Günter Nitschke
(1999)
Hoje em dia a tulipa é considerada uma flor relativamente comum. Contudo, no auge da “tulipamania” que dominou a Holanda de 1534 a 1637, os bulbos de tulipa chegaram a alcançar preços astronômicos. Um comprador anônimo pagou , por um único bulbo de uma variedade rara de tulipa chamada “Viceroy”, três toneladas de trigo, oito toneladas de centeio, quatro bois, oito porcos, 12 carneiros, dois barris de vinho, mil galões de cerveja, 500 galões de manteiga, 500 quilos de queijo, uma cama completa, um jogo de roupas e uma caneca de prata. Colecionar tulipas tornou-se moda entre os ricos, porque as flores eram tão raras e delicadamente bonitas. A moda logo estendeu-se às classes médias e inferiores, a posse de tulipas tornando-se um símbolo de status, assim como um meio de obter lucros rápidos.
O dinheiro vinha para a Holanda de todas as partes. As pessoas investiam as economias da vida inteira, na compra e venda de tulipas, que estavam sendo negociadas a preços exorbitantes. Mas, tão rapidamente quanto começara, a loucura terminou. Muitas pessoas que julgavam ter alcançado segurança financeira descobriram-se subitamente com bulbos que não podiam ser vendidos pelos altos preços por que haviam sido comprados. O mercado desmoronara fragorosamente e a economia holandesa ficou profundamente abalada.
(Irving Wallace)
Entre as flores vivas no jardim de “Through the Looking-Glass”, de Lewis Carroll, o Lírio Tigrino é o mais loquaz. O Lírio Tigrino afirma que todas as flores podem falar, “quando há alguém para quem valha a pena falar”. Quando Alice indaga por que nunca ouviu flores falarem em outros jardins, o Lírio Tigrino explica: “É que na maioria dos jardins fazem os canteiros muito macios… e por isso as flores estão sempre dormindo.”
Embora o crisântemo seja bastante popular em todo o Japão, não é cultivado na cidade de Himeji, cujos habitantes consideram que dá azar até mesmo carregar um. Segundo a lenda, há muito tempo atrás vivia ali, num castelo, uma serva chamada O-Kiku (“Botão de Crisântemo”). Entre as suas responsabilidades , estava a de cuidar de dez pratos de ouro. Um dia ela descobriu que um dos pratos tinha sumido. Temendo que a culpassem pelo desaparecimento, ela jogou-se num poço e morreu afogada. Naquela noite e em todas as noites seguintes o espírito dela voltou ao castelo, para contar os pratos. Cada vez que chegava a nove, o fantasma deixava escapar um grito lancinante e recomeçava a contar.
Os moradores do casteloforam forçados a ir embora. E como um gesto de respeito ao espírito conturbado de O-Kiku, os habitantes de Himeji concordaram em não cultivar crisântemos na cidade.
No famoso livro “A Dama das Camélias”, Alexandre Dumas Filho criou a personagem título, também conhecida como Marguerite Gautier. A história baseou-se na vida de Marie Duplessis, uma linda cortesã francesa da década de 1840, que tinha uma grande paixão por flores de qualquer espécie. Quando Marie morreu de tuberculose, aos 23 anos, Dumas, que fora um dos seus amantes, recordou os dias que haviam passado juntos e a atração especial dela por camélias. Na novela, Marguerite não aparece com qualquer outra flor que não uma camélia. Durante 25 dias do mês ela usava camélias brancas e, nos restantes cinco dias, camélias vermelhas.
(I.A.)
A 28 de agosto de 1793, um cravo foi usado numa última tentativa de salvar Maria Antonieta da guilhotina. Ela estava encarcerada na Congiergerie, em Paris, quando o Chevalier de Rougeville, um nobre realistaque estava disposto a arriscar tudo para salvá-la entrou na cela com o inspetor (um amigo secreto).
Ele deixou cair um cravo atrás da estufa e indicou-o a Maria. Assim que ficou sozinha, ela pegou o cravo e encontrou entre as pétalas um pequeno bilhete. Estavam levantando dinheiro para subornar o carcereiro dela, Gilbert. Não tendo pena nem tinta, ela usou uma agulha para rabiscar uma resposta num pedaço de papel, que entregou a Gilbert. O carcereiro, confuso com a vultosa quantia que lhe foi oferecida, esperou por cinco dias antes de comunicar o incidente a seus superiores.
Maria Antonieta foi colocada sob guarda mais reforçada. Foi executada a 16 de outubro de1793. A rainha destruiu o bilhete que havia recebido, mas sua resposta está preservada nos Arquivos Nacionais da França, em Paris.
(Amy Wallace)