quinta-feira, 29 de outubro de 2009

ARTE DA ENTREVISTA – CHACRINHA NA REVISTA HOMEM

 

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  Alô, alô seu Chacrinha, aquele abraço !

A revista “Homem” nº 27-B (O “B” é porque a edição saiu com duas capas), de novembro de 1980, publicado pela Idéia Editorial, trouxe uma antológica, esclarecedora e ótima entrevista com o Chacrinha. O apresentador relata suas memórias televisivas, luta nos bastidores da TV por dinheiro, poder e fama e até dá uns pitacos sobre política brasileira.

Entrevistado pelo jornalista Leonel Prata, segue abaixo este primor na arte de extrair confissões de um entrevistado. É como se o entrevistador tivesse feito um estágio em Havana ou trabalhado uns 10 anos na Stasi (se bem que pelo bom humor do Velho Guerreiro ele estava tirando é um grande sarro de toda a situação…).

Segue abaixo os melhores momentos:

Homem: Sua família era rica ?

Chacrinha: A parte de minha mãe até hoje vive muito bem: são fazendeiros, pessoas de engenho, alguns políticos.A família Barbosa é muito conhecida em Pernambuco; é de classe média pra rica. Os únicos pobres da família somos eu e minha mãe, que não quis aderir a família preferindo ficar sozinha.

H: Na Rádio Niterói, nesse programa do Chacrinha, você ficou até quando ?

C: Até 1946.

H: E o pessoal ouvia ?

C: É engraçado. Naquele tempo o rádio tinha um bilhão de vezes mais público à noite do que hoje, porque naturalmente a televisão roubou público do rádio. E o rádio passou a não fazer mais nada de novo nesse horário. O rádio ficou morto e a TV roubou muita gente do rádio também. O programa foi um sucesso na época. É como agora: o pessoal falava muito do Big Boy, do jeito dele falar e todas as rádios AM e FM começaram a fazer essas vozes, mas tudo isso, quando eu ouço parece que estou me vendo quando eu iniciei.chacrinha_um_pouco_de_tropicalismo.jpg

H: Mas o pessoal te criticava ?

C: Naturalmente tinha os que gostavam e os que não, como até hoje, mas essa imagem de louco eu não quero apagar, pelo contrário, eu estou cada vez mais fazendo mais loucuras, porque têm pessoas que me chamam de louco – a própria imprensa – e pensam que estão me ofendendo, quando estão é me elogiando, porque eu estou realmente desempenhando muito bem o meu papel e estou convencendo um jornalista – que é tão inteligente – e que não tem um alcance para saber se aquilo é real ou irreal. O que se pode é gostar ou não, nunca confundir um tipo com a pessoa. Quem confunde um tipo com a pessoa está assinando um atestado de burrice.

H:Tem gente que diz que esse negócio de você oferecer alimentos para o povo é uma jogada. Como surgiu esse negócio de Casa da Banha ?

C: Casa da Banha porque o Venâncio, dono da Casa da Banha, por inteligência ou não, me mandou levar um ovo de Páscoa e na hora de apresentá-lo pediu que eu o partisse ao meio e deixasse, o mais propositadamente possível, os bombons caírem ao chão, para chamar a atenção que estava em casa. Assim eles veriam que o ovo estava bem recheado. Ele me mandava anunciar carne seca, bacalhau e eu anunciava.

H: Não tem nada a ver com a fome do povo ?

C: Isso aí a imprensa e outras pessoas inventaram e interpretaram como se fosse eu manipulando, com segundas intenções. Eu faço aquilo numa brincadeira, porque meu programa vive de bordões. “Vai ou não vai ?”, “É ou não é ?”, então você tem que fazer este tipo de coisa para ter uma resposta forte. Pra manter o povo naquela ebulição.

H: Mas o calouro sai dando risada ...

C: Eles reclamam do maestro, dizem que ele tocou errado.

H:Por exemplo, alguém usou sua imagem, seu prestígio, para outras coisas ?

C: Dentro da minha profissão, já fui muito usado, como também já usei muita gente. Quem tá de fora, vê que eu começo a promover uma cantora, diz logo que eu estou comendo a mulher ou que estou levando dinheiro. Se for homem , diz que eu sou viado.

H: E a Globo, como foi ?

C: Eu estive em todas as redes. O problema lá foi que nem a Globo sabia o que queria fazer comigo, nem eu sabia o que queria fazer na Globo. Naturalmente ela queria fazer comigo na época o que a Bandeirantes faz hoje.

H: A Elke Maravilha foi você que inventou ?

C: Quem trouxe Elke foi Aroldo Costa, coreógrafo e produtor de TV. Ele me disse: “Tenho uma manequim assim, assim,assim. “Aí ele levou-a e eu a lancei.

H: As chacretes são muito assediadas ?

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C: São muito.

H: Elas saem com os caras ?

C: Elas não saem com ninguém. Elas ficam no hotel presas. Já houve inúmeros problemas, mas agora não. Naturalmente que elas têm seus namorados, mas longe da televisão. Agora mesmo Regina vai se casar.

H: Elas são muito cantadas ?

C: Tem mil bicões. Os caras cantam de qualquer maneira, todo mundo canta. Agora, depende muito da mulher respeitar o seu emprego, o seu trabalho. As chacretes de agora são de respeito, não preciso nem recomendar, elas sabem.

H: Você é religioso ?

C: Sou católico e tenho três santos de minha predileção: São Jorge, São Judas Tadeu e São Paulo Apóstolo.

H: As chacretes transam tóxicos ?

C: Não, não (indignado) , de jeito nenhum.

H: O que você acha dessa abertura política ?

