quarta-feira, 30 de março de 2011

TUDO QUE NÃO É SOLIDO SE DESMANCHA NO AR


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RADIOHEAD

THE KINGS OF LIMBS

Ao longo da existência deste blog me dei ao trabalho de relatar vários insultos ao bom gosto e suportei o desrespeito ao mínimo de decoro artístico, mas esse caso é grave. Estou falando de um baluarte amado por 9 entre 10 hipsters de plantão: a banda do “poeta” sensível, militante ecológico, defensor do download e das redes sociais, político e pastor (rei dos membros) da nova ordem roqueira: Mr. Thom Yorke.

Estava preparado para comentar o nojo, o asco e a raiva que este álbum me causou afinal nos últimos meses foi impossível acessar internet, ouvir podcasts, assistir TV e ler revistas sem esbarrar com os cabeças de rádio fitando a gente com aquela risadinha besta estampada na cara do líder da banda. Risadinha esta que compõe uma máscara viva que resume tudo o que há de errado com a música da atualidade. Jesus, como se não bastasse Bono e Caetano onipresentes-oniscientes dominando tudo, agora tínhamos que agüentar também esses ingleses ?

Quando, de fato,com atenção ouvi a “obra em progresso” confesso que não me mexi do lugar. Fui invadido por uma sensação de nada e de vazio e nem de não gostar do disco foi possível. Não sei se foi a ausência de substancias tóxicas ou o fato de não freqüentar raves que me impediu de entende-lo melhor, o fato é que o disco sumiu. Sim desapareceu.

Mesmos discos chatos a gente se recorda de algo para falar depois, não foi o caso deste... Comecei ouvindo a “obra” com ouvidos de mercador “Bloom”, “Morning Mr. Magpie”,… e quando me dei conta já estava folheando uma revista ou lendo um texto qualquer na Internet . O reloginho do CD Player já indicava track 5. Pasmei.

- Como é que se passaram as quatro faixas anteriores (todas no volume 9) que eu havia pré-sintonizado ?

Entendi então que estava diante de um fenômeno novo. O não-disco. Explico: este “The Kings of Limbs” não deve ser encarado como um item da discografia do Radiohead mas um link sólido, um flyer, um convite para o verdadeiro trabalho da banda que são aqueles vídeos no youtube do Thom Yorke dançando. Sim meus amigos, a banda que perpetrou delicias como “The Bends” e “OK Computer” se transformou numa videocassetada do Faustão.




Abaixa, que isso aí não é rock’n’roll !

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