terça-feira, 27 de maio de 2014

LOUDNESS – THE BIRTHDAY EVE/DEVIL SOLDIER – PERFEIÇÃO SÔNICA (Rock Brigade nº14, março de 1984)


DOC013.PDF-page-001
DOC015.PDF-page-001
DOC015.PDF-page-001
Pauleira made in Japan.

OS NOVOS PROFESSORES (Visões de Robô, Editora Record)

 

downloadccc

    ISAAC ASIMOV

A porcentagem de velhos no mundo está aumentando e a de jovens está
diminuindo. Esta tendência persistirá enquanto a taxa de natalidade continuar a cair
e a medicina continuar a contribuir para o aumento da expectativa de vida.
Para manter as pessoas idosas em boa saúde física e mental e evitar que se
tornem um peso morto para os jovens, tenho recomendado freqüentemente que
nosso sistema educacional seja remodelado e a educação passe a ser considerada uma atividade para a vida inteira.
Como, porém, isso pode ser feito? Onde vamos conseguir os professores?
Quem foi que disse que todos os professores precisam ser feitos de carne e
osso?
Suponhamos que, no próximo século, os satélites de comunicações se
tornem mais numerosos e sofisticados que os colocados em órbita até agora.
Suponhamos que, em lugar de ondas de rádio, passemos a usar ondas luminosas, o
que aumentaria enormemente nossa capacidade de comunicações.
Nessas circunstâncias, haveria espaço para milhões de canais independentes
de voz e imagem; não é difícil imaginar que todos os habitantes da Terra pudessem
ter direito a um canal exclusivo de televisão.
Cada pessoa (criança, adulto ou idoso) teria uma linha particular à qual seria
ligada, durante certos períodos de tempo, uma máquina pessoal de ensinar. Seria
uma máquina de ensinar muito mais versátil e interativa do que as conhecemos hoje
em dia, pois a tecnologia dos computadores também já estaria muito mais
avançada.
Podemos ter razoável confiança em que a máquina de ensinar seria
suficientemente sofisticada para poder modificar seu programa (isto é, “aprender”)
de acordo com as respostas do estudante.
Em outras palavras, o estudante faria perguntas, responderia a perguntas,
daria opiniões, e com base em tudo isso a máquina o ficaria conhecendo
suficientemente bem para ajustar a rapidez e profundidade do curso e, melhor
ainda, destacar os pontos a respeito dos quais o estudante se mostrasse mais
interessado.
Para ser uma máquina pessoal, porém, essa máquina de ensinar não poderia
ser muito grande. Talvez lembrasse um receptor de televisão em tamanho e
aparência. Um objeto de dimensões tão reduzidas poderia conter informações
suficientes para ensinar aos estudantes tudo que quisessem saber a respeito de
qualquer assunto para o qual a curiosidade os atraísse? Não, se a máquina de
ensinar estivesse isolada do resto do mundo. Quem foi que disse, porém, que ela
estaria isolada?
Em qualquer civilização em que a ciência da computação tivesse avançado a
ponto de tornar possíveis as máquinas de ensinar, certamente haveria bibliotecas
centrais totalmente computadorizadas. As próprias bibliotecas poderiam estar
ligadas a uma única biblioteca planetária.
Todas as máquinas de ensinar teriam acesso a esta biblioteca planetária e
portanto poderiam consultar os livros, jornais, gravações e fitas de vídeo que
pertencessem ao acervo da biblioteca. O estudante poderia observar o documento
em uma tela ou imprimi-lo em uma impressora para examiná-lo mais tarde.
Naturalmente, os professores humanos jamais serão totalmente eliminados.
Em algumas áreas, como o atletismo, o teatro e a oratória, a presença de um
instrutor humano é essencial. Além disso, a experiência de trabalhar em grupo é
importante para os estudantes. Entretanto, depois de interagirem com seus pares,
trocando idéias e experiências, poderão voltar, com algum alívio, para as
infinitamente sábias, infinitamente flexíveis e, mais que tudo, infinitamente
pacientes máquinas de ensinar.
Mas quem ensinará às máquinas de ensinar?
Os próprios estudantes, é claro. Estudantes que aprendem livremente os
assuntos que mais os interessam não podem deixar de pensar, especular, observar,
experimentar e, de vez em quando, criar idéias novas, diferentes de tudo que já foi
imaginado.
Eles transmitiriam esses conhecimentos para as máquinas, que os
armazenariam (com o devido crédito, presumivelmente, para o autor da idéia) na
biblioteca planetária, onde imediatamente poderiam ser usados por outros
estudantes. Desta forma, as máquinas de ensinar ajudariam a humanidade a atingir
alturas nunca sonhadas.
Até agora, porém, limitei-me a descrever a mecânica do ensino. E o
conteúdo? Que assuntos as pessoas vão estudar no futuro? Vou especular a
respeito no próximo artigo.

