domingo, 31 de julho de 2011

DESVENTURAS DO ROCK PAULISTANO (Folha de S.Paulo, 28/10/1984)

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PEPE ESCOBAR
Tudo agora gira em torno do Rock in Rio. As gravadoras produzem volumosos press-books divulgando os feitos das estrelas que vão aterrissar nestes trópicos. A garotada voa atrás dos ingressos. Heavy por heavy, na Europa e EUA só se ouve heavy. Aqui no verão, a fritura de cabeças e corpos será em escala nunca vista.
Por acaso, no meio do caldeirão, teremos uma eleição (?) para presidente. No dia 16 de janeiro, algo terá mudado - ou não - e poucos irão saber. Porque no dia anterior , a TV só terá dado o incêndio de watts de AC/DC ou outra luminária heavy. A Globo vai cobrir o Rock in Rio com um esquema mais complexo do que utilizado nas Olimpíadas. No Rio e São Paulo, em diversos círculos ligados ou não à indústria da música, este é um assunto viral no momento. Muita gente está preocupada. Enquanto o circo pega fogo...
Os fatos continuam se avolumando. Não há nenhuma banda paulista incluída na programação do Rock in Rio. Será no mínimo ridículo - inclusive para os próprios grupos. Imaginem Kid Girimum e suas Lagartixas Amestradas abrindo um show para as Go-Go's. E Ivan Lins ? O que este cavalheiro está fazendo em um festival de rock ?
Problema básico: o rock paulista debate-se em guetos, e nele permanece. Seu espaço na mídia é limitado. Há boas possibilidades em ascensão, como o RPM e os Voluntários da Pátria. O RPM deveria ser contratado imediatamente por uma grande gravadora. Os Voluntários lançaram seu primeiro LP independente, e se passarem por cima de suas letras PT, vão longe. O Zero está com uma ótima fita gravada em estúdio. O resto é de lascar.
Esta semana, recebemos uma carta do vocalista do Zero, Guilherme Isnard, comentando o estado de coisas. Ele se refere à programação atual do Val Improviso, com vários grupos de rock paulista: "Quero denunciar a programação nesse pulgueiro que é o Val Improviso (neonazis ride again), que no final é uma armação para alimentar "algumas bocas", isso porque de onze ou doze grupos, sete são a maçonaria do rock, uma cooperativa (?) musical inter-grupos, que exclui novos instrumentistas que se inibem diante da presença dos egos multi-instrumentistas". A seguir Guilherme traça o mapa da máfia do rock paulistano, que qualifica de "genealogia dos neonazi", em homenagem ao cidadão Nazi, vocalista do Ira e também do Voluntários. Guilherme termina defendendo seu ponto de vista: "Não é recalque não, é só a indignação de ver os pseudo-colegas fechando a nova música nos mesmos e coligados", no final é o mesmo fascismo das danceterias, só que autofágico".
Adjetivos à parte, o raciocínio é correto. Gueto só serve para a Inglaterra, onde     há mercado - e locais de encontro - para todos. Aqui, não adianta algum grupinho tentar monopolizar a "vanguarda". Existe uma tendencia explorada pelos donos do mercado que precisa ser revertida.

O texto acima deixou indignadas algumas bandas de rock paulistanas (sic). E o caso se desdobrou, dois dias depois, na matéria abaixo…

ROCK PAULISTA GERA POLÊMICA E FUTURO DEBATE NA FOLHA (Folha de S.Paulo, 30/10/1984)
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Roqueiros revoltados invadem a redação e ameaçam o Pepe Escobar.
Da Reportagem local
Representantes de doze bandas de rock - entre elas "Garotas do Centro", "Voluntários da Pátria", "Ira", "Inocentes" e "Metrópolis" - estiveram na redação da "Folha", no final da tarde de ontem, com o objetivo de manifestar seu desagrado quanto aos artigos do jornalista Pepe Escobar na "Ilustrada". Motivados pelo texto "Desventuras do rock paulistano" (Ilustrada, 28.10.84), solicitaram uma discussão mais ampla da questão, com a presença do jornalista, suspensa, entretanto, devido à momentânea exaltação dos queixosos. Ânimo exaltado, o vocalista do "Ira", Marcos Valadão (o "Nazi"), tentou partir para a agressão física, contida pelos seus companheiros. Assim que começou o tumulto, agentes de segurança do jornal se aproximaram mas não foi necessária sua intervenção.
Os artistas sentem-se atingidos em sua profissão, considerando que Pepe Escobar "não se interessa em entrevistar e ver de perto o trabalho das bandas, escrevendo de "orelhada" e incitando fofocas no meio", conforme disse Miguel Barella, da "Voluntários da Pátria". Por isso, enquanto profissionais, "viemos em conjunto desautorizar o Pepe Escobar a escrever sobre elas. Não estamos contra a Folha e sim contra um crítico incompetente", sintetizou Marcus Mocef, produtor da Mundo Moderno, responsável pelo projeto (em andamento) de apresentação dos grupos no bar "Val Improviso".

