segunda-feira, 27 de setembro de 2010

A IMPRENSA E O PÚBLICO (Folha de S.Paulo 14/07/1983)

 

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PAULO FRANCIS

O sr. Roberto Carlos está processando dois amigos meus, Ruy Castro e Fernando Pessoa Ferreira, porque Ruy escreveu um artigo sobre o sr.Carlos, “O Que Ninguém Conhece” (é uma boa pergunta se vale a pena conhecer) e Fernando editou. E bobagem, claro, mas é uma interferência censora sobre o livre exercício do jornalismo. Não é atoa que, em 1965, o sr.Carlos foi considerado por maliciosos esquerdistas  “A Patativa da Ditadura”, quando berrava que queria ser “aquecido no inverno” (onde ? no Rio Grande do Sul ?) e que tudo mais “fosse para o inferno”. Quando o estupro é inevitável, relaxe e aproveite.

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Só vi o sr.Carlos uma vez, em “O Pasquim”, numa entrevista. Ele me pareceu modesto. Como disse Winston Churchil de Clement Attlee, tem toda a razão de ser modesto… A voz é banal. As músicas (referência genérica) são de um sentimentalismo mais repulsivo do que o habitual. Mas não há dúvida que foi e deve ser amado por muita gente. E quer submissão da imprensa. Fica furioso quando repórteres lhe fazem perguntas sobre a vida particular. Deve-se supor músico importante. Sou todo pela santidade da vida particular, mas músico pop é objeto de consumo, é símbolo sexual. Sem isso, não existiria. Não é afinal o que o sr.Carlos vá ficar na história. Será consumido e esquecido.

A culpa é da imprensa. Se Caetano Veloso não tivesse sido endeusado (está aqui baianamente curtindo o terrível calor do momento, com publicistas e tudo. Mais uma vez “Noviorque” se curva etc.), não diria ao ser criticado por um show que nada mudaria mas que gostaria de mudar a imprensa. O sr.Chico Buarque não teria chamado os críticos de censores (poderia mais plausivelmente chama-los de idiotas…) . A culpa é da imprensa porque promoveu essa gente ao delírio, em detrimento de manifestações culturais mais saudáveis para nossa sociedade doente. atrofiada.

Mas é argumentável que Caetano e Chico têm talento. Fica aqui argumentado. O sr.Carlos é diferente. Ele é da escola da “Revista do Rádio”, da Wandeca (sempre me perguntam se fui torturado na cadeia. Uma vez, na prisão de “O Pasquim”. Na cela, ao lado de soldados, eles ouviam dia e noite Wandeca), do chulé das macacas de auditório. Logo é natural que esteja sempre “com novo romance enlouquecedor”, e quejandos.

Mas já que recorre à Justiça para censurar jornalistas , que afinal exploram o que ele precisa ter explorado para se manter em sucesso (uma contradição ? Claro. Mas não esperemos dos nossos “gênios pop” um mínimo de inteligência sequer), o que editores mais conscientes dos direitos e inimigos da imprensa deveriam fazer seria bani-lo dos jornais. Afinal, não faltaria chulé. Há sempre algum moçoilo ou moçoila de violão e pé na cadeira, gritando. As massas, como os leões romanos, nunca passarão fome em matéria de detrito cultural.

Um assunto um pouco mais sério é um certo George Will. Cara de fuinha, mestre do lugar-comum. Will agora é atacado na imprensa americana por colegas porque teria treinado Reagan para o debate contra Carter em 1980, sabendo que Reagan tinha papéis confidenciais de Carter, sem nada dizer, e por isso dizem que ele violou ética jornalística.

Francamente. Quem já leu Will sabe que é descendente de Genghis Khan. É um propagandista do privilégio, da repressão e do militarismo. Admira profundamente Reagan. Como todo jornalista, excetuando algumas pessoas que conheço, é gente de segunda categoria. Nada mais pândego que exigir de propagandistas do “establishment” que se portem como jornalistas independentes. São parte do sistema, ajudam os poderosos a ludibriar as massas o tempo todo, ao contrário do que imaginava Lincoln, que acreditava que não se pode enganar o povo o tempo todo…

Não só brasileiros são ingênuos. Somos menos inocentes de Freud, ou seja, do sentido das palavras. Um deputado do PMDB aqui disse ontem que não se escreve história com baioneta ou fuzil. Ao contrário, é plausível argumentar que só se escreve história com baioneta, fuzil ou equivalente, de Julio César a Robespierre, a Hitler e Stalin.

