sábado, 28 de janeiro de 2012

NO DIVÃ COM ALAN MOORE # 7

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Entrei no ritmo da minha carreira de escritor no começo dos anos 80, um período muito sobrecarregado politicamente. A maior parte do mundo livre assistia horrorizada a ascensão inexorável da fodida coalizão amistosa direitista Reagan-Thatcher. Era a ascensão da Frente Nacional e mais e mais coisas que se viam eram bastante tristes. Decidi que, se queria escrever sobre este triste presente, a melhor maneira de fazê-lo era na forma de uma história ambientada no futuro, coisa que não é um recurso novo.
A maioria da ficção científica distópica não trata realmente do futuro, e sim dos tempos nas quais elas foram escritas. E o rótulo que fiz para V de Vingança não foi exceção. Ela se ambientava no que aquela época parecia ser um inalcançável período no futuro, como era 1997… e na qual a Grã-Bretanha tinha sido dominada por uma coalizão de grupos fascistas e com um aventureiro anarquista muito romântico que se opõe contra eles. Para comunicar a idéia de fascismo eu necessitava de algum símbolo que pudesse convencer os leitores que estavam diante de um Estado fascista policial.
A coisa que eu descobri e inseri foi a idéia de câmeras de segurança instaladas sobre cada esquina e vigiando todos os movimentos. Eu imaginei que isso realmente se parecia com o fascismo em ação e os leitores estavam igualmente impressionados, e aparentemente também estavam as figuras do governo, que devem ter lido aquilo na época e que decidiram que aquelas câmeras de segurança e cada esquina da metrópole eram justamente o que precisávamos para o final dos anos 90.
(continua)

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