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No calor da discussão Nazi tenta agredir o jornalista…
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… mas é contido pela turma do “deixa disso”


Convidados a colocarem suas reclamações com tranquilidade, um grupo de sete pessoas(das bandas "Mercenárias", "25 Segundos Depois", "Smack" e "Voluntários da Pátria", e do "Mundo Moderno) esclareceu que o descontentamento, quanto às críticas, vem da postura do jornalista: "Ele louva as bandas estrangeiras, independentes como nós, e impede que a semente brasileira cresça. Se Pepe é crítico de rock estrangeiro deve se limitar a isso; ou então vá conhecer o trabalho desenvolvido aqui para depois falar", disse Miguel. Segundo Neusa Vidolini, da "25 Segundos Depois", o jornal pode falar o que quiser, bem ou mal, "desde que se tenha conhecimento de causa. Senão o conjunto das pessoas enfocadas desautorizam o trabalho, mesmo que a Folha continue apoiando essa pessoa".
Ainda segundo esses representantes, Pepe agiu mal quando utilizou trechos da carta do vocalista do "Zero", Guilherme Isnard (onde discutia a mecânica de programação de rock na cidade) no texto publicado domingo último. "Ele quis incitar polêmica e fofoca no meio", disse Miguel. O crítico afirmou que simplesmente tomou parte do texto enviado à Folha para denunciar um "estado de coisas". Quanto ás denúncias afirmou já ter ouvido a maioria das bandas ao vivo, constatando que a maioria, musicalmente, é muito ruim.
"Já citei uma série de grupos que inclusive não vieram aqui: Magazine, Ultraje a Rigor, Zero, RPM, todos paulistas, em vários textos. Quando a produção é boa, sai publicado. O critério é óbvio. Mas se o trabalho é primitivo isso tem que ser levado a publico.
Esse episódio é lamentável: fruto da posição fechada de um grupo que não aceita crítica e parte para a agressão, ao invés de argumentar. Nos países civilizados, aimprensa não precisa andar armada para se defender dos criticados. Aqui, pelo visto ainda impera a dialética do faroeste'. Quanto à sugestão de que escrevesse apenas sobre rock inglês", disse que não exerce na "ilustrada" a função de crítico de rock brasileiro, e sim escreve sobre vários assuntos.
Atendendo à ansiedade dos músicos, a Folha se dispôs a organizar (em data a ser marcada nos próximos dias) um debate em seu auditório, ao qual compareceriam tanto representantes das bandas quanto críticos e especialistas convidados,público, e também o jornalista Pepe Escobar. O assunto deverá ser a produção musical do gênero, suas dificuldades e o papel da crítica.
Pepe acha essa decisão algo positiva: "Quero discutir a competência , e não a paranóia de membros dos grupos".

Agora entendi porque a banda se chamava “Ira”. Nervosinhos né ?
Dar porrada ? Isso diz volumes a cerca da produção musical brasileira da época. Tanta intolerância e desinformação gerou uma geração de criticos Mirandas que tentaram nos empurrar, alguns anos depois, bandas como Raimundos, Skank, Rappa e outras aberrações musicais. Mas eram canonizdos por “serem do bem” (sempre escorados num conceito nebuloso batizado de brodagem). Assim, de uma hora para outra acharam bacana esporrar na manivela, ver um bichano no chão e não sorrir e outras baboseiras. Graças aos céus o público, que não é bobo, optou pelo axé e o pagode. Farsa por farsa pelo menos estes eram mais divertidos.




Sempre gostei do Ira , ouvi seus discos e fui aos seus shows, mas não são mais aqueles... No fim o que resume com precisão o deplorável estado do pop-rock nacional é uma canção das Frenéticas:


Varrendo o mundo a ferro e a fogo
Como se tudo fosse apenas um jogo
Mas o que mais me dói, mas o que mais me dói
Você escolheu errado o seu super-herói”

NOBUCO SOGA

 

"Circos da periferia"

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sábado, 30 de julho de 2011

NO MORE HEROES # 14

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Em uma cena tão variada quanto o NWOBHM, haveria de ter lugar para todo o entulho e sujeira desprezados. Era assim com o Venom, queridinhos da Kerrang!, que alimentava apetites mais agressivos como satanismo militante e a seguinte filosofia: “Eles querem maldade ? Nós vamos dar mais maldade do que eles querem !”. O Venom, em débito com o Kiss, pela inspiração, e com o imperador romano Calígula, pelos “hábitos”, tocava uma combinação rápida e distorcida pelo puro prazer da velocidade, depois respingava um imaginário de ocultismo para espantar os críticos.


