A mais prestigiada revista mensal do mundo chega às bancas com um ensaio fotográfico provocante no qual a cantora pop reencarna o charme e a sedução de Marilyn Monroe
PEPE ESCOBAR
Loiríssima, de branco, sentada em um banquinho da cozinha de seu imaculado apartamento de sete quartos em Manhattan (mobília art deco francesa, arte cubista), Madonna - ou seria Marilyn ? - suspira e confessa: "É um clichê, mas você pode ter todo o sucesso do mundo. Se não tem alguém para amar, não vale tanto a pena. O calor que você recebe de outro ser humano - uma criança, em especial - sempre será mais importante que as pessoas reconhecendo você na rua".
Bomba ! Bomba ! O confessionário é artigo de capa da Vanity Fair de abril. A Vanity Fair, dirigida pela ladina londrina Tina Brown, é a melhor revista mensal do planeta. Todo ano dá uma capa para Madonna, em que antecipa seu novo look para a próxima estação. Essa reportagem que já virou tema chave de conversa em todos os restaurantes do quem é quem em Hollywood - é ainda mais significativa porque Madonna entrega o jogo duplamente. Está mais acessível, vulnerável e maternal do que a sua imagem de marca de vamp sexy. Ao mesmo tempo, a mulher mais famosa do mundo finalmente realiza seu sonho de posar como a estrela caída mais famosa do mundo.
Madonna solta toda sua fantasia em um portfólio do darling de supermodelos Steven Meisel. O ensaio se chama "Homenagem a Norma Jean" e é uma das obras primas do simulacro no final do século 20.
A reportagem serve também como avant-premiére promocional para o filme turnê Ambição Loira - Truth or Dare: On the Road, Behind the Scenes and in Bed with Madonna. - que estréia na América em maio. Segundo a autora do texto, Lynn Hirschberg, o filme cumpre tudo o que promete; as câmeras a perseguem obsessivamente e a revelam enquanto está sem maquiagem, toma café da manhã, vai ao dentista, discute e telefona com Deus e o mundo, canta, dança, faz ginástica ou está quase nua em sua caminha.
Mas o melhor são mesmo as revelações humanas, muito humanas. Uma vidente confirmou à ex-garota material (hoje com 32 anos) que ela não terá filhos. Madonna justifica seu amor por Sean Penn: "Ele era como meu pai, de uma certa maneira. Ele patrulhava o que eu usava . Mas pelo menos estava prestando atenção em mim. Pelo menos, tinha coragem".
Com Warren Beatty - que a usou para promover Dick Tracy, prometendo fotografá-la como ninguém - as coisas foram mais escorregadias. Warren continuava saindo com todas as gatas de L.A., Madonna sentia-se usada, queria um compromisso sério, e a imprensa (marron, rosa, amarela) os enlouqueceu. Warren trocou Madonna por Stephanie Seymour, um acinte supermodelístico dez anos mais nova.
Ela sente a força do imperativo biológico. E ainda procura, obsessiva, o Príncipe: "Fico pensando se algum dia poderia achar alguém como eu". Enquanto isso, posa de Norma Jean. Os ricos também amam, os famosos também choram, e os golpes de marketing se acumulam. E no fim de tudo não passa de resolver o papai-mamãe.
A ambição é loira.
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