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domingo, 18 de dezembro de 2011

BORN TO BE WILD (Trip nº 39, Outubro de 1994)

Trip Editorial
Trip #39_0044
           PEPE ESCOBAR
- Chau, aumenta o volume. O Toyota HiAce da Youth Tourist Company de Ho Chi Minh com quatro agentes do imperialismo a bordo nocauteia seus amortecedores em uma ofensiva do tet na Highway 1, a primeira e única que reunifica 1.700 km de Vietnã de norte a sul. Domingo de sol escorchante, ar condicionado no máximo, pelas janelas da minivan, o Vietnã clássico em Panavision: intermináveis campos de arroz em verde kodachrome, ondulantes chapéus cônicos, búfalos d'água - e os ônibus psicodélicos de buzinas estratosféricas que singram a Highway 1 como morcegos rescapados do inferno, ameaçando transformar qualquer veículo em direção oposta em MIA (missing in action).
Trip #39_0045
Pelas janelas mentais, sentimos os raids mortíferos dos B-52s detonando napalm orange, ou o crescendo assassino da operação Rolling Thunder, que de 65 a 68
despejou mais bombas no Vietnã do que toda a Segunda Guerra Mundial. Estamos chegando a May Lai destruída em missão search and destroy, do serial killer tenente Calley, em 68, quando explode "Born To Be Wild" na rock'n'roll van.
A adrenalina congestiona as veias, todo mundo dança, os camponeses acenam em câmera lenta com seus sorrisos imaculados. Chau, nosso motorista está no ritmo, ele
ouvia Steppenwolf quando combatia no exército do sul. Alguns instantes depois, quando acendemos incensos no memorial às vítimas do massacre, só uma canção se intromete "Silence is Golden", dos Tremeloes, outro clássico dos 60. O silêncio é total na aldeia, quebrado apenas pelo ruído dos helicópteros Huey em nossa memória-ou seriam as pás do ventilador do quarto de hotel ?
As Brumas do Vietnã
A rock'n'roll van está descendo o Vietnã da única maneira possível, on the road, de norte a sul, com escala em todos os pontos que desejamos. Nós, os agentes de diversas ex-potências imperialistas que abordamos Chau no magnífico pátio interno de um hotel em Hué, ex-universidade instalada pelo colonialismo francês. Hue, ex-capital imperial, é o Vietnã perdido em brumas românticas, onde monges budistas acenam bandeiras à beira do Rio Perfumado e ninfas pedalam de volta da escola como aristocráticos vasos de porcelana. Os fantasmas de guerra estão em cada metro quadrado, de Hanoi a Hué, de Hoi An ao Mekong - menos na força de vontade das novas gerações que estudam informática, francês ou inglês 18 horas por dia para retornar o Vietnã à sua mais legítima condição: tigre - ou dragão - asiático.
Trip #39_0046
Chá de Lótus
A cauda do dragão mexeu-se uma vez no norte, na baía de Halong, e criou um colar de três mil ilhas no Golfo de Tonkin por entre as quais se navega de junco. O próprio Ho Chi Minh, o mais charmoso líder do panteão comunista - que administrava uma guerra de uma salinha com três telefones em seu bangalô em Hanoi. - daria o selo de aprovação a este dragão mitológico que jaz no fundo do mar  e ressuscita com um país pacificado a sangue e pronto para captar US$ 50 bilhões que precisa para virar uma nova Cingapura até o ano 2000.
Chegar a Hanoi pela Singapoure Airlines, a melhor companhia aérea do mundo, é descer do fim do milênio para uma romântica e decrépita decadência de década de 40,
ou para a América inocente do início dos 60. Ainda há sinais evidentes do comunismo hardcore - do memorial ao camarada Ho a uma solitária estátua de Lenin. Mas o que nos aquece o coração como um chá de lótus são os bulevares arborizados, o Mar da China de bicicletas, os prédios dilapidados com o charme dos arrondissements de Paris - além de café impecavelmente filtrado e deliciosos baguetes.
