quinta-feira, 30 de maio de 2013

OS POLINÉSIOS (O Judoka nº32, novembro de 1971)

 

Ebal

O Judoka 32 - 34

4 ASES E 1 CURINGA – STRAWBERRY FIELDS FOREVER


003
(Des)ocupem. Tocha te faz contundido,
entre o nada do seu bolso.
BEE GEES THE HOLLYRIDGE STRINGS THE BEATLES KAREN SOUZA & LOS PANCHOS PETER GABRIEL

MP3

CLOUDBERRY 40 nº1

 

Miami (USA)

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ARTE DA CAPA – ALEKTRA BLUE

 

GENESIS200612 PENTLET201002 ADAMSTARS200807 CHERI200907 GOPENT200811 PENT200804 STAG200907

A GATINHA nº3 (editora Edrel)

 

197?

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DRAW AND DANGEROUS – ITALIAN COMICS (11)

 

University of Mississippi (2010)

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domingo, 26 de maio de 2013

FELA KUTI (Bizz nº43,Fevereiro de 1989)


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PEPE ESCOBAR
Orfeo (Milão) 16/11/88

Toda sexta-feira, Fela Anikuiapo Kuti toca no Jazz 38. Em Lagos, Nigéria. Em outubro de 88, completou 50 anos. No meio do show comemorativo, mandou um recado para as antenas parabólicas do mundo: "Ainda não estou velho. Ainda faço amor". Encarcerado por um bárbaro regime militar, solto pelo general Babangida - que comanda o subseqüente e atual regime militar -, Fela também anunciou que não vai participar das eleições de 1992, quando os nigerianos vão escolher entre os militares e os civis. Obstinado, agressivo, aventureiro, um definitivo hit entre o sexo feminino, Fela é o escorpião na bota do regime militar nigeriano: Não vou votar. Estarei em outro lugar e vou lançar minhas bombas musicais para informar ao mundo de que gênero de classe política somos escravos Suas ameaças ao regime são contínuas: "Haverá uma revolta, pacífica ou violenta, se as coisas não mudarem rapidamente".
    A Europa é a tribuna privilegiada para as bombas musicais de Feia. Uma performance de Fela é um verdadeiro evento. Começa quando ele quer. E só termina se existe um horário rígido a respeitar (sempre, no que tange a Italietta pequeno-burguesa). Já a chegada de sua tribo a um show como esse é um espetáculo à parte. Estavam em quatro hotéis diferentes. Uns se perderam pelas ruas da cidade. Outros foram para um bar. Outros foram a uma pizzaria. Outros ficaram passeando com rumo incerto. De vez em quando, aparecia um no teatro, com seus instrumentos. Mas Fela - o Black President nigeriano - não: chegou uma hora antes do início programado, para dar o exemplo. A tribo não é muito obediente ao Black President. São ao menos 50, entre músicos e acompanhantes. Homens, mulheres e crianças em número decrescente. Pelo menos, 40 acabam no palco: 20 da banda (incluindo 5 saxofones, um mega-sax 4 trompetes, 5 hacking vocals e 7 dançarinas) e alguns extras, Todos têm estampado no peito o mapa da África.

43b
 Um ritual hipnóticoFela conduz à liberdade total, ao som de ritmo e feeling em estado puro. Uma composição arquetípica de Feia é um tormento repetitivo que induz qualquer mortal a um estado de zumbi malemolente. Fela assume a figura do sacerdote xamã que canta falando e fala cantando - enquanto a megassessão de metais ataca riffs flamejantes, coristas bailam com os traseiros em velocidade estratosférica e a seiva percussiva engendra um bordei do qual ninguém se subtrai. O ritmo é implacável. A anarquia é generalizada. Fela - como uma águia - dirige essa macumba com carisma imaculado, passeando de um lado a outro do palco, fumando um cigano atrás do outro, aceso pelos seus adeptos no backstage. De vez em quando, ataca riffs ao piano.
    Depois de uma hora, qualquer espectador dessa demência transporta-se para o coração das trevas africanas. Aos mais sintonizados, baixa o santo com todo o seu esplendor. A musica aflora com irregularidade. Quando assume densidade, revela todo o seu fascínio. Tivemos "apenas" três músicas - na verdade três jams intermináveis de mais de 40 minutos cada, unia das quais o clássico "U.S.", que na cosmologia de Fela significa "Underground System", e não "United States´´. A orgia de kitsch, primitivismo, ritmo e vitalidade absolutamente demencial não oblitera as mensagens essenciais. Fela avisa: ´Não vamos deixar que os ingleses nos colonizem novamente´´. Reafirma aos italianos que seu objetivo é uma África Unida. Saúdam a platéia com os dois braços para o alto e os punhos fechados. E, sob a fornalha do ritmo, a rumorosa e indisciplinada tribo do Black President encadeia o eterno retomo de uma idéia-chama: um prazer polimorfo como arma de conscientização política.

Tambores africanos conquistando o mundo.

CHARUTO

 

Guiaebal.com

Meu Quadrinho - 1978

ZIRALDO

 

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AIRTO DE VOLTA (POR POUCO TEMPO) AO PAÍS DA BUROCRACIA (Jornal de Música, agosto de 1977)

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