sexta-feira, 17 de julho de 2009

THREE O’CLOCK HIGH - TE PEGO LÁ FORA

te pego la fora

EUA (1987)

Direção: Phil Joanou

Elenco:Casey Siemazko, Anne Ryan, Richard Tyson, Stacey Glick, Jonathan Wise e Jeffrey Tambor

Divertidíssima comédia que marcou época na “Sessão da Tarde”, “Te Pego lá Fora” mostra o pacato e boa praça Jerry, um colegial que trabalha no jornal da escola e é amigo de todos. Meio fracote ele tem como missão entrevistar um aluno recém-chegado, o Buddy, e durante a entrevista comete o descuido de dar um tapinha nas costas do figura.

Aí é que o bicho pega. O Buddy é um grandalhão psicopata e tem fobia de ser tocado. O tapinha amigável faz com que o brutamontes se descontrole a ponto de prometer ao Jerry “pega-lo lá fora”.

A partir daí o filme vira uma comédia hilariante porque o Jerry, morrendo de medo da briga, tenta ficar amigo, paga lanche, passa cola nas provas , elogia, mas não consegue demover o fortão da promessa de esmurra-lo.

O pau está marcado para às 3 horas no estacionamento do colégio. Os minutos correm e uma sensação sádica nos invade esperando o cacete monumental que o Jerry vai tomar. Aparecem as bonitinhas solidárias que simpatizam com o franguinho jurado de morte.

Os minutos voam, amigos nerds bolam projetos falíveis que não retardam o massacre.

A gente espera impaciente pela briga. Nesta altura não importa mais nada só queremos saber do final. O sinal toca, o relógio marca a hora fatídica e os estudantes da instituição que já sabiam da briga “armam um cirquinho” a espera dos lutadores.

Como não pôde adiar a briga o Jerry se apresenta para lutar com o Buddy, este avança e soca o ar, o Jerry vai morrer, o Jerry vai virar farinha, agora o Buddy mata. Então...

Um inesperado e bem encaixado gancho de direta explode bem no queixo do Buddy que despenca igual ao Maguila quando apanhou do Holyfield. Milagre.

No fim o Buddy era o maior cuzão. Estava lutando com um soco inglês !

O Spielberg fez a produção executiva da fita

**Regular

TROPA DE ELITE

tropa-de-eliteGOOD

Brasil (2007)

Direção: José Padilha

Elenco: Wagner Moura, André Junqueira, André Ramiro, Maria Ribeiro, Fernanda Machado e Marcelo Valle

O mais importante filme brasileiro de todos os tempos, “Tropa de Elite” escancara trajetória e números tão absolutos que desmonta qualquer tentativa de quem precisa e gostaria de ver  rebaixado um trabalho irretocável como o perpetrado pelo diretor José Padilha (de “Ônibus 174”).

“Tropa de Elite” inverte todos os signos e como num tabuleiro de xadrez aplica um xeque-mate no discurso pronto de que “todo mundo é corrupto”, “a oportunidade faz o ladrão” e “está chorando porque também queria participar da bufunfa” e outras barbaridades típicas de quem mede com régua própria coisas e pessoas. Como diria um velho filósofo: “Você vai preferir acreditar nos seus próprios olhos ou no que a grande imprensa está lhe dizendo ?” Esta cegueira moral gerou esta distorção toda e fez de “Tropa” o filme mais incompreendido e manipulado desde “Metropolis” de Fritz Lang.

O filme, ao expor as entranhas do BOPE, modifica os papéis de mocinho e bandido, e o espectador já nos primeiros minutos acaba fisgado pela narração alucinante dos detalhes do cotidiano do Capitão Nascimento (Wagner Moura em atuação que reinventou sua carreira).

É provável que José Padilha nem soubesse no que estava se metendo ao radiografar o interior do competente, e muitas vezes violento, Batalhão de Operações Especiais. O estrondo de indignação, aplausos, vaias, comoção generalizada com que o filme foi recebido entre público e intelectualidade demonstra que o trabalho,parido pelo jovem diretor, foi muito além das fronteiras da sétima arte.

     Fatos e lendas cercam de todas as formas esse objeto único chamado “Tropa de Elite”. Durante as filmagens as armas cenográficas foram roubadas de dentro de uma van. Pessoal da técnica e do apoio abandonaram as filmagens temerosos que ação tivesse partido de um Bope contrariado pelo despimento total de suas operações.

O prejuízo do roubo e a demora fez com que o filme atrasasse. Foram contratados então, especialistas norte-americanos tarimbados em vídeos de ação para a agilizarem as gravações. O filme que havia sido orçado em R$ 4,9 milhões salta para R$ 10,5 milhões.

