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quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

GERTRUD, HERMAN HESSE

“20/07/74

Edi; Neca

Estou no avião, a uma altitude de não sei quantos pés… saí de Curitiba às 14:30 horas. Sentei-me ao lado de um casal muito bacana, jovens daqueles que se esquecem da vida em altitudes atmosféricas. Fizemos um "pouso descanso” em Florianópolis e agora estamos beirando o oceano. É fabuloso!…














Sinceramente fazer uma escala de vôo pela Transbrasil é algo de bastante interessante… Imagina o que vejo dessa altura (de não sei quantos pés) - ôpa, o avião deu uma leve inclinada de asas - É bom para dormir!… Sinto vontade de deitar-me numa piscina ou nas nuvens da piscina do céu. O horizonte chega a ficar meio avermelhado como se fosse laranja doce prestes a amadurecer.




(Depois eu te conto o resto, Agora vou tomar meu suco e comer sanduíche tá?)“

site eutededico.com.br


quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

A ESTÉTICA DO FRIO (Vitor Ramil)


Assim como o gaúcho e o pampa, a milonga é comum a Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina, inexistindo no resto do Brasil. A discussão em torno de sua origem expressa bastante bem sua relevância no encontro dessas três culturas: há teses para sua origem rio-grandense, sua origem argentina e sua origem uruguaia; sua ascendência ora é portuguesa, ora espanhola, ora latino-americana mesmo, mais especificamente cubana. Para o compositor uruguaio Alfredo Zitarrosa, que chamava a milonga de blues de Montevideo, a capacidade de fundir-se a outros gêneros sem dificuldade era uma de suas características; o argentino Atahualpa Yupanqui afirmava que as formas possíveis da milonga seriam tantas quantas fossem as possíveis formas de tocá-la. Do lado de cá das fronteiras, modestamente, eu a associava à imagem altamente definida do gaúcho e do pampa. A milonga me soava uma poderosa sugestão de unidade, a expressão musical e poética do frio por excelência.

A milonga, que estivera sempre no fundo das minhas escolhas como uma voz íntima, à espreita, agora se fazia ouvir mais claramente. Eu a percebia como uma forma musical simples e concisa a serviço do pensamento e das palavras – o vocábulo milonga é de origem africana, plural de mulonga, que significa "palavra". Existe a milonga para dançar, alegre, em tom maior, apropriada ao som forte do acordeom. Mas eu estava pensando na milonga pampeana ou campeira, ou ainda milonga-canção, como for, quase sempre em tom menor; simples e monótona, segundo a definição de um dicionário. lenta, repetitiva, emocional; afeita à melancolia, à densidade, à reflexão; apropriada tanto aos vôos épicos como aos líricos, tanto à tensão como à suavidade, e cuja espinha dorsal são o violão e a voz. Uma forma que, quanto mais dela se extraísse, mais expressiva ficaria. Que outra, se não essa, escolheria o gaúcho solitário da minha imagem para se expressar diante daquela fria vastidão de campo e céu? Que outra forma seria tão apropriada à nitidez, aos silêncios, aos vazios? Em sua inteireza e essencialidade, a milonga, assim como a imagem, opunha-se ao excesso, à redundância. Intensas e extensas, ambas tendiam ao monocromatismo, à horizontalidade. O frio lhes correspondia aguçando os sentidos, estimulando a concentração, o recolhimento, o intimismo; definindo-lhes os contornos de maneira a ressaltar suas propriedades: rigor, profundidade, clareza, concisão, pureza, leveza, melancolia.

Isso significava que uma estética do frio resumir-se-ia à forma da milonga? Não. Eu não era o gaúcho altamente definido da imagem. Significava que, por sua poderosa sugestão formal, a milonga, na descrição mais generalizante a que se pudesse chegar de uma estética do frio, não estaria nunca menos que na subjacência. E não só pela sugestão formal, também por ser um elo entre Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina e por sua popularidade e presença no imaginário dos rio-grandenses, característica esta que fazia dela uma justa e comprovada expressão da nossa sensibilidade, das nossas contrapartidas frias que, não obstante nos definirem e distinguirem, apareciam sempre aguadas perante o colorido local artificialmente avivado da nossa caricatura. Em muitas oportunidades, deparei-me com exemplos claros do alcance da milonga entre nós: emoção, lágrimas ou a confissão de um "estranho sentimento de patriotismo" de rio-grandenses criados na capital ou até mesmo longe do estado, gente sem nenhuma relação direta com o interior e a cultura campeira. Eu mesmo nasci e me criei no litoral, vivi sempre em grandes cidades. O fato de compor milongas, por si só, já evidenciaria sua presença em meu imaginário. Mas não foram poucas as vezes em que, ao compor, me pus a chorar. É significativo que, em um país em que as músicas representativas das regiões sejam am em sua maioria um convite à rua, à alegria, à dança, à extroversão, a milonga, e seu chamado à interioridade, seja a que fala de nós rio-grandenses com mais propriedade. Aqueles roqueiros e nativistas que se odiavam não deixariam de encontrar nela um ponto de contato.