Trip #39_0047
Do ponto de vista vietnamita, o que interessa mesmo é a aceleração fulgurante da doi moi - a reconstrução econômica do país lançada em 86, cuja face invisível é a avalanche de negócios non-stop documentados toda semana na Vietnan Investment Review, e cuja face mais visível são os outdoors de cerveja, as latas de Coca-Cola indonésia e o aluvião de geladeiras, vídeos, fax e microondas que invade as calçadas e as garupas das Honda 50.
E no meio deste caos já genérico no sudeste da Ásia, nos maravilhamos com o babewatch. Qualquer grupo de norte-vietnamitas, um retrato de seriedade em duas rodas,
vestidas em seus aodais - o pijaminha traje de rigor -, com sua pele de seda, seu corpo esguio e seus gestos delicados, relega ao mosqueteiro da vulgaridade qualquer bando de fashion babes ocidentais. This is the real thing - a intangibilidade  da essência feminina reencontrada. Que fazer frente às vietnamitas do norte, a não ser pedi-las todas em casamento, e se rejeitado, sonha-las eternamente em um retiro budista às margens do Rio Perfumado em Hué ?
Trip #39_0046
"A" Grande Trip
Este é um povo de guerreiros que já sobreviveu a tudo: rebeliões no século 18, impostos absurdos da dinastia Nguyen no século 19, os descalabros do colonialismo francês a animalesca ocupação japonesa durante a Segunda Guerra, corrupção total nos anos 60, o apocalypse now da Guerra do Vietnã, a guerra com o Khmer Rouge no Camboja, o comunismo hardcore que levou ao êxodo dos boat-people. Depois de tanta fúria e sangue, voltar a ser tigre ou dragão é uma mamata. Todos os tigres asiáticos estão ajudando o Vietnã a reconstruir sua infra-estrutura. Investidores europeus e também americanos, depois do fim do embargo, atropelam-se para não perder o boom. O Vietnã é "A" Grande Trip do final do milênio.
Ainda é pobre, renda per capita de US$ 220, mas tem o principal: uma população muito bem educada e com uma vitalidade impressionante. Pode-se temer que a
infiltração avassaladora dos B-52s do hipercapitalismo transforme o Vietnã em um imenso Club Med versão Big Mac para charters internacionais, como já acontece em várias áreas da Tailândia e Indonésia. Mas um povo forte e uma cultura forte devem prevalecer. On The Road, qualquer epifania geográfica ou culinária está intimamente ligada a personagens inesquecíveis - ex-combatentes do exército francês hoje guardas do museu, pescadores-barqueiros do delta do Mekong, veteranos de Dien Bien Phu (a derrota final dos franceses em 54), monges em Hué e Hoi An, estudantes de frances ou inglês, ex-veteranos da guerra hoje como donos de restaurantes ou motoristas de van, professores universitários, condutores de cyclo (o riquixá de bicicleta) e - como não - as damas da noite de Saigon.
Trip #39_0047
LSD nas trincheiras
"And it's one, two, three, what are fighting for, don't ask me, I don't give a damn, next stop is Vietnan". Este hit de Country Joe and The Fish estava na boca de todo GI trancado de LSD nas trincheiras de Khe Sanh ou nos marines de tocaia nos barcos patrulhas do delta do Mekong. Cortar o Vietnã de norte a sul é rememorar em silêncio todo o horror da guerra que não se vê em um filme de Oliver Stone.
A rock'n'roll van nos leva à zona desmilitarizada no paralelo 17 e ao que restou do Ho Chi Minh trail, as artérias paralelas e subterrâneas que supriam os comunistas em