C: Eu acho, a grosso modo, que eles estão abusando um pouco. Não sei quem, mas estão abusando: eu acho que a abertura deveria ser mais vagarosa.

H: Você acha que o povo está preparado ?

C: Não não está.

H:Se você tivesse que optar por um partido político você saberia qual ?

C: Eu não sou político, mas eu votei pela primeira vez em Getúlio Vargas. Eu sou getulista.

Chacrinha

H: E o Sílvio Santos ?

C: É um dos maiores animadores de televisão e também um dos maiores empresários do Brasil.

H: Você acha que ele te copiou ?

C: Não. Ele copia tudo que ele vê na América, tá entendendo ? Ele não está errado, está certíssimo. Por que ele vai ter trabalho ? É um cara superinteligente.

H: Nós vamos pedir notas para algumas pessoas como se você fosse julga-las. OK ?

H: Elvis Presley ?

C: 10. Na época foi um cara formidável.

H: Paulo Freire ?

C: Quem é ? Não conheço.

H: Sônia Braga ?

C: 10.

H: Fernando Gabeira ?

C: Não conheço.

H: Presidente Figueiredo ?

C: Dou nota 10 porque, realmente ele está muito preocupado com o povo.

H: Para encerrar eu queria que você desse uma mensagem especial para esta “Revista Homem Especial”.

C: Eu acredito piamente no destino, eu acredito em Deus, acredito piamente no que tem que acontecer. Eu não persigo as coisas, eu deixo acontecer normalmente.

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“Quem é que não gostaria de fazer “au au” pra Sarita Catatau, tremer de medo com a Fernanda Terremoto, curtir um barato com a Fátima Boa Viagem, fazer dengo com a Gracinha, voar com a Leda Zeppelin, ficar numa ótima com a Mirinha, passear com a Rita Cadillac, brincar de mocinho com a Índia Amazonense, ir ao encontro do sucesso com Lia Hollywood, dançar com a Cláudia Campos e tentar tomar vinho rosé com a Dayse Bianco ? Quem ?”

Este vídeo acima é importante por registrar o dia em que o Paulo Silvino teve que substituir às pressas o Velho Guerreiro que enfrentava uma espécie de desarranjo intestinal.

ARTE DA CAPA – VAMPIRELLA

Vampirella é uma personagem dos quadrinhos criada por Forrest J. Akerman em 1969, e que estreou na antiga editora norte-americana Warren, nas páginas das revistas de terror “Creepy” e “Eerie” e que posteriormente ganhou uma revista própria. Originalmente, ela é uma vampira extraterrestre de um planeta tendo dois sóis chamado Drakulon (ou Draculon). Apesar de idealizador, Ackerman não a finalizou sozinho, tendo influência direta de outros nomes importantes como Trina Robbins e Frank Frazetta, que definiram a roupagem e o desenho original dela, respectivamente.

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Abaixo o trailer de Vampirella, de 1986, com Talisa Soto e Roger Daltrey.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

THE ROLLING STONES

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O cânone diz que o melhor álbum dos Stones é o “Exile Main Street” de 1972. A maioria cita a trinca “Beggar’s Banquet”, “Let It Bleed” e “Sticky Fingers” (1968,1969 e 1971). Eu prefiro este “Black’n’Blue” que resume tudo o que os Rolling Stones fizeram e fariam a partir de então. No disco de estréia de Ron Wood como novo integrante quem brilha é novamente Mick  Jagger o mais espetacular e completo frontman do rock desde que o estilo foi inventado (se bem que tem o Elvis…). Recheado de rocks nervosos “Hot Stuff” , baladas explosivas “Fool To Cry”, “Memory Motel”, e levadas caribenhas “Hey Negrita”, o disco é um blender de tudo que uma grande banda de rock poderia oferecer ao seu público. Mr.Jagger crava neste álbum seus melhores vocais desde sempre. O disco, lançado em 1976, mantém se atualíssimo e funciona como uma espécie de farol para as bandas das novas gerações.

 

mais sobre a banda:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Rolling_stones

para ouvir:

http://thepiratebay.org/

ARTE DO POSTER – NOVO ROCK

 

A veloz digitalização da música no início deste século não erradicou o velho “poster de show” (aquele pedaço de papel onde um conceito visual reflete um pouco do grupo de rock). Desde que o Bill Haley mandou seu “Rock Around The Clock” até as colagens da geração mashup tivemos um pouco de tudo: as maravilhas da arte psicodélica dos 60, a arte rústica e bicolor dos anos punks, o amarelo limão e o pink fosforecente da new wave e a arte publicitária dos anos 1990-2000. Agora, com influência de cartoons, games e internet  vale de tudo. Esta coleção reunindo posters do novo rock será divida em três postagens.

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ARTE DA CAPA – DEBORAH SECCO

 

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ARTE DO POSTER – SAUL BASS

Saul Bass (1920-1996) foi um artista gráfico americano renomado, mais conhecido por seu trabalho no cinema e design de algumas das principais empresas corporativas dos Estados Unidos.
Bass se notabilizou no mundo da ilustração ao desenhar cartazes para os filmes de Hitchcock e Scorsese. Dirigiu um filme em 1974, chamado “ Fase IV” sem nenhuma repercussão.
Em seguida, ele retornou ao design gráfico comercial. Entre os seus mais bem sucedidos trabalhos temos os emblemas da AT & T, United Airlines, Minolta, Bell, e Warner Communications. Ele também desenhou o cartaz para os Jogos Olímpicos de Los Angeles em 1984.
Até o final de sua vida, continuou a colaborar com seu ídolo Martin Scorsese em “Os Bons Companheiros”, “Cabo do Medo” , “A Idade da Inocência” e "Casino".

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LUIZ GÊ E OS IMPLACÁVEIS