Ao me reconhecer no frio e reconhecê-lo em mim, eu percebera que nos simbolizávamos mutuamente; eu encontrara nele uma sugestão de unidade, dele extraíra valores estéticos. Eu vira uma paisagem fria, concebera uma milonga fria. Se o frio era a minha formação, fria seria a minha leitura do mundo. Eu apreenderia a pluralidade e diversidade desse mundo com a identidade fria do meu olhar. A expressão desse olhar seria uma estética do frio.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

ANTOLOGIA DO ÊXTASE (Pierre Weil)

    Quando se busca a harmonia na vida, jamais se pode esquecer que nós próprios somos, ao mesmo tempo, atores e espectadores.
     Ao buscar distinguir as frases pronunciadas pelos místicos e pelos físicos, o leitor terá, sem dúvida, uma idéia da dificuldade desse teste, composto por sessenta e duas frases.
      Os autores dos seis exemplos acima são: 
1. Einstein
2. Vivekananda
3. Santo Agostinho
4. Max Planc
5. Preceito da doutrina suf
6. Niels Bohr

Não é de admirar, portanto, que assistamos cada vez mais a encontros entre físicos e místicos. Poderíamos citar Einstein e Tagore, Paoli e Jung, ou, ainda, David Bohmn e Krishnamurti.1 Poderíamos mencionar também as numerosas conferências de encontro entre ciência e tradição, como as de Cordoue e Sukkuba, que resultaram na Declaração de Veneza, da Unesco. Esta última assinada por diversos prêmios Nobel, reconhece que a ciência atingiu os limites onde se revela a necessidade de sua aproximação com as tradições espirituais.
Além disso, trata-se de um grito de alerta com respeito à aplicação unilateral da tecnologia científica divorciada da sabedoria primordial.

A DESCOBERTA DA UNIDADE FUNDAMENTAL

    DAS TRADIÇÕES ESPIRITUAIS


O despertar desta sabedoria primordial, inseparável do amor, constitui o apanágio e o objetivo essencial de toda tradição espiritual – seja ela hinduísta, budista, islâmica, cristã ou judaica. Até o século XX, a comunicação entre estas tradições era verdadeiramente pobre. Salvo raras exceções, a desconfiança ou mesmo a hostilidade eram a regra, ocasionando, muitas vezes, conflitos, massacres e guerras religiosas. A partir do início deste século, os diálogos e encontros entre representantes dessas diferentes tradições se multiplicam. Pouco a pouco percebemos a unidade fundamental de sua meta: o estado transpessoal. As vias que a ele conduzem constituem as diferentes metodologias, que, na prática, não convém misturar.


 A forma mais eloqüente de demonstrar essa unidade de tradições é fazer o que estamos apresentando hoje ao leitor, ou seja, reunir testemunhos oriundos de diferentes tradições a fim de compará-los entre si; este é um dos objetivos essenciais da psicologia transpessoal, conforme veremos adiante. Esta descoberta de pontos comuns em tal experiência confirma plenamente o que já fora pressentido nos encontros inter-religiosos, podendo ser considerada, do ponto de vista da pesquisa, uma hipótese fundamental, que enunciamos da seguinte maneira:
O estado transpessoal é idêntico em todas as tradições espirituais. Trata-se de um estado incondicionado e, portanto, independente de toda influência cultural.
Uma vez demonstrado, e tudo indica que está em vias de sê-lo, este fato contribuirá imensamente para aproximar as tradições e desenvolver atitudes de respeito e mesmo de colaboração mútua. Dessa forma, uma tradição ainda intacta pode revitalizar uma outra. Diversos monges e padres cristãos afirmam terem se tornado mais cristãos após um estágio em monastérios hinduístas ou budistas.
Cerca de quarenta anos atrás, durante um colóquio de estudos carmelitas de psicologia religiosa e mística comparada, Olivier Lacombe1 já declarava:
Estou persuadido, juntamente com R.P. Bruno, que será do mais alto interesse repensar nossos métodos espirituais ocidentais à luz de uma reflexão aprofundada sobre as técnicas somáticas e psíquicas, ou seja, do homem integral, pelas quais o Oriente cristão e não-cristão promovem as vias de uma espiritualidade sobrenatural explícita para o primeiro, e de uma espiritualidade natural ou sobrenatural implícita para o segundo.
A presença de elementos técnicos em nossos métodos não é duvidosa. Sua sistematização cada vez mais apurada somente nos trará benefícios. Seria necessário, também, investigar mais de perto esses estados complexos em que a atividade tipicamente humana e a oração transcendente se reúnem.
Ao publicarmos esta coletânea de testemunhos, fazemos esse convite para “investigar mais de perto esses estados complexos”.