Com o filme quase sendo finalizado a grande imprensa “descobre” a obra e logo já parte para a comparação com “Cidade de Deus”. O fato foi reforçado porque o roteirista Bráulio Mantovani e o montador Daniel Rezende haviam trabalhado na superestimada obra de Fernando Meirelles.

O filme espetacularmente começa a ser vendido por camelôs do Rio e ganha as ruas e noticiário. Chega rapidinho na 25 de Março em São Paulo. Naqueles meses me recordo de ouvir um camelô explicar detalhes do filme e convencer um desconfiado comprador a “morrer” com os R$ 5. Na tentativa de frear a venda, diretor e produtora dizem que a cópia não estava finalizada. tropa-de-elite1

Tamanho barulho desperta a atenção do Ministério da Justiça que diz que atacará “a demanda”. Burocratas da Agência do Cinema lamentam o evidente prejuízo. A TV começa a falar do caso e cópias piratas chegam ao Norte e Nordeste. A esta altura “Tropa de Elite” já havia virado coqueluche nacional e o filme “que não existia”mais visto  da história do país. Campanhas pentelhas (PTelhas ?) dizendo que pirataria é crime começam  a varrer as salas de cinema e televisão aberta. Nada disso acaba dando resultado, o filme a estas alturas era assunto até internacional. Detalhe:continuava inédito nos cinemas.

Por conta do vazamento,a Paramount decide antecipar a distribuição do longa. O impacto da pirataria começa a ser incógnita na bilheteria de “Tropa”. Rodrigo Saturnino Braga , da distribuidora Columbia, relembra o fato do presidente Lula ter assistido a cópia pirata de “2 Filhos de Francisco” e acha que não há problema algum na crescente distribuição ilegal do filme.

Em outubro de 2007, José Padilha finaliza o filme e garante exibição imediatamente. A estréia não ocorre e o Lao, da 25 de Março, troca de carro importado pela terceira vez no ano... Policiais do Bope começam a relatar casos de porteiros, garçons e populares que começam a aborda-los pedindo autógrafos e sinalizando com o polegar para cima em atitude, inédita para policiais, simpática.

O site do Bope fica congestionado e uma multidão acampa em frente ao Batalhão perguntando como proceder para se tornar um membro da equipe.

Uma equipe da TV japonesa desembarca no Brasil para filmar documentário sobre o filme mais falado e assistido e que ainda não foi lançado. Voltando de uma “peregrinação” ao centro de São Paulo escuto conversa surreal de motorista e passageiro de ônibus dizendo que “Tropa de Elite” é uma espécie de “Rambo 2”.

Crianças começam a cantar o hino da tropa.

Cópias piratas surgem em quartéis da PM, delegacia e Exército. O filme ganha status de “bíblia” dos homens da lei.tropa de elitre ENORME

A imprensa governista decide ressaltar o caráter retrógrado do filme o que faz com que oficiais da PM capitulem e entrem na Justiça contra a exibição da fita. O jornal Folha de S.Paulo tenta falar com Padilha sobre a possível proibição. O diretor amedrontado com tanto barulho se recusa a dar entrevistas. O governador do RJ Sérgio Cabral assiste a cópia pirata e “aprova” o filme, o mesmo ocorre com o ministro da Justiça Tarso Genro dizendo que o filme é “didático”. Um cheiro de manipulação esquerdista a essa altura começa a ser percebido. Logo, o diretor do filme começa uma inacreditável história de que o filme foi mal compreendido e que ele “não louva “ a Polícia. Assustado com tanto patrulhamento vai até o Programa Roda Viva e quase pede desculpas por ter feito o filme que fez...

O governador Sérgio Cabral volta atrás e diz que “o filme mostra a que ponto nós chegamos e desmente ser fã da obra. Os ambulantes cariocas decidem deixar o fantoche lulista para lá e inventam mais duas continuações. Documentários sobre o BOPE exibido no Fantástico e na TV acabam se transformando em “Tropa de Elite 2” e “Tropa de Elite 3”. Camelôs descobrem o documentário “Notícas de Uma Guerra Particular”(1999) de Kátia Lund e lançam a parte 4 do “Tropa”.

Wagner Moura, o Capitão Nascimento, começa a ser requisitado para filmes, novelas e comerciais. Vai ao “Faustão” e dobra a audiência da tarde.

