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domingo, 3 de janeiro de 2010

E O PLAYSTATION ACABOU COM O PARQUE DE DIVERSÕES

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Estive pensando no nome daquele parque enorme, que eu avistava todos os dias quando trabalhava na Zona Norte. Playcenter. Logo,”centro de jogos” numa tradução literal. Os anos se passaram e com eles chegaram os parques aquáticos como Hopi Hari e Wet’n’Wild. A cena você já conhece: um monte de baleias brancas com sungas e biquínis minúsculos violentando o bom gosto e bom senso.

Alguém ainda vai a parques de diversões ? Alguém já roubou um beijo quando a roda gigante estava lá em cima ou abraçou mais forte o par no escurinho do trem-fantasma ?

Alguém ainda faz pose de John Wayne ao atirar (e errar) naquelas espingardas de rolhas com mira torta ?

Fala sério... Não era o máximo observar a transformação da mulher de biquíni na Monga, a Mulher-Gorila ?

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Fui, ainda adolescente, no Playcenter lá pelos anos 1981 ou 1982. Tinha uma atração chamada Montanha Encantada que era de um luxo e beleza embasbacante.

Já no início dos anos 1990 os parques radicalizavam nos brinquedos: Navios vikings que te balançavam na fronteira do vômito, dois pêndulos chamados cataclismas que te balançavam em sentido anti-horário chegando a dar voltas de 360º e o double shock: gôndolas que te giravam de ponta-cabeça nos dois sentidos e que tinha por objetivo colocar o seu estomago no lugar do coração e vice-verso...

A garotada foi ficando mais hard e selvagem e a magia dos “centros de diversões” além de nostálgica era agora coisa de tiozinhos. Um passado sem volta. Foto desbotada no fundo de uma gaveta.

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Bacana em 2010 é o “Doom” , “Carmageddom” e dezenas de outros títulos de games onde os fracos não tem vez.

Ó o auê aí ô ! Dá hora !

Dias destes por ocasião das festividades de fim de ano, parte da família reunida, minha mãe me diz que meu tio quando jovem tinha o hábito de desamarrar cavalos e dar uma volta com eles pelo bairro, isso quando não nadava pelado na lagoa de um sítio nos arredores.

Passados uns 15 anos, eu jogava bola na rua, soltava pipa e corria com carrinhos de rolimã.

Foi bacana, mas hoje eu não conseguiria zerar o Mortal Kombat nem o Manhunt né ?

Por que estou escrevendo isso ? Sei lá, talvez um flashback natalino ao ver alguns presentes serem abertos e não encontrar o Ferrorama em nenhum deles...

 

Acima o Molejo, como diria o Premê: o melhor dos iguais.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

O MOMENTO EM QUE VIRAMOS PALHAÇOS

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Em toda a minha vida me recordo de ter ido ao circo umas quatro ou cinco vezes. Tudo o que se comenta sobre magia e tristeza perpetradas pelos personagens que integram este universo nunca me pareceu exagero. É tudo verdade. Tristeza ao som de fanfarras.

Assim, aquela história de fabricar o riso no rosto dos espectadores enquanto se vive um grande dilema pessoal surge de forma natural dando um chega pra lá em qualquer tipo de clichê. A vida é o que o circo tentou e miseravelmente não conseguiu nos apresentar em espetáculo de duas horas com atrações diversas.

Com uns 9 ou 10 anos fui pela primeira vez num circo, talvez o Vostok, lá em Vitória do Espírito Santo, quando fui visitar uma tia. Na segunda vez com uns 14 ou 15 anos, em Santo André, pude assistir aquele tradicional número da mulher serrada ao meio e transpassada por espadas num caixote. Anos depois com uma namoradinha andei na roda gigante, comi maçã do amor, atirei com espingardas de pressão com rolhas no lugar de munição e tentei laçar um brinde qualquer com aquelas argolas. Tudo isso era o “lado de fora do circo”. Imaginem...

Minha percepção deste tipo de lugar mudou quando um velho amigo de infância me confidenciou que havia encontrado o pai, sumido há uns 10 anos, no circo que se instalava, por pouco tempo na cidade. O fato é que este amigo trocou algumas palavras com o pai, que o abandonara ainda criança, e neste breve encontro ele relatou o arrependimento pela  decisão impensada, a sua nova família – os colegas de circo, a luta contra o alcoolismo e a doença que o minava aos poucos.

Após este encontro e alguma relutância meu amigo retornou poucos dias depois ao local para vê-lo mais uma vez. Foi informado pela trupe de artistas que seu doente pai havia morrido e como último desejo lhe deixara uma maleta de couro com alguns pertences (um relógio de pulso, o anel de casamento, uma navalha e um chapéu). O simples relato de tudo isso me levou às lágrimas e me fez recordar na hora que eu também não tinha pai e até algumas passagens triste da minha infância.

