domingo, 3 de fevereiro de 2013

MICHAEL JACKSON (Bizz nº38, Setembro de 1988)


MichaelJackson1988
PEPE ESCOBAR
Stadio Communale (Turim) 29/05/88

Wacko Jacko - o mutante de uma nova raça e de uma nova era - é um personagem trágico. Inquietante. OK, o planeta inteiro sabe. Mas esta seria apenas sua imagem comercial. Wacko Jacko é um personagem astuto. Quadrisex. Mas sem nada de rebelde ou revolucionário. Um gnomo negrobranco (de empalidecer Norman Mailer) aprisionado pelo pozinho mágico de Peter Pan, embarcado, por uma alquimia pelos Circus Maximus globais, onde mesclam-se Idade Média e ficção científica, rock e dança tribal, jogos de magia e lágrimas que derretem um rímel real - o seu.
    A Bad turnê do Robopop fabricado nos laboratorius excelsis da indústria da música abriu em Roma - em legítimo registro imperial. Notáveis na tribuna - políticos, centuriões e poetas. Dezenas de milhares de leões (gatinhos) cristãos na arena sacrificial. Apoteose da jeans generation e da blank generation. O mesmo vale para Turim - o segundo show da série. Mais leões na tribuna, os que realmente mandam na Itália pós-moderna: Fiat, Olivetti (acabou a era de Antonioni e Rossellini). Sessenta mil na arena. Palco como uma gigantesca lâmpada de Aladim - acesa por um jogo de luzes vagamente apocalípticas. Surgem quatro bailarinos em dança elétrica, sincrônica, ritmo breve, respiração curta ressoando pelo estádio e rebatendo sem ferir na turba extasiada.
    Jacko tem um tremendo domínio de palco. Afinal, começou aos 5 de olho no Godfather. Sua de verdade. O suor e as lágrimas são reais. O resto é fake. Ou açúcar. Passa por um Motown medley - a memória embalsamada do passado com a brigada de irmãos. Entra em pausas assépticas insuportáveis como "I Just Cant´t Stop Loving You". Em "Human Nature" redime-se e nos coloca uma questão-chave.
    O que entende Wacko Jacko de natureza humana? Sua biografia. Moonwalk, editada pela trágica fitzgeraldiana Jackie Kennedy-Onassis, responde: nada. Seu concerto juke box responde: o sublime replicante só tem um assunto - e o assunto é seu próprio espetáculo, um mundo fechado, asséptico, impenetrável a qualquer emoção natural. Wacko Jacko assemelha-se aos replicantes com memória implantada da ficção científica, um holograma perplexo construído com chips de vozes sintetizadas.

38bEle parece querer atingir de qualquer maneira aquela massa de adoradores enlouquecidos - gente comum, assunto que Wacko não registra. Os greatest hits desfilam como um clip intergaláctico - incluindo as citações coreográficas de Fred Astaire em "Smooth Criminal" e a réplica exata do lobo Jacko em "Thriller", acompanhado de seu exército de zumbis.
    Depois de quarenta minutos, os elementos periféricos ou metafísicos do Grande Circo não mais prendem a atenção. Depois de um intervalo instrumental ocioso, Wacko surge de super-herói. Wacko, quando declara algo, é por programas pacifistas. Ou apelos ingênuos a gangues crack-Uzi. Ou súplicas tipo "não matem as lhamas". Ninguém o leva a sério - a começar pelos seus ex-irmãos de raça, mais preocupa no momento com o ambíguo triunvirato drogas/violência urbana/hip hop. Wacko Jacko não quer crescer. Não lhe interessa crescer - mesmo porque nunca teve e não sabe o que é infância e seus 30 anos atuais não passam de um número a mais para quem será o viajante especial de uma câmara frigorífica para a Eternidade.
    Em duas horas de Circo, temos dois momentos de punch: a guitarra apodrecida em "Billie Jean" e ritmo-britadeira em câmera lenta de "The Way You Make Me Feel". Final em crescendo com "Beat lt", "Billie Jean", "Bad". Fecha o bis com "Man in the Mirror". Esplêndida contradição: Jacko fala de um homem que se mira no espelho e pensa que, se quer mudar o mundo, deve começar pela imagem refletida, ou seja, ele mesmo.
    É provável - entre as noites de insônia na mansão de Encino, Califórnia, e o sonho com a câmara frigorífica - que ele se pergunte: "Espelho, espelho meu, existe um Michael Jackson mais real do que eu?"

Robopop temperando o cardápio dos italianos.

 

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SHOWGIRLS # 61

 

Zing, Smiles e Zippy

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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

O LIVRO DAS MENTIRAS DE ALEISTER CROWLEY # 6

 

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(1912)

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INDIANOS USAM RETROESCAVADEIRA PARA RESGATAR ELEFANTE PRESO EM “PISCINA”(G1, 30/08/2011)


Cena foi registrada em Bengdubi, a 25 km de Siliguri.
Filhote caiu em reservatório durante passagem de manada.

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Indianos usaram até uma retroescavadeira para resgatar um filhote de elefante que ficou preso nesta terça-feira (30) em um tanque de um reservatório de água em uma área militar em Bengdubi, cerca de 25 quilômetros de Siliguri, na Índia. O filhote selvagem caiu no reservatório de água quando uma manada cruzou a área.

DRÁCULA

Há 40 anos...