Finalmente o filme entra em cartaz nos cinemas. De maneira quase secreta,e sem um pingo de publicidade,o cine Maxi de Jundiaí (SP) consegue a proeza de ser o ÚNICO cinema a exibir então o filme. O inevitável boicote fica escancarado. Notas na Folha e Estadão começam a inventar sobre um possível fiasco do filme. A revista Veja decide contratacar e dá grande destaque ao filme de Padilha. Na capa um durão Wagner Moura fita o leitor com arma na mão.tropa de elite2

Após a revista, o filme “estréia direito” e em pouco mais de 10 dias já é o filme mais visto e comentado da história do cinema brasileiro. O Instituto de Pesquisas Vox Populi realiza então pesquisa e mostra um resultado arrebatador. Na opinião de 72% dos entrevistados, os criminosos que aparecem no filme são tratados da forma que merecem e 80% deles acreditam que a polícia é apresentada de forma correta. Resumindo:aprovam que “desçam lhe o relho”. A frase de Wagner Moura “Playboy que fuma maconha é responsável pela morte de colegas do Bope na defesa da lei” ganha aplausos e críticas. Os jornalistas “pró-hemp” começam a boicotar o filme e tascam-lhe a pecha de “reacionário”.

Cadernos de fim-de-semana começam a tentar traçar paralelo forçado e idiota comparando o filme a “Lúcio Flávio”, “O Bandido da Luz Vermelha” e “Cidade de Deus” enxergando aí uma linha evolutiva. Jogada desesperada a fim de diminuir o valor do filme com a velha ladainha “ah mas tem outros também...”. Se há algum mérito no filme “Tropa de Elite” é exatamente o oposto do que bradam os jornalões. Com tudo isso, a crítica especializada procura transformar bandidos perigosos em “Zés Galinhas”. A revista Trip coloca nas bancas mais uma edição louvando traficantes  mostrando o drops dulcora do mundo cão.

O humorista Tom Cavalcante assiste o filme e monta a paródia “Bofe de Elite”, o quadro, retratando policiais gays faz tanto sucesso que dobra a audiência do programa “Show do Tom” e obriga os camelôs a lançarem mais um produto. Agora, além dos quatro DVDs piratas um quinto de bônus (o do Tom) entrava no pacote. “Três é dez e cinco é R$ 15 chefia”, bradava um excitado vendedor ambulante satisfeito com as vendas incessantes.

O filme sai em DVD oficial a R$ 29,90 e o site da Submarino esgota todos os itens num único dia. O longa é selecionado para o Festival de Berlim.

Apresentado na cidade alemã, o filme é prejudicado pelo legendamento capenga, não provoca reações da platéia mas lota a entrevista coletiva de Padilha após a exibição. Tablóides europeus comentam o sucesso do filme visto por 11,5 milhões de brasileiros e toda a polêmica que o cerca. A Ilustrada numa das maiores burradas de sua história publica que o filme foi um fiasco e que é certo que não ganhará um prêmio sequer. Contrariando a opinião do jornal paulistano a revista inglesa “Screen” e o jornal alemão “Berliner Zeitung” dão nota máxima ao filme e qualificam-no como “obra-prima”.

Sai o resultado.“Tropa de Elite” é o principal vencedor do Festival de Cinema de Berlim. Na mesma noite Arnaldo Jabor faz um buxixo de pouco caso enquanto Rubens Ewald Filho prefere ressaltar a força dos distribuidores , os irmãos Weistein.

Após a divulgação dos premiados, José Padilha é ovacionado como se fosse um Brad Pitt ou um Clint Eastwood e é aplaudido em pé por vários minutos por jornalistas, diretores e organização do festival.

Os jornais brasileiros publicam o resultado e dão o destaque costumeiro, mas estranhamente,em se tratando de segundos cadernos,um grande silêncio começa a se formar. O filme é então inacreditavelmente “esquecido” pela imprensa.

Ao chegar ao Brasil,Padilha começa a falar mal da própria obra e prefere divulgar o

documentário “Garapa” sobre famintos do Nordeste, ainda no papel. É lançado o longa “Meu Nome Não é Johnny”, o filme atua exatamente como uma espécie de lado B e tenta

romantizar a esperteza e gravar a surrada frase “os fins justificam os meios”. Uma reação à mensagem passada por “Tropa”. Com Selton Mello no elenco o filme estoura nos cinemas mas empaca nos camelôs. Alguns meses se passam e “Meu Nome Não é Johnny” já não é lembrado por mais ninguém.

Globo e Record atualmente disputam a adaptação do filme de Padilha para as telas da TV.

Se ainda não assistiu você não passa de um fanfarrão !

