quinta-feira, 24 de setembro de 2009

SHADOW BOY – BOKEN SHONEN SHADAR

shadow-boy_CAPA

Japão (1967)

Produtora Japcom

Exibido no Brasil entre 74/85 pelas emissoras Tupi e Record

Distribuição Trans-Global

Versão Brasileira Cinecastro

Desenho da época da idade da pedra, “Shadow Boy” é a prova de como o conceito de anime evoluiu de maneira inacreditável nestes últimos 30 anos. Com um misto de desenho infantil e quadrinho de terror, Shadow Boy, uma obscura animação japonesa meio desconhecida até em seu país de origem, foi um destes felizes acidentes que a geração de 1960-70 presenciou nas TVs brasileiras.

Exibido por aqui em preto-e-branco pela TV Tupi e com uma trilha sonora tétrica e assustadora, este desenho fazia parte de um pacote com os também raros “Super-Homem do Espaço” e “Guzula”.

Shadow Boy era um garoto que ficou adormecido em uma cúpula de vidro por muitos anos até ser libertado por um funcionário de seu pai que foi morto pelo Doutor Spectro. Com a reconquista da liberdade, o garoto agora parte em busca de vingança e tem como objetivo derrotar este vilão.

Mas a missão era pra lá de complicada, uma vez que o Spectro (um ser demoníaco com orelhas pontudas e caninos à mostra) tinha um bastão mágico que materializava os desejos malignos de seu portador. Assim, temos diversas cenas com o Spectro invocando animais, monstros, avalanches e maldades sem fim. Tudo para atormentar o pobre garoto, que por sua vez só possuía uma espada mágica que lançava raios e crescia de tamanho (olha a mensagem subliminar fazendo alusão ao pênis...). O cientista professor Polker era seu amigo e tutor.shadow boy

O tom infantil do desenho se deve a presença do cachorro falante Xereta, que usava óculos e sempre arrumava alguma confusão e da Gata, uma felina, também falante, que usava gravata borboleta e liderava o exército do malfeitor. As vezes contracenava com um outro menino chamado Roko.

Foram produzidos, lá no Japão, 156 episódios, apenas 26 chegaram até nós. Uma segunda temporada realizada em 1969 foi produzida em cores. Mas esta confesso que nunca vi. Minha cópia em DVD-R traz o mesmo em PB como eu lembrava na infância. São quatro episódios (cada um com uns 15 minutos): “Dr.Spectro”, “Operação Alfa”, “Cidade Despojada” e “A Maldição da Harpa”. O legal é ver a mistura de civilizações primitivas com discos voadores e naves espaciais. Esse passeio por épocas de certa forma antecipou a liberdade dos roteiros que viria a caracterizar os animes produzidos hoje.

Arqueologia brava do mundo perdido da animação japonesa !

***Bom

terça-feira, 22 de setembro de 2009

STONED

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Inglaterra (2005)

Direção: Stephen Wolley

Elenco: Leo Gregory, Paddy Considine, David Morrissey, Ben Whishaw, Luke de Woolfson e Monet Mazur

Filme sobre a vida de Brian Jones, o anjo loiro dos Rolling Stones, “Stoned” marca a estréia de Stephen Wolley na direção de filmes (antes havia trabalhado em diversos outros títulos, mas sempre como produtor-executivo).

Se alguém ainda não conhece a batidíssima história da morte por afogamento (ou seria assassinato ?) do guitarrista e fundador dos Rolling Stones eis uma chance de conhece-la. Pelo menos é mais uma versão do ocorrido.

Com produção mediana , a maior parte da trama se passa na mansão do Brian, o que temos desta vez é uma profusão de pessoas ingerindo drogas, mulheres nuas, intrigas , luta pelo poder e autodestruição a toque de caixa. Rock que é bom, muito pouco.

O diretor carrega no perfil psicológico do Brian e o retrata como um louco drogado e manipulador que sente prazer mórbido em maltratar pessoas.