meio ao inferno de napalm. Nos leva a China Beach onde os GIs surfavam entupidos de Budweiser, sede recente do primeiro Campeonato Mundial de Surf do Vietnã pós-guerra, e aos campos hoje bucólicos que viveram a batalha de Khe Sanh. Nos leva ao memorial de May Lai e aos muros do exército e da aeronáutica em Hanoi e Saigon, onde os Migs, tanques, helicópteros e mísseis capturados de Uncle Sam posam ao lado do que nunca poderíamos observar no Ocidente, ou nos filmes de Hollywood: "As faces, vozes, fotos e frases de VC, o Vietcong, o Charlie, o inimigo, os anões comedores de arroz com rato", na frase de um personagem de Apocalypse Now, de Coppola, que venceram com inteligência e paixão a mais poderosa armada da história da humanidade.
Trip #39_0048
Boom Boom Girl
Rock'n' Rolling de norte a sul na van de Chau, chega-se a Saigon quando um laboratório pirata Chanel número 5 falso é invadido por uma solução de querosene e explode em um Mekong motorizado em duas rodas. Se Hanoi é uma garota de província ainda inocente, louca para descobrir o mundo, e Hué uma garota inescrutável com pé na velha aristocracia, Saigon é uma pin up safada campeã de mud wrestling. Esta é a arquétipica metrópole asiática - caótica, amontoada, ensurdecedora , sensual, e em duas rodas. Chau diz que Saigon voltou a ser o que era durante a guerra, um bordel ininterrupto.
À parte interferências generalizadas do pós-tudo, a cidade parece administrada pelo ativíssimo empresariado ambulante dos condutores de cyclo muitos deles veteranos
de guerra, quase todos dublês de guia turístico e cafetão.
Passam Camaros 67 rebaixados e Renault Dauphines imaculados tonitroando os Troggs. Charmosas cigarras solicitam a clientela de vestido de noite em suas Honda 50.
Alugar um cycloman para uma corrida rápida (US$ 1) é ligar uma vitrola onde o disco é sempre o mesmo: "Hey mai fren drink beer same same want boom boom girl very nice no problem massage boom boom same same...".
E lá vem mais garotada "Hey mister gimme money !" Sábias como cínicos gregos e os imperadores romanos da decadência, seletas damas da noite sentam na calçada,
do outro lado da rua onde está o Saigon Floating Hotel, que veio flutuando da Austrália e hoje abriga uma joint venture por hora, e puxam conversa, fazendo o strip-tease da cidade. Pode-se pegar um barco na Saigon River e ir até o delta do Mekong, mas o melhor é alugar um Citroen dos anos 40 e ser pego na estrada pela polícia porque o motorista não tem documento... Pode-se beber até cair, Saigon beer, ou Ba Ba Ba (333 em viet), no Apocalypse Now, ao som de "Born On The Bayou", onde depois de uma certa hora não se sabe se as bar girls são dublês de cigarras ou vice-versas. No quinto andar do mitológico Rex Hotel, onde toda a imprensa mundial assistia à guerra do Vietnã encharcada de bourbon, fecha-se mais uma joint venture por hora, para não falar de Caravelle ou do Continental, onde o mestre Graham Greene escreveu "O Americano Tranquilo" ( o barman, octagenário, ainda lembra).
E sob um fog de snakebrandy misturado com Ba Ba Ba, voltamos à vitrola emperrada do cycloman.
São duas horas da manhã. Saigon dorme, há um prenúncio de tempestade. Os B-52s despejavam suas bombas de tão alto - 17 mil metros - que só se ouvia o ataque
depois que elas já tinham atingido os alvos.
Trip #39_0048
As viet-trip goes on forever - o dragão vomitou todas as bombas e agora, com sua motinho envenenada e seu telefone celular, quer mais é botar uma Chanel na garupa e acelerar para o futuro. "We can fly so high, I'll never wanna die". Isso é que é uma terra "Born To Be Wild".
O capitão Kurtz não enlouqueceu. Ele apenas virou um bon vivant.

