terça-feira, 30 de outubro de 2012

BOING BOOM TSCHAK # 54

 
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Assim como muitos classificam o death metal, por exemplo, como um dos estilos mais pesados e barulhentos do rock, o industrial seria a "mesma coisa" entre os diversos estilos da música eletrônica. Tanto que não é coincidência muitos fazerem uma "junção" destes dois estilos (o chamado metal industrial, de maneira mais genérica). É o caso de bandas como Nine Inch Nails, Ministry, Rammstein e Marilyn Manson. O industrial é a música eletrônica intensa e por vezes pesada, cheia de ruídos e barulhos inesperados. Trata-se de um gênero musical que prima um conceito de independência e experimentalismo, com o uso de fontes não-musicais, como sintetizadores e guitarras distorcidas, timbres metálicos, ruídos plásticos, sons de sucatas, de correntes, vidros se quebrando, entre outros sons tirados de instrumentos "não-convencionais". É normal usar também colagens e experimentações com sintetizadores primitivos, fitas magnéticas e rádio para produzir música eletrônica, que freqüentemente continua sons e estruturas abstratas. Tudo isso como modo de representação do fascínio pelas qualidades hipnóticas e "mágicas" da própria estrutura do som.
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A ligação cultural com a música é essencialmente underground e vanguardista. Muitas vezes são valorizados elementos artísticos abstratos, dadaístas e surreais, além de uma mentalidade contracultural. Os envolvidos na cultura industrial sempre professaram interesse nos aspectos "reprimidos" da cultura, muitas vezes fazendo críticas ou apelações indiretas. Portanto, geralmente a cena da música industrial é relacionada com movimentos de "contra-cultura". O interesse por temas lúgubres como magia negra, serial killers e sexualidade "desviante" é bem explicado por Stephen "Mal" Mallinder, do Cabaret Voltaire: "O que a sociedade rejeita é o que ela mais ama". Porém muitas vezes temas recorrentes nas músicas como a tecnologia voltada para a guerra, miséria, atrocidades, e mensagens nazistas, que muitas vezes (porém nem sempre) são uma espécie de sátira, já que os envolvidos na cena industrial costumam ser contra estes tipos de repressões, além de ser um modo de demonstrar o modo negativo que a tecnologia está sendo utilizada. Resumindo, a música pesada, agressiva, extremamente artificial e mecânica é apenas um reflexo, uma crítica contra aquilo que a sociedade está se transformando, além de ser também uma representação artistica de toda a depressão, medo e angústia que isso está causando nas pessoas. Alguns cultos e seitas também formam parte da temática de alguns grupos de música industrial. O álbum Children of God (1987), do The Swans é dedicado a um culto hippie do mesmo nome, que misturava religiosidade à sexualidade. Já o The Process (1996), do Skinny Puppy, é um álbum conceitual sobre o Process Church of the Final Judgement, um culto baseado na cientologia e na psicologia individual de Alfred Adler. O Process Church pregava a união dos opostos: Jesus Cristo e Lúcifer, bem e mal. O culto foi de mal à pior quando conectado com a "Família Manson" (liderada pelo infame Charles Manson) e ao psicopata David Berkowitz, conhecido na imprensa americana como "Son of Sam" .
Bruce Haack – Program Me
Alice Shields – The Transformation Of Ani
Cabaret Voltaire – Landslide
Carlos Futura – Bacchanal preludium 20 – Übungen Für Afänger
Claude Denjean – Theme From Godfather
Eloy – The Sun Song
Gordon Mumma – Live Performance 1
Greenslade – Animal Farm
Heinz Funk – Menuett
Jean-Jacques Perrey & Gershon Kingsley – Carousel Of Planets
Joe Thomas – Oracabessa
John Keating – Stereoskopia
Killer Watts – Telstar
Kraftwerk – Neon Lights
no rádio:

baixe: MP3

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PAPAGAIO DISTRAIDO (Zé Carioca nº 563 (1962)

 

Editora Abril

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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

