Não creio ter conseguido superar isso. O certo é que no trimestre seguinte eu fui o 25º da classe. E creio que pelos dois anos seguintes eu fui o penúltimo. Finalmente cheguei à conclusão de que não tinha o que fazia falta para estar nesse mundo acadêmico que se estendia diante de mim. Coisa bastante típica minha, decidi que se não se podia ganhar, então, não ia jogar.
Eu era um menino caprichoso que não suportava perder no Monopólio, no Detetive, em qualquer coisa. Por isso decidi que não queria mais nada com a luta pela supremacia acadêmica ou qualquer coisa dessa natureza. Logo depois de ter sido expulso da escola com idade de 17 anos, eu vi meus horizontes se estreitarem rapidamente. O diretor que havia se encarregado de expulsar-me tinha convertido a questão, creio, em algo quase pessoal.
Ele tinha escrito para todos os colégios e escolas que ele pôde e lhes disse que sob circunstância alguma deveriam me aceitar como aluno, porque eu poderia ser uma influência corruptora sobre a moral dos outros estudantes. Creio que em certo ponto da carta se referiu a mim como um “sociopata”, coisa que me parece um pouco severa. O mesmo ocorreu com os empregos. Qualquer emprego ao qual estivesse concorrendo implicava que iria necessitar uma referência da escola. E essas referências que eu tinha da escola eram mais ou menos como as antípodas das referências.
Deste modo, os únicos trabalhos que podia conseguir eram aqueles aos quais não importavam a quem eles contratavam.
(continua)
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