sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

JK

 

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CAMPEONATO PAULISTA DE FUTEBOL

 

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URSINHO

 

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AIYSHA SAAGAR

 

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DESTAQUE E BRINQUE

 

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JUNINHO

 

AAPP (161) Juninho ZG

AAPP (161) Juninho ZG

RIVELINO ESCAPA DE RAMIREZ (Veja, 5 de maio de 1976)

PLUTO

 

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quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

PERNALONGA

 

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ÁLBUNS DE FIGURINHAS

 

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TUBAÍNA COM MORTADELA

 

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ALBERTO ROSEMBLIT E MÁRIO ADNET (Música, setembro de 1980)

 

Alberto Rosemblit e Mário Adnet - Disco novo - Lú Ribeiro - Música 1980-09

SUPER HERÓIS GULLIVER

 

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A ESTÉTICA DO FRIO (Vitor Ramil)


Assim como o gaúcho e o pampa, a milonga é comum a Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina, inexistindo no resto do Brasil. A discussão em torno de sua origem expressa bastante bem sua relevância no encontro dessas três culturas: há teses para sua origem rio-grandense, sua origem argentina e sua origem uruguaia; sua ascendência ora é portuguesa, ora espanhola, ora latino-americana mesmo, mais especificamente cubana. Para o compositor uruguaio Alfredo Zitarrosa, que chamava a milonga de blues de Montevideo, a capacidade de fundir-se a outros gêneros sem dificuldade era uma de suas características; o argentino Atahualpa Yupanqui afirmava que as formas possíveis da milonga seriam tantas quantas fossem as possíveis formas de tocá-la. Do lado de cá das fronteiras, modestamente, eu a associava à imagem altamente definida do gaúcho e do pampa. A milonga me soava uma poderosa sugestão de unidade, a expressão musical e poética do frio por excelência.

A milonga, que estivera sempre no fundo das minhas escolhas como uma voz íntima, à espreita, agora se fazia ouvir mais claramente. Eu a percebia como uma forma musical simples e concisa a serviço do pensamento e das palavras – o vocábulo milonga é de origem africana, plural de mulonga, que significa "palavra". Existe a milonga para dançar, alegre, em tom maior, apropriada ao som forte do acordeom. Mas eu estava pensando na milonga pampeana ou campeira, ou ainda milonga-canção, como for, quase sempre em tom menor; simples e monótona, segundo a definição de um dicionário. lenta, repetitiva, emocional; afeita à melancolia, à densidade, à reflexão; apropriada tanto aos vôos épicos como aos líricos, tanto à tensão como à suavidade, e cuja espinha dorsal são o violão e a voz. Uma forma que, quanto mais dela se extraísse, mais expressiva ficaria. Que outra, se não essa, escolheria o gaúcho solitário da minha imagem para se expressar diante daquela fria vastidão de campo e céu? Que outra forma seria tão apropriada à nitidez, aos silêncios, aos vazios? Em sua inteireza e essencialidade, a milonga, assim como a imagem, opunha-se ao excesso, à redundância. Intensas e extensas, ambas tendiam ao monocromatismo, à horizontalidade. O frio lhes correspondia aguçando os sentidos, estimulando a concentração, o recolhimento, o intimismo; definindo-lhes os contornos de maneira a ressaltar suas propriedades: rigor, profundidade, clareza, concisão, pureza, leveza, melancolia.

Isso significava que uma estética do frio resumir-se-ia à forma da milonga? Não. Eu não era o gaúcho altamente definido da imagem. Significava que, por sua poderosa sugestão formal, a milonga, na descrição mais generalizante a que se pudesse chegar de uma estética do frio, não estaria nunca menos que na subjacência. E não só pela sugestão formal, também por ser um elo entre Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina e por sua popularidade e presença no imaginário dos rio-grandenses, característica esta que fazia dela uma justa e comprovada expressão da nossa sensibilidade, das nossas contrapartidas frias que, não obstante nos definirem e distinguirem, apareciam sempre aguadas perante o colorido local artificialmente avivado da nossa caricatura. Em muitas oportunidades, deparei-me com exemplos claros do alcance da milonga entre nós: emoção, lágrimas ou a confissão de um "estranho sentimento de patriotismo" de rio-grandenses criados na capital ou até mesmo longe do estado, gente sem nenhuma relação direta com o interior e a cultura campeira. Eu mesmo nasci e me criei no litoral, vivi sempre em grandes cidades. O fato de compor milongas, por si só, já evidenciaria sua presença em meu imaginário. Mas não foram poucas as vezes em que, ao compor, me pus a chorar. É significativo que, em um país em que as músicas representativas das regiões sejam am em sua maioria um convite à rua, à alegria, à dança, à extroversão, a milonga, e seu chamado à interioridade, seja a que fala de nós rio-grandenses com mais propriedade. Aqueles roqueiros e nativistas que se odiavam não deixariam de encontrar nela um ponto de contato.



