quarta-feira, 28 de setembro de 2011

A MEMÓRIA

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TCHAU, MÃE – OlivieroToscani
Editora Revan (1996)
Eu não tenho memória. Ou melhor: como todos, não tenho memória para as coisas desagradáveis. Os pessimistas lembram-se muito bem de tudo de pior que lhes aconteceu. Eu, que sou otismista, prefiro selecionar o melhor. A memória viaja e, às vezes, é mais útil proceder sem se apoiar na experiência , é melhor fazer as coisas sem se lembrar de como foram feitas na primeira vez. Haveria mais inovação em todos os campos se não houvesse memória. Frequentemente, nos conformamos com o que foi feito e funcionou e preferimos não arriscar a experimentar. Se não nos lembrássemos que as letras do alfabeto têm um som, e que uma ao lado da outra podem ter um sentido, o que se  tornariam as palavras que lemos ? Formas fantásticas e abstratas, como o alfabeto japonês ou o árabe. Como fotógrafo, eu gosto de pensar que posso ser absolutamente analfabeto e que posso ler somente a forma das coisas e não o sentido que está por trás do nome delas.

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