Eleita a Brigitte Bardot dos anos 80, a atriz Beatrice Dalle volta às telas, na França, num novo filme de Marco Bellochio. Mas há quem coloque seu talento em dúvida
Paris – Há lugar para uma Brigitte Bardot nos anos 80 ? A crítica francesa pensa que sim e aponta o nome da sucessora. Trata-se da jovem atriz Beatrice Dalle, que percorreu uma rápida escalada ao estrelato após sua tórrida interpretação no filme Betty Blue, de Jean Jacques Beniex. Seu novo filme, A Bruxa, de Marco Bellochio, acaba de estrear na França, confirmando os atributos físicos da exuberante morena de 23 anos.
O talento de Dalle, no entanto, continua sendo discutido. Pergunta-se se ela era seria capaz de interpretar um papel realmente diverso do seu tipo na vida real, ou seja, uma mulher sem preconceitos, não conformista, amante dos prazeres da vida, de linguagem direta, em tom popular e sem pretensões intelectuais. É assim a Betty do filme de Beniex. É certo que, para a uma nova BB, sex appeal interessa mais que talento dramático. Pelo menos parece ser essa a opinião dos franceses.
De origem social modesta, Dalle subiu rapidamente fazendo o gênero sensual e espontâneo , como a intempestiva companheira de um escritor marginal descrita por Philippe Djian no livro autobiográfico que deu origem ao filme. De lá para cá, choveram propostas para que atuasse em novos filmes, mas sempre com o requisito de que mostrasse sua opulenta anatomia. As entrevistas se multiplicaram e Dalle passou a ser um rosto frequente na televisão francesa.
Todos a disputam. Cinéfilos e intelectuais passam diante de sua naturalidade e franqueza. No fundo, eles adoram essa mistura de sexo ingênuo e massa cinzenta, representada pelo casal do filme Betty Blue – um pouco ao estilo da mitológica parceria americana formada por Marilyn Monroe e o teatrólogo Arthur Miller, nos anos 50. Já o francês médio se contenta em admirar o físico impressionante de Dalle, além de suas declarações espetaculares . Por exemplo, ela garante não ser uma adolescente atrasada e ingênua, como afirmam alguns e, ainda que os jovens de hoje – muitos dos quais se identificam com ela – são “sinistros porque só pensam em êxito social e econômico”.
Com tranquilidade, admite não ter cultura e aceita, com humor, a condição de símbolo sexual, apesar de temer tomar-se uma prisioneira desse rótulo. No que diz respeito ao cinema, Dalle só trabalha com um diretor “se há paixão”. Quanto ao seu próprio futuro, é definitiva: “Prefiro morrer com 35 anos, com o destino de uma Marilyn Monroe, em vez de com 60, com a maravilhosa carreira de Meryl Streep”.
Dalle atribui seu sucesso meteórico à sua “boa estrela” e, é claro, á simpatia que desperta nas pessoas por seu jeito espontâneo e entusiasmado, destoante do “impecável e frio ambiente cinematográfico”. Mas não teria receio em abandonar, sem remorsos, tudo “por um grande amor”. Nesse caso os que mais lamentariam seriam seus pais. “Venho de uma família proletária e muito fascinada por tudo que brilha”, comenta. Sobre as propostas que lhechegam de todos os lados – incluindo os Estados Unidos –, só lamenta não falar inglês como gostaria.
Mas, por enquanto, Dalle terá de esperar para conseguir o título definitivo de boa atriz. Sua atuação no novo filme de Marco Bellochio, A Bruxa não conseguiu a aprovação da crítica francesa, apesar do seu difícil papel. Dalle interpreta uma jovem que seria a reencarnação de uma bruxa do século XVII, Madalena. Em seus transes intuitivos, ela acaba solitária e perdida diante do nacionalismo dos nossos dias. O papel lhe cabe bem, mas ainda não foi a prova de fogo da carreira de Dalle.
Assim, a decepção da personagem de A Bruxa deve redobrar as expectativas com a carreira da atriz intuitiva, que já começa a rodar um novo filme, agora sob a direção de Claire Denvers, outra vez uma história de amor que – à semelhança de Betty Blue – termina tragicamente. É mais um teste para Dalle. Resta saber se o que se espera dela é uma prova de talento dramático, ou que seja a reencarnação de um mito – Brigitte Bardot – cuja fama jamais esteve especialmente relacionada com a força interpretativa.
Esse texto não foi assinado.
Que fim levou ? A Beatrice foi uma espécie de Angelina Jolie dos anos 80. Infelizmente de passagem meteórica.
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