Ao me reconhecer no frio e reconhecê-lo em mim, eu percebera que nos simbolizávamos mutuamente; eu encontrara nele uma sugestão de unidade, dele extraíra valores estéticos. Eu vira uma paisagem fria, concebera uma milonga fria. Se o frio era a minha formação, fria seria a minha leitura do mundo. Eu apreenderia a pluralidade e diversidade desse mundo com a identidade fria do meu olhar. A expressão desse olhar seria uma estética do frio.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

COSWORLD

 

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GELINHO

 

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ALBINA DZHANABAEVA

 

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SUPERAVENTURAS MARVEL E ALMANAQUE DO MESTRE DO KUNG FU

 

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ANTOLOGIA DO ÊXTASE (Pierre Weil)

    Quando se busca a harmonia na vida, jamais se pode esquecer que nós próprios somos, ao mesmo tempo, atores e espectadores.
     Ao buscar distinguir as frases pronunciadas pelos místicos e pelos físicos, o leitor terá, sem dúvida, uma idéia da dificuldade desse teste, composto por sessenta e duas frases.
      Os autores dos seis exemplos acima são: 
1. Einstein
2. Vivekananda
3. Santo Agostinho
4. Max Planc
5. Preceito da doutrina suf
6. Niels Bohr

Não é de admirar, portanto, que assistamos cada vez mais a encontros entre físicos e místicos. Poderíamos citar Einstein e Tagore, Paoli e Jung, ou, ainda, David Bohmn e Krishnamurti.1 Poderíamos mencionar também as numerosas conferências de encontro entre ciência e tradição, como as de Cordoue e Sukkuba, que resultaram na Declaração de Veneza, da Unesco. Esta última assinada por diversos prêmios Nobel, reconhece que a ciência atingiu os limites onde se revela a necessidade de sua aproximação com as tradições espirituais.
Além disso, trata-se de um grito de alerta com respeito à aplicação unilateral da tecnologia científica divorciada da sabedoria primordial.

A DESCOBERTA DA UNIDADE FUNDAMENTAL

    DAS TRADIÇÕES ESPIRITUAIS


O despertar desta sabedoria primordial, inseparável do amor, constitui o apanágio e o objetivo essencial de toda tradição espiritual – seja ela hinduísta, budista, islâmica, cristã ou judaica. Até o século XX, a comunicação entre estas tradições era verdadeiramente pobre. Salvo raras exceções, a desconfiança ou mesmo a hostilidade eram a regra, ocasionando, muitas vezes, conflitos, massacres e guerras religiosas. A partir do início deste século, os diálogos e encontros entre representantes dessas diferentes tradições se multiplicam. Pouco a pouco percebemos a unidade fundamental de sua meta: o estado transpessoal. As vias que a ele conduzem constituem as diferentes metodologias, que, na prática, não convém misturar.


 A forma mais eloqüente de demonstrar essa unidade de tradições é fazer o que estamos apresentando hoje ao leitor, ou seja, reunir testemunhos oriundos de diferentes tradições a fim de compará-los entre si; este é um dos objetivos essenciais da psicologia transpessoal, conforme veremos adiante. Esta descoberta de pontos comuns em tal experiência confirma plenamente o que já fora pressentido nos encontros inter-religiosos, podendo ser considerada, do ponto de vista da pesquisa, uma hipótese fundamental, que enunciamos da seguinte maneira:
O estado transpessoal é idêntico em todas as tradições espirituais. Trata-se de um estado incondicionado e, portanto, independente de toda influência cultural.
Uma vez demonstrado, e tudo indica que está em vias de sê-lo, este fato contribuirá imensamente para aproximar as tradições e desenvolver atitudes de respeito e mesmo de colaboração mútua. Dessa forma, uma tradição ainda intacta pode revitalizar uma outra. Diversos monges e padres cristãos afirmam terem se tornado mais cristãos após um estágio em monastérios hinduístas ou budistas.
Cerca de quarenta anos atrás, durante um colóquio de estudos carmelitas de psicologia religiosa e mística comparada, Olivier Lacombe1 já declarava:
Estou persuadido, juntamente com R.P. Bruno, que será do mais alto interesse repensar nossos métodos espirituais ocidentais à luz de uma reflexão aprofundada sobre as técnicas somáticas e psíquicas, ou seja, do homem integral, pelas quais o Oriente cristão e não-cristão promovem as vias de uma espiritualidade sobrenatural explícita para o primeiro, e de uma espiritualidade natural ou sobrenatural implícita para o segundo.
A presença de elementos técnicos em nossos métodos não é duvidosa. Sua sistematização cada vez mais apurada somente nos trará benefícios. Seria necessário, também, investigar mais de perto esses estados complexos em que a atividade tipicamente humana e a oração transcendente se reúnem.
Ao publicarmos esta coletânea de testemunhos, fazemos esse convite para “investigar mais de perto esses estados complexos”.

MÉ # 5

AIRTO DE VOLTA (POR POUCO TEMPO) AO PAÍS DA BUROCRACIA (Jornal de Música, agosto de 1977)

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