domingo, 30 de setembro de 2012

A LENDA VIVE (Bizz nº24, Julho de 1987)


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              Rolling Stone (Milão) 07/04/87
                      PEPE ESCOBAR    
Um menininho malvado, indisciplinado, mesquinho, um poço de vício e, ainda por cima, perseguido pela tragédia. E o juízo de uma certa sr. Lewis  -quarentona hoje estabelecida em Atlanta, Geórgia - a respeito do sr. Lewis. Ela deve saber do que está falando. Ela é a "mulher do escândalo", a terceira das seis esposas do sr. Lewis. E ele, ah, ele é nada mais, nada menos do que o killer, o próprio, o verdadeiro, único e insubstituível rebelde sem causa: Mr. Jerry Lee Lewis.    A vida do killer daria uma imbatível superprodução na linha "Uma Tragédia Americana". Poderia abrir na mitológica Memphis, Tennessee, com Jerryzinho batendo na porta da não menos mitológica Sun Records. 56: o furacão Elvis já foi para a RCA e Jerryzinho se torna na prática o seu sucessor na Sun. Cuidado com ele: ele é o killer, o agressor de pianos, o coiote furioso do boogie-woogie e do rock´n´roll. E quando em 57 estoura aquele cult dos cults "Come on over baby. whole lotta shakin´  goin´on..."...
    O resto é história e tragédia. No auge da glória, aos 22, o killer casa com a priminha, uma Lolita de 13 aninhos. Fatal transgressão. O sistema faz de tudo para destruir o herético. Mas o killer sobrevive - e sobreviveu,todos esses anos, mas a que preço...
    Um filho morreu em um acidente de carro, outro afogado. Uma mulher morreu na piscina, outra de overdose. O killer levou a lenda ao pé da letra e matou um baixista de sua banda - por engano... Viveu anos bêbado e drogado. Direto. Em 81, quase morreu de úlcera perfurada. Mas um killer de elite jamais se entrega.
    Emoção do cacete, ver aquele cinqüentão com cara de brabo entrar no palco de uma espelhada disco milanesa, para reverência de casais rockabilly, senhores calvos de terno recém-saídos da Bolsa, senhoras profissionais de sucesso - um público de verdadeiros filhos do rock´n´roll (leitores, onde vocês estavam em 57?)... Bota preta, jeans, casaco de couro, camisa branca depois arregaçada: o killer ainda é o Monarca Rockabilly. Atrás, uma banda que parecia diretamente saída de Nashville.
    Sabe lá a profana família o que vai pela cabeça do killer. Turbilhões profundos, negros, the dark side ai a thousand moons... É um concerto, no mínimo, extremamente irregular. Ele chuta o monitor, entra em um boogie, muda de idéia e vai para um country, a banda tenta segui-lo sem sucesso, ele sola e pára,levanta, muda de idéia, volta e maltrata o piano, reclama do som - está mesmo abafado - . Quando entra em " High School Confidential", é um tumulto: a moçada endoidece e parece que tudo vai explodir. Mas Jerry engata com uma versão de "Over the Rainbow" com violino lacrimoso e clima de arrasta-pé domingueiro no Alabama... O country chega a ser impecável - como uma versão de "This Heart of Mine" - mas todo mundo urra as tripas por rock´n´roll. Não adianta: a raiz do killer é country, foi o country que o salvou das trevas, é country que ele tem tocado nos últimos anos. Rock´n´roll é uma concessão outorgada pelo mito.
    Não teve "Breathless". Mas teve "Great Balls of Fire". E, no final, guardada como um tesouro, o killer malvado pronunciou as palavras mágicas e abriu sua caixa de Pandora - diamantes e sêmen: "Come on over, baby..." Hecatombe. Aquele raio que Zeus manda lá das suas reinações olímpicas e comanda: Que o êxtase esteja convosco, humanos!" (voz irônico-tonitroante). O killer, possesso levanta-se, toca de pé, toca com a bunda, bate na madeira maso do Steínway de cauda, fecha o punho e empurra o braço para a frente e para trás, queima energia, suas duas backing vocais entram em um "shake baby, shake" de tremer tumba... e o lendário killer sai de cena, com o casaco de couro nas costas, como o último Cassius Clay do rockn´roll...

Grandes bolas de fogo !