*****Ótimo

quinta-feira, 16 de julho de 2009

BATFINK – BATFINO

batfink - GOOD

EUA (1967)

Criação: Hal Seeger

Com o grande sucesso do Batman de Adam West e Burt Ward em1966, uma espécie de batmania tomou conta do público americano. Músicas, camisetas e gibis começaram a vender como nunca e logo subprodutos derivados desta onda seriam criados e capitalizados sem demora.

Batfino surge neste cenário. Pegando o público do Batman e a enxurrada de novos desenhos lançados pela Hanna-Barbera, o desenho do morcego herói e seu ajudante grandalhão rendeu 100 episódios , todos feitos no biênio 1966-67, que foram a conta-gotas exibidos na TV brasileira nas últimas décadas e ajudou a alegrar as tardes da criançada.

Me recordo de voltar da escola, estudava de manhã, e mal mastigar alguma coisa para correr até a TV e assistir o Batfino sempre colado com Gato Felix e o Vira-Lata. Não me lembro o canal, mas não esqueço que o Karatê e o Batfino dirigiam uma espécie de “fuscão” (o Batilac) e que havia muitas onomatopéias. O “blip” de um walk talkie voava e chegava até a orelha do receptor... Umas loucuras assim.

Na história, o morcego Batfino foi exposto à radiação (desculpa usada por 99,99% dos super-heróis para explicarem seus poderes) quando era criança na caverna onde habitava. Essa exposição o fez indestrutível mas suas asas ficaram inutilizadas pela explosão da local. Batfino teve então novas asas construídas pelo Seul fiel amigo Karatê.

Nestes episódios ele lutava e derrotava os vilões Ernie Orelhudo, Ultra Sônico, Fatman e o seu principal oponente, o gênio do mal, Hugo A Go Go.

Recentemente foi lançado por aqui uma caixa com 3 DVDs coletando um monte de episódios do personagem com a dublagem original do estúdio paulistano AIC.

“Suas balas não podem me atingir, minhas asas são como uma couraça de aço !”

***Bom

LE COUPERET – O CORTE

lecouperet

França (2005)

Direção – Costa-Gravas

Elenco: José Garcia, Karin Viard, Geordy Monfils, Christa Theret, Ulrich Tukur, Olivier Gourmet,

Em tempos de crise econômica, fusão de empresas, ameaça de hecatombe nuclear vinda do oriente e populismo de diversas formas e tipos, o filme “O Corte” do velho comunista grego Constantin Costa-Gravas até que surpreende.

Ao focar sua história no drama do desemprego de altos executivos, o diretor mostra que até no excitante mundo do capitalismo selvagem alguns pescoçinhos acabam rolando. Tudo em prol de uma suposta globalização e uma reorganização do mercado.

Bruno é um competente engenheiro que trabalhou por 15 anos numa fábrica de papel e foi demitido num daqueles “facões” (chame de reengenharia ou adequação de organograma...) e não se conforma com o fato.

Como os anos estão passando depressa, Bruno, que vive a agrura de possuir uma profissão muito minuciosa, específica demais, traça um plano para voltar ao mercado de trabalho.

Primeiro ele publica um falso anúncio de emprego recrutando exatamente os profissionais que estão no seu mesmo perfil, os chamados “concorrentes”.

Separa alguns currículos e chega a conclusão que cinco deles realmente poderiam competir em pé de igualdade ou até supera-lo na busca de um novo lugar ao sol.

Como sua vida está indo de mal a pior, casamento abalado, dívidas e filho virando ladrão, Bruno decide reagir rapidamente. A solução é simples e direta: matar todos os seus concorrentes. Para ele não tem problema, como diz um ditado: um você pode matar ! Mas Bruno sonhava mais alto.

Segue cenas de tocaias e planos e eis algumas mortes. Como entreato de cada assassinato, umas partes impagáveis de candidato (ele) sendo entrevistado, a petulância costumeira das mocinhas de Recursos Humanos e a euforia e posterior frustração do emprego (quase) conseguido.

Uma crítica tão feroz ao capitalismo não assusta pelo histórico do diretor. Costa-Gravas é conhecido por filmes pesados e discursivos como “Missing – O Desaparecido” que eu, na época com 14 anos, tive a infelicidade de assistir no cinema da minha cidade sem entender 1% do que aquilo se tratava.

O ator José Garcia (Bruno, o protagonista da história) tem atuação avassaladora e as caras e bocas que ele empresta ao personagem está sem dúvida no rol das grandes interpretações do recente cinema europeu. Parece que outros dois filmes foram rodados nos últimos anos e de mesma temática “Agenda” de Laurent Cantet e “Rosetta” dos irmãos Dardenne . Provavelmente, já que todos tratam da questão do desemprego, formam uma espécie de “trilogia da demissão”. Mas eu ainda não pude vê-los e checar se é mesmo isso. Fica a dica.