RC


“Volto ao meu apartamento e contemplo dois diplomas que me fazem imensamente feliz: Cidadão Honorário de São Paulo e Cidadão Honorário do Rio de Janeiro. Quem me deu o primeiro foi o prefeito Faria Lima. O segundo, o deputado Nina Ribeiro. Sinto-me verdadeiramente envaidecido por ter sido agraciado com esses dois títulos e tudo farei para corresponder à confiança e ao carinho em mim depositados.”
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O JUIZ LADRÃO (Manchete Esportiva, 31/12/1955)


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NELSON RODRIGUES
     De vez em quando, eu esbarro num saudosista. É um sujeito
esplêndido, que vive enfiado no passado. Direi mais: — vive feliz e
realizado no passado como um peixinho num aquário de sala de
visitas. E convenhamos que isto é bonito, é lindo. Outro dia, um
deles atracou-se comigo no meio da rua; arrastou-me para o fundo
de um café, e, lá, com o olho rútilo e o lábio trêmulo, pôs-se a falar
de Marcos de Mendonça, o “Fitinha Roxa”; da “espanhola”; do
assassinato de Pinheiro Machado e do campeonato que o Botafogo
tirou em 1910. Mas, nos vinte minutos da conversa retrospectiva, já
lhe pendia do beiço uma grossa, uma espuma bovina, uma baba
elástica. De mim para mim, compreendi essa nostalgia, louvei essa
fidelidade ao passado. Amigos, eis uma verdade eterna:
— o passado sempre tem razão.
     Por exemplo:
— o futebol antigo. Era, a meu ver, um fenômeno
vital muito mais rico, complexo e intrincado. Hoje, os jogadores, os
juizes e os bandeirinhas se parecem entre si como soldadinhos de
chumbo. Não encontramos, em ninguém, uma dessemelhança forte,
crespa e taxativa. Não há um craque, um árbitro ou um bandeirinha
que se imponha como um símbolo humano definitivo. Outrora havia
o “juiz ladrão”. E hoje? Hoje, os juizes são de uma chata, monótona e
alvar honestidade. Abrahão Lincoln não seria mais íntegro do que
Mário Vianna. E vamos e venhamos: — a virtude pode ser muito
bonita, mas exala um tédio homicida e, além disso, causa as úlceras
imortais. Não acredito em honestidade sem acidez, sem dieta e sem
úlcera.

     Mas ponha-se um árbitro insubornável diante de um vigarista.
E verificaremos isto: — falta ao virtuoso a feérica, a irisada, a
multicolorida variedade do vigarista. O profissionalismo torna
inexeqüível o juiz ladrão. E é pena. Porque seu desaparecimento é
um desfalque lírico, um desfalque dramático para os jogos modernos.
Vejam vocês que coisa melancólica e deprimente: — um jogo de
futebol tem 22 homens. Com o juiz e os bandeirinhas, 25.
     Acrescentem-se os gandulas e já teremos um total de 29. Vinte e
nove homens e nem um único e escasso canalha, nem um único e
escasso vigarista! Eis a verdade, que levaria um Balzac ao desespero
e à úlcera: — as condições do futebol contemporâneo tornam
impraticável a existência do canalha. Ou por outra: — o canalha
pode existir, mas contido, frustrado, inédito, sem função e sem
destino.
     Mas em 1918, 17 ou 16, os gatunos constituíam uma briosa
fauna, uma luxuriante flora. Evidentemente, havia as exceções. Mas
os salafrários podiam apitar as partidas e com que glorioso, com que
genial descaro! Certa vez, foi até interessante: — existia um juiz que
era um canalha em estado de pureza, de graça, de autenticidade. Um
domingo, ele vai apitar um jogo decisivo. Que fazem os adversários?
     Tentam suborná-lo. Ora, o canalha é sempre um cordial, um ameno,
um amorável. E o homem optou pela solução mais equânime: —
levou bola dos dois lados. Justiça se lhe faça: — roubou da maneira
mais desenfreada e imparcial os dois quadros. Ao soar o apito final,
os 22 jogadores partiram para cima do ladrão. Mas o gângster já se
antecipara, já estava pulando muros e galinheiros. Era uma
figurinha elástica, acrobática e alada. Isto foi em 1917.

     O juiz gatuno está correndo até hoje.

 

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GUARANÁ BRAHMA

 

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FRANGÃO

 

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