – e objeto – em movimento é um alvo preferencial. Do “outro” lado, na “nihilista” (segundo expressão de um torcedor) torcida do São Paulo, reina uma paz de pó de arroz e confetes delicados.

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A polícia não entra nesta terra desolada. Quando surge uma escola de samba na pista – A Rosas de Ouro – os Gaviões transformam-se em águias lúbricas. A cada rebolado de uma mulata licenciosa, voam mais projéteis. Às quatro e meia , os dez primeiros degraus da arquibancada estão infrequentáveis. Uma figura esperneia. Leva cacos na cabeça. Sai sangue. Ele sai rindo.

De repente, o céu está – agora sim – mais negro que asa de qualquer graúna ou urubu diplomado. É o Curintia em campo, para delírio de donos de consórcios que almoçaram correndo em casa, depois de transarem correndo com a mulher – com medo de perder a hora com a turma, ou do semelhante, aquele que tomou quatro ônibus, veio enrolado na bandeira, tomou 348 projéteis na cabeça e bebeu tanto que quase perde o jogo.

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A nuvem negra sufoca a todos – são objetos semelhantes a rojões, de onde sai um satânico negrume, misturando-se com bolos de serpentina branca e uivos ensandecidos. Esta é a receita do delírio tropical que os comunistas da PUC adoram.

Se no segundo tempo os dois times foram vencidos pela chuva, no primeiro reinou incólume a monotonia . Os gaviões viraram periquitos – afiando garras apenas para dirigir imprecações a Zenon ou a todo o ataque. Quando alguns já começavam a penar antecipadamente a viagem de volta, veio o gol de Sócrates. Mais projéteis. Petistas enlouquecidos, nessa hora, até apoiavam as indiretas – contanto que Sócrates estivesse na lista. Legiões de corpos emporcalhados até a medula perpetravam um Woodstock no cimento, até se esqueceram da entrada de Sandra Bréa no início da partida, saudando a torcida.

“Ela não está no mehor de sua condição física”, comentou um gavião ilustrado.

No segundo tempo, rigorosamente nada aconteceu até a primeira chance de gol do São Paulo aos 23’’. Solito salvou, sabe-se lá como, e São Pedro, para comemorar, abriu as torneiras dois minutos depois. Outra chance, aos 26’’, foi desperdiçada com a bola batendo no corpo molhado de um fosco indistinguível (pelo menos para a torcida) na defesa corintiana. Continuar nos Gaviões seria o máximo do masoquismo. No São Paulo, o nihilismo chegava às últimas conseqüências. Restaram apenas os pingos da chuva, como no melhor pop dos anos 60.

Sandra Brea

Nas numeradas, o final do preconceito de elite: a maioria absoluta era corintiana. Olhando para o alto, a partir das numeradas superiores, observava-se o que restou dos Gaviões: um bando disperso de chacais uivantes, literalmente pingados – e pingando. Concluída sua temporada no inferno – para eles, a versão mais acessível do paraíso -, rumaram felizes para o último grau do etilismo.

Mas fica-se imaginando o que sentiria um legítimo gavião caso penetrasse na sala de imprensa, após o jogo, e no meio de outra multidão de corpos emporcalhados – estes um pouco mais ilustrados – encontrasse a anfetamínica Sandra Bréa reclamando das trombadas que levou da segurança do Corinthians. Com a libido desenfreada em estágio final, só lhe restaria se atirar sobre a dita, urrando salve o curintia.

E comemorar o campeonato quase ganho em estilo. Ou sem.

 

Para saber do barulho causado por esta matéria clique aqui

sábado, 26 de março de 2011

 

Saiba que quando eu quiser sua opinião, eu lhe dou a minha.(Samuel Goldwyn, magnata do cinema , a um jovem escritor)

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Comemorações civis e militares por ocasião do 98º aniversário de Barra Bonita

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Expansão industrial em Campinas (sem data)

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Palácio Boa Vista funciona como Museu em Campos do Jordão (24/01/1975)

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Hotel Green Home em Campos do Jordão (15/06/1996)