Xerox do currículo e duas fotos 3x4 !!!

**Regular

WILD ZERO

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Japão (2000)

Direção; Tetsuro Kakeushi

Elenco: Guitar Wolf, Bass Wolf, Drum Wolf, Kae Minami, Yoshiyuki Morishita, Naruka Nakajo e Kwancharu Shitichai

Quando Seiji Hideaki e Toru se juntaram em 1987 e montaram o Guitar Wolf o objetivo foi claro. Fazer um som e compor um grupo musical baseado na sua banda favorita os Ramones. Levando a sério esta intenção, o Guitar Wolf também teria , a exemplo de sua banda espelho norte-americana, um filme rock. Se os nova-iorquinos usaram da genialidade de Roger Corman para estrelar “Rock’n’Roll High School” e conquistar corações e mentes continentes afora, seus pupilos nipônicos engendraram uma história com tudo que cerca e constitui o universo ramônico. Observe:

Ace, é um jovem roqueiro e fã do Guitar Wolf seu maior ídolo. Magrelão, cabelo moicano e jaqueta de couro surrada, Ace é a própria imagem do punk sujão com cara de nerd. Um perdedor nato. Mas Ace, salva Guitar Wolf da morte durante uma briga não explicada e recebe um apito mágico de seu ídolo. Sempre que usa-lo o Guitar Wolf virá para socorre-lo. Além do apito rola um pacto de sangue entre ídolo e fã.

Após o marcante encontro, Ace que caminhava distraído rememorando seu grande feito acaba indo comer algo na lanchonete e, ao abrir a porta, desarma um maluco que estava com uma arma apontada para a garota (Tobio).

Nesta altura do filme percebemos que Ace tem uma espécie de imã para atrair confusões e paradas violentas, das quais ele se safa por pouco.

Ace então pega a Tobio, e juntos partem num cadillac rumo a um lugar qualquer. Tudo beleza para ele; a Tobio é uma japonesa de quase 2 metros, meio top-model e de beleza andrógina. Para um “looser” está muito bom...

Após pararem num posto de gasolina para encher o tanque do veículo, eis que são cercados por zumbis e, sem escolha, começam a detonar os mortos-vivos com umas pistolas gigantes. A presença dos zumbis se deve ao fato da aparição de um UFO na cidade que está, com sua luz azulada, transformando as pessoas em cadávers andantes.

O dois fogem mais uma vez (eram muitos os zumbis) e se abrigam em um galpão abandonado. Segue a citação clichê da “Noite dos Mortos-Vivos” , quase uma obrigação neste tipo de história, e encontram um outro casal que também se escondia dos monstros famintos.wildzero2

Este novo casal só brigava, era um jacu com crise existencial e sua namorada pistoleira (de revólver, arma) que andava pelada pra lá e pra cá e adorava estourar a cabeça das criaturas com um trabuco prateado. Como as coisas estavam quase impossíveis de se resolverem, Ace lembra do apito e chama o Guitar Wolf.

O ídolo ao ouvir o chamado grita como um lobo: Lock em Loll !!! e com sua guitarra mágica ajuda a dizimar os coisa-ruins. O filme vai terminando Ace já apaixonadão pela Tobio, (que até então não abriu a boca o filme todo, só dando umas risadinhas) decide se declarar e diz que a quer como sua namorada. A Tobio em resposta fica nua e se revela. Era um travesti.Ace coça a cabeça e consulta seu ídolo Guitar Wolf que lhe diz para seguir seu coração.

Ace e Tobio dão as mãos, o UFO vai embora, o Guitar Wolf queima o chão da auto-estrada e logo o punk rock da banda japonesa domina todo o finzinho do filme.

O mais belo tributo aos Ramones e ao mundo dos trash-movies desde os videoclipes do The Cramps.

Uma viagem cinematográfica que mistura alienígenas, zumbis, mulheres peladas, carros velozes e punk rock japonês.

Está em perigo ? chame o Guitar Wolf !

*****Ótimo

quarta-feira, 15 de julho de 2009

HISTÓRIAS QUE NOSSAS BABÁS NÃO CONTAVAM

historias_nossas_babas_contavam

Brasil (1979)

Direção: Oswaldo de Oliveira

Elenco: Adele Fátima (Clara das Neves), Costinha (caçador), Meiry Vieira (rainha), Dênis Derkian (príncipe) , Xandó Batista (rei), Sérgio Hingst (conde) e os anões: Satã, Quinzinho, Litho, Zezinho, Paulinho, Zequinha e João Grandão

Sátira do conto “Branca de Neve” dos Irmãos Grimm ,“Histórias que Nossas Babás Não Contavam” mostra até onde o inventivo e censurado cinema brasileiro conseguiu chegar ao apimentar seus filmes com um pouco sacanagem debilóide e humor pastelão.