 

Sexy Celina jaitley boobs

SHOWGIRLS # 25

 

Glamour Photography, French Art e Beautiful

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DOCTOR MORTIS (Vampus nº 68, 1973)

 

Garbo Editorial

Luz 064

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

TRANSFORMANDO VELHAS CAIXAS DE PAPEL EM UM LUGAR CHAMADO ZINETECA (2ADFZPA, abril de 2012)


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O primeiro arquivo particular
de zines que vi foi o
do Weaver Lima, que apareceu
num ensaio da minha banda,
em 1996, com uma pilha deles.
Essa pilha morou umas semanas
dentro de uma gaveta vazia
no meio da sala onde ensaiávamos,
no apartamento desocupado do meu avô. Weaver fazia
parte dos Seres Urbanos (com o Lupin, Marcílio, Michel,
Galba e Elvis) e mantinha correspondência com zineiros de
todo o Brasil. Foi nessa época que li/vi zines do Bruno
Privatti, Mini Bittercourt, Leonardo Panço, Joacy James,
Alberto Monteiro, Law Tissot, entre muitos outros.
     Comecei minha coleção com meus próprios zines a partir de
então, depois com os zines coletivos das oficinas e com os zines
que começaram a pipocar loucamente a cada Zine-se (dá pra saber mais sobre esse evento em outra página do Anuário, acho!). Daí, escrevendo o Esputinique, zine-catálogo, montei um esquema de correios que quadruplicou o acervo.
     Logo estava ganhando acervos alheios. Gente que cresce, se muda, viaja, muda de interesse... ou não. Quando alguém doa uma caixa de zines, sublinha a importância do acervo, diz: “Mesmo que não precise mais estar comigo, que esteja num lugar bacana”. E a idéia que se tem desse lugar bacana geralmente se inicia com a imagem de alguém, com um nome.

     Fulano gosta tanto de zine, fulano guardará bem, e vai evoluindo para fulano pode fazer algo com isso, fulano pode redistribuir, fulano pode mostrar pra mais gente, fulano pode usar em oficinas. Mas aí pode não ser mais apenas o barato de um fulano. Abrir um acervo ou um conjunto de acervos de zines é criar outra coisa:
uma zineteca. Trata-se de criar e executar política pública, seja
isto feito dentro de um governo ou não. Talvez exista uma parte íntima de todos nós que transborde nos zines e que seja, de algum modo COMUM. Não no sentido de ordinário, sem importância, pelo contrário, trata-se de algo tão essencial em todas essas vidas – pedaços de vidas – gravados em páginas de zine que por isso mesmo é valioso: por ser comum a todos nós.
     Para quem vive o universo dos zines com intensidade – seja
como leitor ou autor ou os dois – estar frente a um arquivo particular de zines é um deleite. Lembro quando, em 2002, busquei na casa do George Frizzo (então músico da Insanity e editor do zine Consumatum Est) uma caixona de zines. Mal podia esperar para chegar em casa e abrir, ia espiando entre sinais vermelhos. Depois essa caixa morou ao lado da minha cama enquanto escrevia o zine Esputinique, sentindo um calor
no peito e uma energia incrível por dormir ao lado de
tanta gente-em-versão-papel.
     Lia tudo e espirrava, e fazia conexões
entre autores, cidades, cenas, temas, etc. Tive insights
incríveis e o sentimento de fazer parte de uma grande rede
invisível se fortalecia a cada sessão de leitura.
Pois agora multiplique essas sensações e vamos adentrar
uma zineteca. Visitei algumas:
Fanzinothéque de Poitiers, na França e duas inglesas, a
56a Infoshop, e a Woman´s Library. Puxa, há vida/obra
além, mas não só, há vidas/ obras entrecruzadas e dispostas
de forma organizada para quem mais quiser chegar e descobrir/ ler de pertinho. E tem mais: tem gente que se dedica a tornar tudo isso possível. É incrível!
     Desde 2004 pensamos a criação da Zineteca de Fortaleza, processo coletivo que do ano passado pra cá está deslanchando, ainda mais depois do seminário “Cabeças de Papel 3”, quando conseguimos juntar 30 pessoas durante um sábado inteiro pensando formas possíveis de estruturar, manter, financiar, organizar, abrir ao público, articular ações... para esse lugar que será de leitura, produção, pesquisa, encontro, re-encontro, estalos e luzes acendendo pelo lado de dentro da cabeça de quem entra.
     Carolina Ruoso, cearense agora morando na França, enquanto termina o doutorado em História da Arte, às vésperas do seminário “Cabeças de Papel 3” nos presenteou com um texto em que reflete sobre zines como patrimônio material e imaterial. Ela questiona o que faz os zineiros (ou ex-zineiros) montarem zinetecas, abrirem seus arquivos ou mesmo mantêlos em suas casas, naquelas famosas caixas de resmas ou de sapatos. Seria o medo do esquecimento?
Saudosismo? Não, mas para viver juntos outro tipo de experiência com zines e nossas identidades, completo eu, tão mutantes quanto eles.
     Zines como patrimônio de fronteira, já que não são apenas objetos, mas sim uma prática. Uma experiência. Sim, estamos entrando numa parte da história também tão divertida quanto chamar amigos pra fazer um zine, que é chamar para inventar uma zineteca.

