domingo, 28 de julho de 2013

ARTE DA CAPA – PAPA FRANCISCO

 

Volte sempre.

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FUROR ADOLESCENTE (Bizz nº25, Agosto de 1987)


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    Stadio San Siro (Milão) 05/06/87
             PEPE ESCOBAR    
     Duran Duran, nos anos 80, recolocou o pop de rua em seu lugar de direito. Ou seja, na boca, nas capas das revistas com acne e nos desmaios de um público adolescente internacional do sexo feminino. Duran é a versão "matéria de que são feitos os sonhos" para aquela garotinha arquetípica meio suburbana, sonhando foto novelisticamente com o seu príncipe yuppie de Porsche e ações na Bolsa. Duran começou new romantic. No meio da década já estava um pouquinho mais hard. Em 87 - sign of the times - é uma banda de funk branco. No processo, a lagarta Duran - que carregava cinco - virou uma borboleta, onde só há lugar para três no spotlight. O bonito moreno - John Taylor, o bonito louro -Simon "Bomboniere" e o bonito com eterna cara de modelito, seja ruivo, loiro, ou "sombras" (será que Nick Rhodes articula uma palavra?).
    Há anos que Duran só excursiona em estádios. Nada menor - em qualquer cidade - contém o furor uterino adolescente incorporado. Lá fui eu para San Siro - em mais um estágio da caravana Duran 87, sob a sigla Strange Behaviour Tour - sabendo o script decor. Não deu outra. Mas, na Itália, as coisas são sempre mais folclóricas. Só na enfermaria principal foram registrados 200 desmaios. Lá fora, os pais, impacientes, ficavam comendo panini e tomando birra. Lá dentro, as ragazzi agitavam faixas, cartazes, posters de revista, lencinhos, gritavam como medusinhas histéricas, em um espetáculo audiovisual muito mais excitante do que a própria banda. Sim, banda, porque finalmente - fase "Notorius" - Duran Duran arrumou para a sua fábrica de imprimir dinheiro um set de músicos capazes de desenvolver um som aceitável.
    É o efeito funk-remix-hip-hop-12-polegadas, parido em estúdio por produtores brancos encharcados de todos os crossovers inventados por músicos, produtores e rapistas negros desde "Planet Rock", de Afrika Bambaataa. Duran tem tudo que os dólares podem comprar: um baterista de estúdio de LA, um guitarrista heavy-metalizante distorcido, uma sessão de metais funkizada - com destaque para o mini-Miles do trompete, aquele que dá o solinho em "Skin Trade" -, uma backing vocal negra (dublê da Sra. Turner), e eles três, Duran. Nada a acrescentar quanto à competência da banda. E os Duran?
    Nick Rhodes passa quase todo o tempo invisível. Ouvimos os tchééénk da sua cavalgada sintetizada, mas é só - acordinhos de efeito. Já John Taylor é quem segura a estrutura, com seus padrões de baixo em eterno retorno. 90% do material de Duran segue a mesmíssima estrutura - e ela é de John Taylor, de "Union of the Snake" a "Skin Trade". Só muda o andamento. Quanto a Simon "Bomboniere", pula e baila com a graça de uma foca entendiada. Ele é igual ou mais comum - do que qualquer um do metrô londrino. Mas nasceu com o bumbum branquinho para a lua, e o resto é história. E desmaios. Suas roupinhas não se qualificam nem para museu de country music em Nashville.

duran.jpg  Insomma, como dizem os italianos, tem de tudo para (quase) todos. Funkização controlada para os boys ("boys keep swinging", já advertia Bowie em 81, quando Duran começou a brilhar). Pulinhos de "Bomboniere" e carinhas de Taylor para as girls. De "A View Kill" a "Planet Earth", de "Notorius" a "Save a Prayer" (com os milhares de isqueirinhos à luz da lua). Tem até uma seção "política", com "Bomboniere" discursando sobre as virtudes da liberdade democrática entre "Meet El Presidente" e "Election Day". Não importa. Pelo menos para as adolescentes em fúria. No futuro, Duran Duran será lembrado - como o videoclip e o computador doméstico - na sua adequada condição de uma das grande success stories de um medíocre fim de milênio.
Avôs do Justin Bieber…

EL MÁS RÁPIDO

 

Bugia (1958)

TBO Extra Oeste 1-36

TBO Extraordinario del Oeste

THE BEES

 

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