A belíssima Adele Fátima (na época com 23 anos, principal mulata exportação do Sargentelli), é Clara das Neves filha do rei com uma rainha africana. De beleza incomum e sensualidade exuberante ela acaba provocando o ciúme e a ira da rainha que não suporta a (para ela) tão incômoda presença.

O rei está doente e o reino em breve estará nas mãos malignas da rainha. Esta vive furiosa porque o espelho mágico sempre respondia que Clara era a mais bonita (e gostosa) do reino. A rainha, que não aguenta tamanha verdade, quebra o espelho e coloca a princesa para correr.

Uma vez expulsa, Clara caminha a esmo pelo bosque e seduz o caçador (Costinha) contratado para mata-la. O fiasco se deve ao fato de Costinha só conseguir caçar veados e não saber o que fazer diante de tamanha formosura. Chocada ao saber da trama da rainha, Clara decide que nunca mais voltará para o seu lar e continua viagem floresta adentro. Acaba topando com a casinha dos sete anões.

A presença dela altera a rotina dos sacaninhas pois o único prazer na vida dos pirralhos era se esbaldar com um dos anões, que era gay. Logo a deusa Adele Fátima acaba ensinando, a cada um , as artimanhas do amor. Segue-se o lero-lero, muita zoeira, rápidas cenas de sexo não consumado e a Clara come a maçã envenenada. No fim, pinta um belo príncipe cavalgando um cavalo branco e é levado pelos anões para o beijo de quebra de encantamento.

Ocorre que o príncipe não era muito chegado nestas coisas e a contragosto salva a Clara com um brevíssimo selinho. O que o príncipe queria mesmo era o anão gay que após umas piscadelas seduz o bonitão. Risinho pra cá, charminho pra lá e o anão monta no cavalo e juntos (príncipe e anão gay) partem abraçadinhos, apaixonados e felizes enquanto sobem os letreiros de encerramento...

Pra chorar de tanto rir !

***Bom

O MONSTRO LEGUME DO ESPAÇO pts 1 e 2

monstro-legume-do-espaco-1995[2]
Brasil (1995 e 2006)
Direção: Petter Baiestorf
Elenco: Caquinha, O Monstro, Jorjão Timm, Marcelo Severo, César Coffin Souza
Nunca esqueci aquela manhã de 1995. Eu tinha acabado de voltar da padaria do bairro e decidi passar no jornaleiro para conferir se a nova edição da “Rock Brigade” já havia saído. Naqueles anos eu vivia uma espécie de namoro com a sessão de cartas da revista “Headbanger Voice” e anotava com avidez todo e qualquer endereço de bandas novas que promoviam suas (aguardadas) “demo-tapes”.
Entre as polêmicas de “true ou false metal”, quem é ou não “poser” e textos babando o ovo da mais nova e phoderosa banda saída dos confins da Noruega, uma espécie de anúncio despertava minha curiosidade no meio de tudo aquilo: Um maluco que se chamava Petter Baiestorf havia rodado um filme na distante Palmitos (SC) e usava o espaço da revista metaleira para promover seu invento.
Na época, eu pensava ser apenas mais uma cartinha, e quem sabe um VHS, na coleção. Mal sabia o que me aguardava. Junto ao VHS comprado (via carta camuflada no envelope pardo), vinha encartado o zine “Blerghhh”.Após o assombro da tal inusitada leitura um grande e desconhecido mundo do cinema extremo para mim se descortinou.monstrolegume2
O tal do Baiestorf, além de se meter a cineasta, entendia muito sobre um tipo de filme que não ganhava espaço algum nos chamados “canais oficiais”. No período pré-Internet aquele tipo de informação parecia ouro puro (essa sensação foi renovada quando outro amigo, quatro anos depois, me apresentou o também seminal “Cultura Pop” de José Salles, história que fica para uma outra ocasião).
Ao rodar o filme, surpresa ! Havia sido feito com câmara comum, daquelas que usávamos para filmar casamentos, aniversários, etc. Já meio incrédulo, continuava firme assistindo até ver onde ia dar aquilo. A história iniciava com uma sucessão de externas, mostrando a área rural da cidade, os personagens seguiam para o interior de uma casa e litros e litros de sangue falso preenchiam então toda a tela. Uma overdose gore à moda caipira. O “Monstro Legume do Espaço” possuia uma espécie de máscara de borracha verde e podia se dizer que a maquiagem não perdia em nada para os filmes da norte-americana Troma (sua irmã estilística e provável influência).
Diálogos que se aproximavam de manifestos, o personagem Caquinha e os grandes (em todos os sentidos) Jorjão Timm e Marcelo Severo, além é claro da atuação impagável do monstro, causaram no meu cérebro um estrago irreversível e na mente a “necessidade” de entender o quê e por quê daquilo. Para mim, o que se seguiu daquele dia até hoje, nada mais foi do que um mergulho nos arquivos dos chamados “filmes B” e o estudo meticuloso de todos os seus subgêneros (algo que ficaria muito facilitado com o advento da Internet, as redes P2P e a possibilidade de compra, venda e troca deste tipo de material).monstro legume4
Hoje fico embevecido e esperançoso ao perceber que o filme, pioneiro da então estreante Canibal Filmes, está completando quase 15 anos. “O Monstro Legume do Espaço” não deve ser visto apenas pela sua qualidade (a originalidade) ou defeito (vários). O que este filme representa é a bela história da luta da falta de recursos (da dificuldade logística e publicitária de “vender” uma obra) contra a imaginação, vontade, criatividade e valentia de quem tem algo a dizer. Uma bordoada na cara e lição para qualquer tipo de acomodamento.
Um filme de pessoas que nada tinham e tudo fizeram.
(Em 2006 o filme ganhou uma obrigatória continuação. Petter conta que até do exterior escreviam pedindo a sequência da história).
*****Ótimo