domingo, 10 de dezembro de 2017

ARCANOS CELESTES (Emanuel Swedenborg)

LIVRO DE GÊNESIS 

1. Nenhum mortal compreende, pela letra, que a Palavra do Antigo Testamento contém arcanos do céu e todas e cada uma das coisas se referem ao SENHOR, ao Seu Céu, à Igreja, à fé e às coisas que são da fé. Pois, pela letra ou sentido literal, ninguém vê outra coisa a não ser aquilo que em geral se refere aos externos da Igreja Judaica, quando, todavia, há em toda parte coisas internas que nunca se manifestam nos externos, além das pouquíssimas que o SENHOR revelou e explicou aos apóstolos, como, por exemplo, que os sacrifícios significam o SENHOR e a terra de Canaan e Jerusalém significam o céu, pelo que este é chamado Canaan, Jerusalém Celeste e semelhantemente Paraíso.

2. Mas o mundo cristão ainda ignora completamente que todas e cada uma das coisas, mesmo as mais singulares, até o menor iota, significam e envolvem coisas espirituais e celestes; por isso, também, pouco cuida do Antigo Testamento. Mas, só pelo fato de que a Palavra é do SENHOR e vem do SENHOR, eles podem saber que ela não poderia existir se não tivesse em seu interior coisas tais as que são do céu, da Igreja e da fé. De outro modo não pode ser chamada Palavra do SENHOR e nem se pode dizer que tem em si alguma vida. Pois de onde vem a vida senão das coisas que são da vida, isto é, senão do fato de todas e cada uma das coisas se referirem ao SENHOR, Que é a vida mesma? Por isso, tudo o que interiormente não se referir ao SENHOR, não vive; até mesmo um vocábulo, na Palavra: se não envolvê-Lo ou não se referir a seu modo a Ele, não é Divino.

3. Sem uma tal vida, a Palavra é morta quanto à letra. Com efeito, a Palavra é como o homem, que, como se conhece no mundo cristão, é externo e interno. O homem externo separado do interno é o corpo e, assim, é morto; o interno é o que vive e faz o externo viver. O homem interno é a sua alma. Assim a Palavra, que, quanto à letra somente, é como um corpo sem alma.

4. Pelo sentido da letra, só, quando a mente a ele se adere, não se pode ver em parte alguma que esse sentido contém tais coisas; como esta primeira parte de Gênesis: pelo sentido da letra não se pode em parte alguma conhecer outra coisa senão que aí se trata da criação do mundo e do jardim do Éden, que é chamado Paraíso, e, depois, de Adam como o primeiro homem criado. Quem pensa outra coisa? Mas que estas coisas contêm arcanos que ainda não foram revelados em parte alguma, pode-se ver muito bem pelo que se segue. Que, por exemplo, o primeiro capítulo de Gênesis trata, no sentido interno, da nova criação do homem ou de sua regeneração em geral, e da Igreja Antiqüíssima em particular. E, na verdade, é assim: não há o menor vocábulo que não represente, signifique e envolva algo espiritual.

5. Mas nenhum mortal jamais pode saber que a coisa é assim, a não ser pelo SENHOR. Por isso é permitido manifestar de antemão que, pela Divina misericórdia do Senhor, foi-me concedido estar, agora desde alguns anos, continuamente e sem interrupção, em associação com espíritos e anjos, ouvi-los falar e falar igualmente com eles. Daí foi dado ouvir e ver coisas surpreendentes que há na outra vida, que nunca vieram ao conhecimento ou à idéia de homem algum. Lá, fui instruído sobre espíritos de diversos gêneros; sobre o estado das almas após a morte, sobre o inferno ou o estado lamentável dos infiéis; sobre o céu ou o estado felicíssimo dos fiéis; e, principalmente, sobre a doutrina da fé que é reconhecida no céu universal. Pela Divina misericórdia do Senhor, muitas coisas sobre estes assuntos serão ditas na seqüência. 



DRÁCULA

Há 40 anos...