O pedreiro Frank (Paddy Considine , que rouba o filme com atuação impecável) é o bobo da corte do falecido guitarrista que ainda tem uma doida Anita Pallenberg ( Monet Mazur muito linda) formando uma espécie de, nunca consumado, triângulo amoroso.

O Brian está drogado e não quer tocar, prefere ficar na cama com a Anita, e enfurece o empresário que está agendando uma turnê dos Stones para os EUA. Mick e Keith fazem uma parceria fora dos palcos e combinam que se o Brian não se livrar do processo por uso de drogas eles o chutarão para fora da banda.

O empresário adverte o drogado guitarrista sobre a possibilidade de não ser mais um stone e ele, em troca, decide cheirar umas carreiras de coca. Antes disso: Keith,Mick, Brian e Anita vão para Marrakesh. Lá, paraíso do haxixe, o Brian se sente na Disneylândia e não quer mais ir embora. Como a dupla Jagger e Richards é mais pragmática ($$$) decidem que é hora de dar um basta na loucura e se mandam de volta para Londres. O motivo alegado é uma surra que o Brian deu na Anita por ela não ter participado de uma suruba com garotas e rapazes marroquinos...

Brian recebe a notícia de que os amigos voltaram para casa, sem avisa-lo, e ainda deixaram a conta do hotel para ele pagar. Para o guitarrista tudo bem, ele acende um baseado monstro e vai tocar com músicos locais (origem do seu único álbum solo “Joujouka” , Crz$ 900,00 – novecentos cruzados novos no Sebo Erick Discos, em Pinheiros, na década de 80 e meu sonho de consumo na época).mmoj.jpg

Após mais batuque com os africanos , o protagonista volta para casa e começa uma sessão tortura para cima do pedreiro Frank , que além de uma baixa estima incrível ainda tinha prazer masoquista em ser humilhado pelo stone.

Mas o pior para o Brian viria com a visita do Mick e do Keith em sua casa. Nem um chá preparado para os amigos de banda evita o recado gélido do Mick Jagger anunciando a demissão do colega. O Keith ainda reforça: Você está fora cara ! Naquela altura, além de roubar a Anita do Brian (muy amigo), ele era agora o principal guitarrista da banda...

Arrasado, Jones resolve as coisas do seu jeito: anfetaminas, vinho e maconha... Vai ficando cada vez mais paranóico. Na sua trip ele embarca o pedreiro Frank (nesta altura um show a parte do filme) e força o trabalhador a se drogar com ele.

Uma Anita fria e sem remorso e o empresário ausente dão o tom de derrocada pessoal e artística do falecido guitarrista que agora tem seu dinheiro bloqueado pelo manager dos Rolling Stones. Com a falta do dinheiro o Brian decide despedir o pedreiro Frank e dar um basta na reforma de sua casa, que não acabava nunca. O Frank, claro, fica furioso pois já tava gostando daquela história de bebidas, drogas e garotas de graça e não que perder a moleza. Decide tirar satisfação com o Brian que estava nadando na piscina.

O empregado já chega enquadrando o stone e ameaça dar lhe uns murros, o Brian meio drogado, e não se dando conta do perigo, decide humilha-lo como fazia antes, com umas piadas bestas e se dá mal...

Como o guitarrista sempre dizia que usava drogas para viajar bonito, agora ele consegue seu objetivo: viaja deste mundo para a eternidade, já que o Frank está apertando seu pescoço e o afoga na piscina. Morre o homem fica a lenda. Time is on my side.

O filme finaliza com um rápido flash do povo chegando ao Hyde Park para um show póstumo dos Rolling Stones (em memória do finado Brian) e o comentário do pedreiro de que mesmo com o Mick Taylor a lenda stoniana duraria ainda décadas...

Bacana mas meio deslumbrado.

Detalhe estranho: em nenhum momento da trilha sonora ouvimos composições dos Stones, sempre as músicas explodem em versões executadas por outros artistas o que vai nos causando um incômodo e estranheza. Sabemos então que a banda não autorizou o uso das músicas no filme.

**Regular

LUIZ GÊ E OS IMPLACÁVEIS