Há uns 10 anos atrás com outro amigo tive a alegria bizarra de presenciar um decadente espetáculo em um circo muito pobre e improvisado que não possuía globo da morte, elefantes, nem trapezistas. O principal momento se devia aos contorcionismos de uma menina de uns 12 anos chamada Suellen que escapava de uns labirintos de metal enquanto fazia evoluções com uma bola de plástico e provava que era invertebrada (tamanha era sua mobilidade e agilidade capaz de fazer corar as Nádias Comanecis da vida real...). Um urso nervoso, por estar aprisionado numa gaiola minúscula, dava o tom melancólico do local.

Nem é preciso dizer que a intenção do riso naquele momento tinha sido trocada por um nó na garganta e um sorriso meio amarelo do tipo “mas o que é que eu estou fazendo aqui ?” estampava o meu rosto.

Claro que o universo circense sempre foi muito explorado, cantado em verso e prosa e edulcorado para as massas como um pedacinho do céu que desceu à terra. Nada mais falso. Dos dramas pessoais do profeta Gentileza (testemunha ocular do incêndio no Gran Circus Norte Americano, em 1961, em Niterói. 400 vítimas) ao fim destes espetáculos mambembes por pura falta de local (e porque não dizer público) para se instalarem (especulação imobiliária devorando qualquer área ociosa), o retrato de um show inventado séculos atrás via sua morte lenta ser finalmente decretada. Era o momento muito aguardado por outros tipos de profetas. Os arautos da modernidade.

Em 2009, nova tecnologia e entretenimento eletrônico são a bola da vez. Não é mais necessário pagar tributo ou confessar qualquer influência. Pelo contrário; revivalismo e saudosismo são vistos como doenças numa sociedade que prega o novo e a evolução para sempre. Qualquer demora, retomada ou capitulação é considerado um flagrante sinal de fraqueza.

Cirque Du Soleil e Blue Man Group. Estas duas agrupações me vem à memória como retratos da subversão do conceito geral de espetáculo. Se antes tínhamos medo (mulher serrada), coragem (domador de leões), alegria (palhaços), habilidade corporal (trapezistas) e domínio técnico (globo da morte) ; hoje temos explosão de som e cor para massas apalermadas que parecem nunca terem assistido os videoclipes da MTV ( a origem disso tudo). A coisa podia até ser deixada pra lá não tivessem invocado o sacrossanto nome dos Beatles (Projeto Love) numa destas armações a fim de fisgar também o público quarentão. Nem falo na parceria Cid Moreira-Mister M…

Como dizia aquela música do palhaço Carequinha “Você faz xixi na cama ?” . Se a resposta for não, por que deixamos hoje que façam outras coisas bem piores nas nossas cabeças ?

É isto o que nos venderam  como  “progresso” ?

REMEXENDO O BAÚ DO PIOLIM (1897-1973)

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Piolim , figura lendária que reinou, com enorme popularidade, por mais de cinquenta anos. Encarnou o papel de “palhaço do povo”. Sua indumentária era composta de um jaquetão maior que o seu tamanho, na verdade bem exagerado, sapatos nº 84, bico largo e sua famosa bengala no formato anzol de pesca. Piolim emergia de seu colarinho impossível e pela milésima vez repetia as velhas piadas que divertiam nossa infância. Era ainda um grande ginasta e equilibrista.

“O Namoro dos Sabiás”, quando encarnava diversos passarinhos, era um momento esperado e marcante de sua arte de palhaço.

Abelardo Pinto, seu verdadeiro nome, emprestou mesmo até sem saber o personagem que criou para diversos outros palhaços de circos Brasil afora. Conquistou o respeito de intelectuais da Semana de Arte Moderna em 1922, o presidente Washington Luis era seu fã e costumava assisti-lo e ,provando que não se prendia ideologias, colaborou com o Mobral e ajudou na alfabetização do povo brasileiro na década de 1970.

Sua estrutura física: magro e pernas compridas deu origem deu origem ao apelido, um tipo de barbante.

TÁ CERTO OU NÃO TÁ ? - CAREQUINHA (1915-2006)

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George Savalla Gomes, o Carequinha, foi um dos mais famosos palhaços brasileiros. Filho de trapezistas nasceu no circo, sua mãe grávida entrou em trabalho de parto em pleno picadeiro. Com cinco anos já se apresentava como Carequinha e aos 12 já tinha fama em Minas, Rio e São Paulo.

Em 1938 cantou pela primeira vez suas marchinhas na Rádio Mayrink Veiga e anos depois foi o primeiro palhaço, antes do Bozo, a ter um programa de TV no Brasil, “O Circo Bombril”(depois rebatizado “Circo do Carequinha). Ficou no ar por 16 anos na TV Tupi. Na década de 1960 fez uma longeva turnê que partia do sul de Santa Catarina, cortava todo o estado do Rio Grande do Sul e terminava no Uruguai. Também se apresentou na Argentina.

Em 1976, o cineasta Roberto Machado Junior fez um documentário sobre Carequinha com o próprio como autor do roteiro. Onde acho isso ?. Quatro anos depois estrelou o programa “Circo Alegre” na extinta TV Manchete e, ironia do destino, foi dirigido por Marlene Mattos que incorporou brincadeiras e características fundamentais do seu programa para então utillizar num outro, o “Clube da Criança” da apresentadora Xuxa.