Li uma escritora brasileira que sabe escrever. Se chama Márcia Denser. Tem um cuidado com palavra que sempre imaginei morto aí, onde nossos escritores ou contam histórias ou propoem teses para nos salvar do capitalismo. Denser cai ocasionalmente no clichê e, pior, na frase literária, um hábito provinciano pré-Pound, mas tem uma cabeça capaz de criar o que vê, como é, sem adornos. Parabéns.

Fique com o original, não aceite imitações…

RECLAME – MELHORAL, VIKELP E NALLY

 

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SHERLOCK HOLMES Nº 10

 

Ebal (1975)

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domingo, 26 de setembro de 2010

BLUES NA SUCURSAL DO PARAÍSO (Folha de S.Paulo, 27/11/1983)

 

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PEPE ESCOBAR

“Star People”, o último LP de estúdio de Miles Davis, lançado em julho nos EUA e Europa, vem logo após uma obra-prima do rei do trumpete, o álbum-duplo ao vivo “We Want Miles”, de 82. Para começar, uma esculhambação na CBS brasileira: estes dois discos precisam ser lançados imediatamente aqui, antes que uma legião de milosóficos cometa haraquiri ao som de “My Funny Valentine”.

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Em “Star People”, Miles prega-se às raízes. Ou seja, blues. Quando Miles toca blues, o ouvinte é imediatamente nocauteado. O efeito é direto – embora ele às vezes comece um solo discreto para depois expandir o tema ao grupo.

E que grupo. O baixo tonitroante de Marcus Miller acompanha a linha temática das guitarras estilhaçadas de Mike Stern e John Scofield, perseguidas pela inexorável selva percussiva de Al Foster e Mino Cinelu, mas ancorada em uma delicada backbeat.

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Quando Miles entra neste ringue sonoro, é fogo. Pode ser em “Come Get It”, tema uptempo ao estilo de James Brown, que começa em meio-tom no volume máximo. Ou no andamento funk de “U’n’I”. Ou na artilharia funk de “Speak”. Ou no blues lento de “Star People”. Os sons do trumpete dourado vão do suspiro ao grito esganiçado. Miles brinca como Cassius Clay nos seus velhos tempos. Escapa, dribla, pica e ecoa a seção rítmica. O clima é de uma jam infernal.

“Star People” é o clímax. Miles ataca uma introdução etérea nos teclados, acompanhando a guitarra picante de Scofield, e termina aterrissando em um blues lento, dilacerante. Quando menos se espera, ele aparece por trás da batida, como um fantasma endiabrado. São fraseados-relâmpago, criando um feeling inigualável de lamento por uma angústia fatal.

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Depois da gravação deste disco, houve mudanças na banda que acompanha Miles. Saiu Mike Stern, o guitarrista hard. Mas entrou um tecladista da pesada, Robert Irving, e um novo baixista Derryl Jones, neguinho virtuoso de 20 anos de idade. Tudo ficou muito mais martelado, funk e selvagem, de acordo com o que se viu nos shows de Paris no mês passado.

Mas “Star People” fica como uma lembrança memorável: ouvir o esquivo e diabólico Miles contemporâneo tocando blues é o exílio que todos queriam na sucursal do Paraíso.

Miles na turnê de lançamento do disco…

ANGELA DORIAN – VICTORIA VETRI

 

Hoje ela completa 67 anos.

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Angela Dorian era uma simpática atriz que nos anos 60 atuou em filmes menores, sempre como coadjuvante, sobretudo séries para a TV.

Em 1967 sua beleza juvenil despertou o interesse da Playboy revista para a qual fotografou.

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A partir daí foi escalada para um bom papel em “O Bebê de Rosemary”, de Roman Polanski.

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O impacto psicológico do filme fez com que  mudasse o visual, pintase os cabelos de loiro e também trocasse o nome. Era uma espécie de morte e certamente sua melhor atuação… Essa “reinvenção” pode ter sido causada pelo impacto que o filme representou naquele período. Mas ela nunca fala sobre seu passado.

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Agora com o pseudônimo de Victoria Vetri ela participaria de dois cult-movies adorados por cinéfilos de todas as idades: “Quando Os Dinossauros Dominavam a Terra” e “A Invasão das Mulheres Abelhas”.

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Sua última atuação foi em 1975, ano que, aparentemente (?), encerra sua carreira de atriz.

mais sobre ela:

http://www.imdb.com/name/nm0895407/

RECLAME – EMPIRE, PHILIPS E ZENITH

 

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A VOLTA DA GRAÚNA

 

Geração Editorial (1994)

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LUIZ GÊ E OS IMPLACÁVEIS