terça-feira, 14 de julho de 2009

AMERICAN PSYCHO – PSICOPATA AMERICANO

american-psycho

EUA (2000)
Direção : Mary Harron

Elenco: Christian Bale, Justin Theroux, Bill Sage, Chloe Sevigny e Reese Witherspoon

Baseado no romance de Bret Easton Ellis, publicado no Brasil em 1991 pela Editora Rocco.

Christian Bale é Patrick Bateman, um yuppie bem sucedido que vive de jogadas financeiras e curte a improvável música do grupo Hue Lewis and The News.

Vaidoso, passa as manhãs cuidando da pele e fazendo musculação, sempre no interior de um apartamento decorado com requinte e de limpeza impecável. Durante as sessões de beleza a TV está sempre sintonizada no filme “O Massacre da Serra Elétrica” o que já demonstra gosto e intenções de sociopata.

Como consegue dinheiro, sucesso e mulheres muito facilmente, ele vai ficando enfastiado de tudo isso e a cada conquista vai ficando mais e mais vazio existencialmente.

Para se livrar da letargia começa a sair e a executar prostitutas. A cada assassinato sua vida se preenche e aos poucos vai se entregando para o instinto homicida.

Após as execuções se reúne num clube de yuppies deslumbrados. Numa determinada reunião fica furioso ao perceber que um rival tem um cartão de apresentação melhor e com mais belo design que o seu. É claro que o fato de ser “humilhado” (?) por não possuir um cartão tão bonito já vira motivo para ter que matar mais um.

Aparece um detetive pentelho disposto a prende-lo. Ele já em  escala insana (havia a esta altura se tornado um serial killer) fica meio xarope e não consegue mais separar realidade de delírio. Neste caldeirão todo, a sua noiva , a loirinha Reese Witherspoon, ainda tem tempo de pensar em festa de casamento.

Final original, cenas bem filmadas e a curiosidade do nome do personagem “Patrick Bateman”. Oito anos depois de estrelar esta fita Bale encarnaria o “Batman”. Uma espécie de premonição ?

Terno Armani sujo de sangue

***Bom

THEY CAME FROM BEYOND SPACE – ELES VIERAM DO ESPAÇO EXTERIOR

they came from beyond space

EUA (1967)

Freddie Francis

Elenco: Robert Hutton, Jennifer Jayne, Zia Mohyeddin , Bernard Kay e Michael Gough

Queda de objeto extraterrestre atrai grupo de cientistas até uma cidadezinha inglesa. Após isolar a área, estes decidem coletar amostras de solo, radiação, etc. Uma infeliz tenta quebrar um pedaço do objeto com uma espátula e acaba “acendendo” o bicho. Na verdade o objeto disforme era uma forma inteligente de vida que inicia uma possessão psíquica em série.

Toda a área começa a se militarizar e barricadas são erguidas pelos cientistas dominados pela “coisa”.