Back’n’Blue – Chains Around Heaven
Bitch – Live For The Whip
Malice – Captive Of Light
Avatar – Octave
Malice – Kick Your Down
Metallica – Hit The Lights
Sacred Blade – Alien
Death Dealer – Cross My Way
Trouble – Last Judgement
Spectre – Taken By Force
Zoetrope – Speed Zone
War Cry – Forbidden Evil
Abbatoir – Screams From The Grave
Witchslayer – I Don’t Want Die


no rádio:


baixe: http://www.divshare.com/download/14781077-a69
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A MODA EM 1972, PALAZZO PITTI, ITÁLIA

 

A narração, com a trilha sonora easy-listening, já é um desfile de bom gosto. As modelos me lembram as vendedoras da Avon. E isso é um elogio…

quarta-feira, 27 de julho de 2011

NO MORE HEROES # 13

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A difusão internacional da Kerrang! guiou levas de estrangeiros em direção à Inglaterra, cada um deles adicionando refinamentos individuais às fórmulas do NWOBHM. A banda alemã Accept tocava para o crescente mercado do metal, com uma abordagem derivativa que favorecia ritmos ligeiros e esmagadores. De modo parecido, a japonesa Loudness, as nova-iorquinas Riot e Manowar e a canadense Anvil desvelavam riffs mais densos e figurinos mais elegantes do que as dubiamente consideradas britânicas Split Beaver e Bitchies Sin. Ao mesmo tempo, os headbangers londrinos sentiam-se abandonados por um Def Leppard cada vez mais "americanizado" e iam em busca dos importados nas prateleiras.

(Ian Christe)

Def Leppard - Animal

Led Zeppelin - Over The Hills and Far Away

Megadeth - The Skull Beneath

Raven - Let It Rip

Scorpions - Hold Me Tight

Guns'n' Roses - Mama Kin

Ratt - Tell The World

Metallica - Escape

Salário Mínimo - Sob o Signo de Vênus

Hyskos - Kings

Accept - Love Child

Anthrax - Across The Run

Black Sabbath - Hard Road

Blitzkrieg - Hell Bent For Leather

no rádio:

baixe:http://www.divshare.com/download/14753765-247

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PEPTO-ZIL

 

Hypermarcas

Salicilato de bismuto monobásico

i j k

ISTO É QUE É SABER

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terça-feira, 26 de julho de 2011

NELINHO, 61

 

 Feliz aniversário velho craque !

Manuel Rezende de Mattos Cabral, mais conhecido como Nelinho.

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Começou no Bonsucesso, passando pelo FC Barreirense de Portugal e por América, Remo, e logo foi transferido para o Cruzeiro na década de 1970,onde ganhou a Taça Libertadores da América em 1976, seu título mais importante. Seu chute potente e com efeito o tornou o melhor lateral direito do mundo na sua época, e um dos melhores cobradores de falta da história do futebol do país.

Defendeu a Seleção Brasileira em duas Copas do Mundo sendo protagonista de um dos mais belos gols desse torneio: numa partida pelo terceiro lugar, disputada contra a Itália na Copa do Mundo de 1978. Defendeu o Atlético Mineiro, sendo um dos heróis do Hexacampeonato Mineiro conquistado pela equipe entre 1978 e 1983.

 

Em 1979, Nelinho foi desfiado a chutar a bola pra fora do Mineirão. Aceitou o desafio e conseguiu.

ARTE DA CAPA – MICHELLE WILLIAMS

 

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QUEM FIM LEVOU ?

 

Andrea True (Nashville, Tennessee, 26 de julho de 1943) é uma ex-atriz de filmes pornográficos norte-americana e que também foi uma cantora da "era disco". Em 1975 ela obteve um enorme sucesso como Andrea True Connection, com a música "More, More, More (How Do You Like it?)" escrita e produzida por Gregg Diamond. Em sua carreira usou os seguintes nomes: Inger Kissin, Singh Low e Singe Low.

Hoje ela completa 68 anos.

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Uma das músicas mais tocadas da década 70 ao lado de “Automatic Lover” da Dee D.Jackson

mais sobre ela aqui

AIRTO DE VOLTA (POR POUCO TEMPO) AO PAÍS DA BUROCRACIA (Jornal de Música, agosto de 1977)

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