"Eu inventei essas brincadeiras com crianças, tão comuns hoje nos programas infantis. Eu as pegava para dar cambalhota, rodar bambolê, calçar sapatos, vestir paletó primeiro, brincadeiras com maçã e furar bolas", conta o palhaço.

Seu último trabalho na TV foi uma participação na minissérie “Hoje é Dia de Maria” em 2005.

COMO VAI , COMO VAI, COMO VAI ? - ARRELIA (1906-2005)

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Waldemar Seyssel, o palhaço Arrelia, começou a atuar ainda criança após ter assimilado a arte circense ensinada pelo pai. Começou a atuar no circo do tio , em Santiago do Chile, e se caracterizou pelo choro. O papel pedia uma criança chorona. Daí sua marca registrada. Era também trapezista e ginasta nas camas elásticas.Seus pais, também oriundo do circo, abandonaram um giro que o Grande Circo Inglês, dos irmãos Charles, faziam pela América do Sul, e decidiram se fixar aqui mesmo no Brasil. A decisão acabou sendo a responsável pelo desenvolvimento da linguagem circense nas nossas terras e serviu de modelo para diversos outros circos e palhaços. O Palhaço Pimentinha era seu sobrinho e o Palhaço Aleluia seu irmão.

Em 1958 foi contratado para trabalhar na TV Record e não perdia a oportunidade de bradar em seu programa que o circo não progredia no Brasil por falta de escolas de circo. “Sou o último que ainda quer o picadeiro de terra batida, a arquibancada circular, envolvendo o pavilhão, os camarins sem luxo, o pipoqueiro na porta e na marquise do circo. Não sei se conseguirei, mas minhas reivindicações estão ai há anos, esperando uma decisão favorável das autoridades”. Hoje já não precisamos. Temos o Senado.

A frase famosa do Arrelia: “Como vai, como vai, como vai, vai, vai”; a qual as crianças respondiam: “Muito bem, muito bem, muito bem, bem, bem”, ultrapassou o século e é lembrada até hoje.

O INTERNACIONAL CHICHARRÃO (1889-1982)

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José Carlos Queirolo, o palhaço Chicharrão, de origem espanhola, percorreu a França, Espanha, Portugal e no início da I Guerra Mundial fixou-se nos EUA. Decidiu continuar sua saga pelo globo indo para a América do Sul e se apresentou por Chile, Bolívia, Peru, Paraguai e Brasil. Chegou por aqui em 1910 em Santana do Livramento (RS). Foi avô do palhaço Torresmo.

Sua família era composta de acrobatas. Flertou com a ópera e arriscou algumas músicas nos seus espetáculos ao lado da cantora Petra, com quem casou e dividia suas operetas. Em 1917 veio para o Rio de Janeiro e notabilizou a figura do palhaço excêntrico e meio grotesco.

Usava com maestria o truque do osso pendurado na cordinha fazendo o carrinho puxado por um cachorro ganhar movimento.

ALÔ CRIANÇADA O BOZO CHEGOU - BOZO (1946)

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O palhaço mais famoso do mundo, ou seria o Ronnie McDonald’s ?, é um personagem criado nos EUA em 1946 por Alan Livingston que ganhou a América e depois o mundo.

No começo dos anos 1950 tinha seu próprio gibi e gravou suas canções. Ainda em 1950 estrela programas na TV norte-americana até que Larry Harmon, um dos primeiros “Bozos”, compra os direitos do personagem e o transforma em franquia.

Neste ano estilistas bolam o cabelo vermelho e espetado. Quando o programa de TV foi interpretado por Williard Scott, patrocinado pela rede de lanchonetes Mc Donald’s, o sucesso e a popularidade do palhaço acabou sendo decisivo para a construção do clone Ronald Mcdonald. Williard passou então a dividir suas atuações entre os dois palhaços.

No Brasil Bozo foi exibido pela TV Record (1980-1981) e SBT (1981-1991). O comediante Wandeko Pipoca foi o escolhido para ser o primeiro Bozo brasileiro. Luis Ricardo e Arlindo Barreto também encarnaram o personagem que foi pirateado sem traumas por diversos circos e palhaços no país.

Com o sucesso do programa outros personagens foram adicionados como o Papai Papudo (Gibe), Vovó Mafalda (Valentino), Kuki (Roni Cócegas) e Salci Fufu (Pedro de Lara). O palhaço Krusty dos Simpsons é uma parodia do Bozo. Reza a lenda que uma criança revoltada por perder na gincana da corrida dos cavalinhos (apostou no cavalo malhado) teria protagonizado o seguinte diálogo com o Bozo:

- Ganhou o cavalinho branco !(Bozo)

- Bozo, vai tomar no c... !(Criança)

- Tomate cru ? Ah a gente gosta de tomate cru ! (Bozo)

- Não Bozó, vai tomar no c...! (Criança)

- OK, OK meu amiguinho vamos comer tomate cru ! (Bozo)

DRÁCULA

Há 40 anos...