Durante tudo isso, o protagonista (um cientista que foi preterido da equipe inicial de resgate ao objeto),começa a achar estranho o comportamento de seus pares e fica surpreso quando sua namorada não lhe reconhece mais.

Parte então em investigação para descobrir o que está havendo e acha o local da queda. Mas a “coisa” não perdoa ninguém e quem acaba se aproximando acaba sugado mentalmente e começa a obedecer seus comandos. Segue uma cena de estrada e uma frentista de posto de gasolina decide ajudar o cientista curioso. Ela se dá mal e vira comida do bichão,outros também tem o  triste fim.  O único que sobrevive a tal ameaça é o nosso abnegado herói-detetive.

Ao chegar cara-a-cara com a “coisa” ele consegue tocar a massa alienígena que brilha mas não consegue invadir sua mente. E por quê isso ocorre ? Por quê ele é o único não infectado ?

Vai vendo a viagem do diretor... O cientista excluído não é possuído pelo bichão porque dias antes da queda da “coisa extraterrestre” ele se envolveu num grave acidente de trânsito e teve que colocar umas placas de metal na cabeça.Como essa placa ficava perto do cérebro quando a tentativa de possessão se iniciava a placa metálica rechaçava a invasão.

É mole ?

*Ruim

segunda-feira, 13 de julho de 2009

TIAN XIA DI YI QUAN a.k.a OS CINCO DEDOS DA MORTE

iron fist

Hong-Kong (1972)

Direção: Chang-Hwa Jeong

Elenco: Lieh Lo, Ping Wang, Hsuing Chao, Ching-Feng Wang e Mien Fang

Quando tiver que escolher entre as centenas (milhares ?) de títulos sobre kung-fu um segredinho se faz necessário: Observe se no elenco você consegue ler o nome Lieh-Lo.

Do mesmo quilate de Bruce Lee e Jackie Chan, mas com um décimo da fama destes, Lieh-Lo que já estrelou grandes clássicos do cinema oriental (“Bamboo House Dolls”, “O Terrorista Invisível” e “O Boxeador de Um Braço Só contra Os Nove Assassinos) nunca deixa o espectador frustrado. Seus filmes são garantia de porrada de qualidade e coreografias inventivas que estrapolam o gênero.

No Brasil o filme já saiu em DVD com dois títulos diferentes (“Os Cinco Dedos da Morte”o melhor e mais completo e o desleixado “Os Cinco Dedos de Violência” com imagem meia boca) e ambos não devem ser difíceis de serem encontrados.

Em 1974, no bojo do mais famoso filme de kung-fu da história “Operação Dragão” (de Bruce Lee), a Warner tentava esticar o lucro com filmes de artes marciais (então uma novidade para as grandes massas americanas) e lançou por lá “Os Cinco Dedos da Morte” em versão dublada. O efeito foi a enxurrada de filmes de ninjas e artes marciais em território americano. Uma subindústria se criou em território americano como bem percebemos quando o videocassete chegou no Brasil.

Com produção dos irmãos Shaw e dirigido pelo coreano Chang-Hwa Jeong (que abandonaria o cinema cinco anos depois) o filme, recheado de closes e cabeças decepadas, sangue aos borbotões e coreografias impressionantes, conta a história de ChaoChi-Hao (Lieh Lo) que é enviado por seu mestre (já muito velho e com dezenas de inimigos) para aprimorar sua incipiente técnica de combate. Logo ele se destaca e passa a representar esta escola num torneio de artes marciais. O prêmio: além do respeito de todos e a afirmação da técnica da escola ele ainda ganha a “mão” de Yin Yin (Ping Wang) com quem pretende se casar.

Claro que nada disso vai ser muito fácil e grupos rivais tentam sabotar de toda os forma os planos de Lieh-Lo e de sua escola. Os vilões então nervosinhos porque não conseguem pegar o herói decidem esmurrar até a morte o mestre e mentor dele.

Amigo... Cutucou onça com vara curta. O Lieh Lo que havia aprendido a técnica do “Iron Fist” (um golpe tão mortal que ele só usava em ocasião muito especial), decide mostrar quem manda no pedaço. E parte para o pau.

Detalhe e citação curiosa. Um pouco antes da execução da técnica do “Iron Fist” toca um gongo e um superclose nos olhos do herói é mostrado. Quentin Tarantino, fã do gênero, usou a mesma técnica quando “a Noiva” Uma Thurman executa suas vítimas em “Kill Bill”.

Pérola que poucos conseguiram descavar. Merece um remake já !

****Muito Bom

DRÁCULA

Há 40 anos...