sábado, 9 de abril de 2011

 

Estamos lançando esta inovação pela primeira vez.

(Jimmy Walker, prefeito de Nova York)

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Vista área do teleférico de Campos do Jordão (02/06/1974)

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Teleférico em Campos de Jordão (16/07/1976)

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Igreja em Campos de Jordão (21/09/1984)

sábado, 2 de abril de 2011

 

Não é como se eu tivesse descido do Monte Sinai trazendo os tablóides.

(Ron Meyer, treinador do Indiana Colts)

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Atibaia (final dos anos 70)

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Atibaia (01/07/1983)

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Hotel Alpino em São Roque (30/01/1987)

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Sobrado próximo ao Porto em Ubatuba (10/11/1974)

sábado, 26 de março de 2011

 

Saiba que quando eu quiser sua opinião, eu lhe dou a minha.(Samuel Goldwyn, magnata do cinema , a um jovem escritor)

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Comemorações civis e militares por ocasião do 98º aniversário de Barra Bonita

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Expansão industrial em Campinas (sem data)

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Palácio Boa Vista funciona como Museu em Campos do Jordão (24/01/1975)

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Hotel Green Home em Campos do Jordão (15/06/1996)

sábado, 19 de março de 2011

 

Chegou a hora de tirar a camisa e arregaçar as mangas.(entreouvido em um debate político)

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Santana do Parnaíba (01/06/1984)

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Ilha Anchieta – Ubatuba (03/02/1984)

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Sítio do Picapau Amarelo em Águas Claras (27/08/1982)

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Piscina natural de toboágua…

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…no parque aquático Aquasharing em São Pedro (1991).

sábado, 12 de março de 2011

 

Eu não estava mentindo. Disse, sim, coisas que mais tarde se viu que eram inverídicas.

(Richard Nixon)

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Central Park em Ubatuba (03/02/1984)

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337º aniversário de Ubatuba (29/10/1974)

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Carros estacionados próximo a restaurante em Ubatuba (10/11/1974)

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Ibitinga em (07/11/1980).

sábado, 5 de março de 2011

 

Não estamos prontos para qualquer acontecimento imprevisto que pode ou não acontecer.

(Dan Quayle, político norte-americano)

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Igreja Matriz,

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Parque Central

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e teleféricos em…

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… Serra Negra (22/07/1983)

sábado, 26 de fevereiro de 2011

 

O Baltimore Colts é uma equipe jovem e brilhante. Parece que ela tem o futuro à frente.

(Curt Gowdy, locutor esportivo)

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Teleférico…

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… placa da inauguração,

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design futurista e…

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vista aérea da…

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… Pista de Esqui de São Roque (03/04/1977)

sábado, 19 de fevereiro de 2011

 

Cuidado ! Tocar nesses fios provoca morte instantânea. Quem for flagrado fazendo isso será processado.

(Tabuleta numa estação ferroviária)

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Trenzinho em Americana (22/07/1981)

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Circo-cine-teatro em Barra Bonita (13/02/1983)

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Centenário da cidade de Americana (agosto de 1975)

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Praia Azul em Americana (07/02/1975)

sábado, 12 de fevereiro de 2011

 

Não é uma questão de vida ou morte. È mais importante do que isso.

(Lou Duva, treinador de boxe)

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Passeio de balsa em Barra Bonita (05/05/1973)

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Passeio de balsa em Barra Bonita (29/01/1982)

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Passeio de balsa em Barra Bonita (21/09/1986)

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Centro de Bauru (06/04/1975)

sábado, 5 de fevereiro de 2011

 

Se chegar a uma encruzilhada na estrada, siga por ela.

(Yogi Berra)

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Garota não identificada em Bertioga (01/05/1989)

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Construção do Terminal Turístico de Bertioga (01/01/1979)

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Bertioga (12/02/1982)

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Praia em Bertioga (07/01/1979)

sábado, 29 de janeiro de 2011

 

… o pior vilão que jamais existiu, pior do que Hitler e Stalin. Estou me referindo a Sigmund Freud.

(Telly Savalas)

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Morro do Diabo em Teodoro Sampaio, construção de ferrovia  (07/11/1982)

LUIZ GÊ E OS IMPLACÁVEIS