BEACH PARTY

 

Beach Party 01

domingo, 25 de maio de 2014

A COPA DO APITO (O Globo, 25/07/1966)


10348
                     NELSON RODRIGUES
     Amigos, eis uma verdade inapelável: — só os subdesenvolvidos
ainda se ruborizam. Ao passo que o grande povo é, antes de tudo,
um cínico. Para fundar um império, um país precisa de um impudor
sem nenhuma folha de parreira. Vejam a presente Jules Rimet. Nas
barbas indignadas do mundo, a Inglaterra se prepara para ganhar no
apito o caneco de ouro.
     Vocês pensam que há algum disfarce, ou escrúpulo, ou
mistério? Absolutamente. Tudo se fez e se faz com uma premeditação
deslavada e na cara das vítimas. A serviço da Inglaterra, a FIFA
escalou oito juizes ingleses para os jogos do Brasil. A arbitragem foi
manipulada para liquidar primeiro os bicampeões e, em seguida, os
outros países sul-americanos. O match Inglaterra x Argentina* foi um
roubo. Uruguai x Alemanha, outro escândalo.
     E nem se pense que a Inglaterra baixou a vista, escarlate de
vergonha. Nada disso. Por que rubor, se ela é um grande povo e se
tem, ou teve, um grande império? Vejam o sincronismo da coisa: —
um juiz alemão deu a vitória à Inglaterra contra a Argentina, um juiz
inglês deu a vitória à Alemanha contra o Uruguai. No match
Argentina x Alemanha, foi expulso um jogador argentino. Terminado
o jogo, cinco jogadores sul-americanos tiveram que sair quase de
maca.

     Valeu tudo contra o Brasil e, sobretudo, contra Pelé. O crioulo
foi caçado contra a Bulgária. Não pôde jogar contra a Hungria e só
voltou contra Portugal. Nova caçada. Sofreu um tiro de meta no
joelho. Verdadeira tentativa de homicídio. O juiz inglês nem piou.
Silva levou um bico nas costelas. Jairzinho foi outra vítima e assim
Paraná. O árbitro a tudo assistia com lívido descaro.
     E nós? Que fizemos nós? Nada. No último jogo, o Brasil
apanhou sem revidar. Amigos, eu sei que os nossos jogadores
tiveram um preparo físico quase homicida. Antes da primeira
botinada, já o craque brasileiro estava estourado. Sei também que o
Brasil não teve, jamais, um time. A nossa equipe era o caos. Por
outro lado, faltou-nos qualquer organização de jogo, qualquer projeto
tático.
     Além disso, porém, a seleção brasileira acusou um defeito
indesculpável e suicida. Como se sabe, esta Copa é uma selva de pé
na cara. E, no entanto, vejam vocês: — o brasileiro lá apareceu com
um jogo leve, afetuoso, reverente, cerimonioso. E havia um abismo
entre os dois comportamentos: nós, fazendo um futebol diáfano,
incorpóreo, de sílfides; os europeus, como centauros truculentos,
escouceando em todas as direções.
     Ainda ontem, o sr. Barbosa Lima Sobrinho escrevia um lúcido
artigo sobre a suavidade do nosso escrete. Note-se que se trata de
um acadêmico, que deve ter compromissos com as boas maneiras, a
polidez, o trato fino etc. etc. Mas ele enxergou o óbvio ululante, ou
seja: — o futebol vive de sombrias e facinorosas paixões. Durante os
noventa minutos, são onze bárbaros contra onze bárbaros.
     Claro que as palavras do sr. Barbosa Lima Sobrinho são
outras. Mas o sentido, se bem o entendi, é este. Portanto, não tem
sentido que o Brasil vá jogar contra os bárbaros europeus com
manto de arminho, sapatos de fivela ou peruca de marquês de Luís
XV. Eis a verdade: — o que dá charme, apelo, dramatismo aos
clássicos e às peladas é o foul. A poesia do futebol está no foul. E os
jogos que fascinam o povo são os mais truculentos.
     O Brasil naufragou num mar de contusões por isso mesmo: —
porque sabia apanhar e não sabia reagir. O ilustre acadêmico está
rigorosamente certo. Hoje, depois do pau que levamos, aprendemos
que o craque brasileiro tem de ser reeducado. Digo “reeducado” no
sentido de virilizar o seu jogo. Amigos, o Mário Pedrosa está fazendo
um ensaio sobre o futebol. É um pensador político, um crítico de
artes plásticas, homem de uma lucidez tremenda. Ora, o intelectual
brasileiro que ignora o futebol é um alienado de babar na gravata. E
o nosso Mário Pedrosa sabe disso e foi um dos sujeitos que sofreram
na carne e na alma o fracasso da seleção. Pois espero que, no seu
ensaio, inclua todo um capítulo assim titulado: — “Da necessidade
de baixar o pau”.
     Dito isto, vamos escolher o meu personagem da semana. Podia
ser Paraná. Eu sei que, tecnicamente, ele deixa muito a desejar. Sei.
Mas, contra os portugueses, Paraná deu um pau firme e épico. Mas
eu prefiro Rildo. Que grande, solitária e inexpugnável figura. No meio
do jogo, era tal o seu brio que dava a sensação, por vezes, de que ia
comer e beber a bola. Foi um bárbaro jogando contra bárbaros.
Amigos, o argentino que deu no juiz alemão lavou a alma de todo um
povo. Pois o nosso Rildo, com suas rútilas botinadas, promoveu e
reabilitou o homem brasileiro.


* Nelson refere-se aos jogos Inglaterra 1 x 0 Argentina e Alemanha 4 x 0 Uruguai pelas
quartas-de-final. Cinco dias depois da publicação dessa crônica, na finalíssima
Inglaterra x Alemanha (30/7/1966, em Londres), o jogo normal terminou 2 x 2. Na
prorrogação, o inglês Hurst chutou, a bola bateu no travessão e quicou em cima da
linha do gol alemão, sem entrar. O juiz suíço validou o gol inexistente. A Inglaterra
ainda faria outro gol (resultado final 4 x 2) e seria campeã do mundo, como previra
Nelson.

THE BEACH GIRLS AND THE MONSTER

 

Beach Girls And Monster 01