Fernanda Meireles é zineira desde 96, agora estuda a correspondência entre zineiros no mestrado em Comunicação Social pela UFC e planeja a Zineteca de Fortaleza
com um grupo de ninjas – que às vezes se denomina ONG ZINCO – Centro de Estudo
Pesquisa e Produção em Mídia Alternativa.

SHOWGIRLS # 24

 

Screen Art Studies, Art Group Quarterly e Artists’ Notebook

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REPASO

 

Bugia (1958)

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TBO Extraordinario del Oeste

PINTURAS FEITAS POR ELEFANTE SÃO LEILOADAS EM LONDRES (Folha Online 21/09/2012)


Um elefante asiático do zoológico Whipsnade Zoo, perto de Londres, vem impressionando visitantes e tratadores com suas pinturas.
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Em um estilo que poderia ser considerado abstrato, Karishma usa sua tromba para pincelar linhas e pontos sobre telas.
Vários trabalhos da elefanta serão leiloados para um organização beneficente no sábado e no domingo, durante o chamado Fim de Semana de Apreciação dos Elefantes.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

BOING BOOM TSCHAK # 49


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A prática de vender trilhas sonoras de vídeo-games separadamente do vídeo-game em si aparentemente teve início no Japão. Discos com novas versões, remixes e performances ao vivo também eram variações comuns das trilhas originais. Koichi Sugiyama foi uma das primeiras pessoas nesses sub-genêros, e logo após o lançamento de Dragon Quest em 1986, foi lançado um CD com uma performance ao vivo de suas composições executadas pela Orquestra Filarmônica de Londres (e, posteriormente, por outras orquestras, como a Orquestra Filarmônica de Tóquio e a NHK Symphony). Outro pioneiro, Yuzo Koshiro, lançou uma performance ao vivo da sua trilha para ActRaiser. As contribuições de Koshiro em parceira com Mieko Ishikawa para a música de Ys tiveram tanto impacto que foi a trilha sonora de vídeo-game que mais teve discos lançados. Como as trilhas sonoras de animes, esses discos e até livros de partituras costumavam ser vendidos exclusivamente no Japão. Portanto, jogadores de outros países com interesse pelas músicas tinham que importar os produtos com empresas especializadas. Somente no final da década de 90 que alguns títulos (apenas os mais populares) começaram a ser lançados em outros países, como Estados Unidos e Inglaterra. quintron_drum_buddy_analog_synth_drum_machine_vintageOutros compositores de temas marcantes deste período organizaram performances sinfônicas para exibirem seus trabalhos para games. Koichi Sugiyama organizou em 1987 o "Family Classic Concert" e continou a se apresentar quase anualmente. Em 1991 ele também organizou uma série de concertos chamado "Orchestral Game Concerts", notável por apresentar outros compositores talentosos de música de vídeo-games, como Yoko Kanno (Nobunga's Ambition, Romance of the 3 Kingdoms, Uncharted Waters), Nobuo Uematsu (Final Fantasy), Keich Suzuki (Earthbound) e Kentaro Haneda (Wizardry). Ele até chegou a compôr um balé em 1995 para Dragon Quest. A popularidade mundial da VGmusic explodiu junto com o sucesso dos jogos da Squaresoft, particularmente com Chrono Trigger, Final Fantasy VI e Final Fantasy VII. Composições de Nobuo Uematsu para Final Fantasy IV foram arranjadas para Final Fantasy IV: Celtic Moon, uma performance ao vivo por músicos de corda com uma grande influência de música celta, gravada na Irlanda. O Love Theme deste mesmo jogo têm sido usado como uma peça instrucional de música em escolas japonesas.


Steve Reich – During The War
Karlheinz Stockhausen – Takt 121-131
Synergy – Iargo New World Symphony
Tangerine Dream – Genesis
Teddy Lasry – Galactic Patrol
The Fantastic Pikes – Popcorn
The Moog Machine – Hey Jude
The Synthetiser Sound Machine – Boccherini’s Minuet
Thomas Dolby – She Blinded Me With Science
Tony Carey – Space Invader
Vangelis – Blade Runner Theme
Zapp – More Bounce To The Ounce
Zigmars Liepins – Dance 85
Zodiac – Zodiac
no rádio:

baixe: MP3

ALTO ASTRAL

 

Editora Abril

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