Uma superprodução vai ser rodada em Londres. Batman e Robin vão voltar, para delírio dos zilhões de fãs em todo o mundo. Adam West, sessentão, esta velho para o papel, mas foi à capital inglesa para o lançamento de seus velhos vídeos.
Lá, ele bateu um papo com PEPE ESCOBAR
Zap!
Pow!
Oof!
Klonk!
Kapow!
Corta para uma antológica Bat-cena, na mesma Bat-hora, no mesmo Bat-canal. Batman entra na What-aWay-to-Go-Go, uma discoteca do além, onde go-go girls em gaiolas de passarinho dançam o Batusi. Robin é menor de idade. Não pode entrar. Fica de fora ouvindo o tema do Batman no batmóvel.
O maître pergunta: Uma cadeira na primeira fila, Cruzado Mascarado?"
Batman: "Não, obrigado. Não quero parecer... perdulário".
Batman caminha até o bar e faz seu pedido: uma dose dupla, gelada, de suco de laranja.
Corta para outra bat-cena, em outro bat-fuso, em outro bat-continente. Batrnan entra na Bat-Megastore, ex-Virgin, em Oxford Street, Gotham City, digo, London Town, uma loja do além, onde as gerações Agente 86 e Guerra nas Estrelas se acotovelam para mirar, ao vivo, em cores, o Homem-Morcego. Sim, o próprio: Adam West, a.k.a. Bruce Wayne, a.k.a. Cruzado Mascarado, a.k.a. o bat-fenômeno da cultura pop nos anos 60. Adam West está com quase 60 anos. Robin está com 41. Não veio porque caiu nas malhas da polícia californiana, por porte de drogas... (Os tempos são outros...)
A bat-platéia - amassada por um aluvião de vinil e CDs - ameaça um tumulto: "Mas ele veio de capa! Não trouxe nem mesmo o cinturão de utilidades!" Os bat-súditos ameaçam descarregar sua ira destruindo uma prateleira de LPs de Sade ("Chah-Dey"), quando o Bat-DJ solta no ar o Gotham Gothic remix do tema do Batman. Adam West abre o sorriso Colgate, assina uma sucessão de vídeos, pergunta se o batmóvel não corre o risco de levar uma multa da polícia da Thatcher - a Primeira-Morcega, digo, Ministra - e comanda ação: "Vamos, garotos, que tenho uma missão especial a comprir em Gotham City".
Adam West é uma piada. Ele é Batman, Batman é sua vida. Quem era Adam West antes de virar o Homem-Morcego? Um surfista e ator medíocre. Batmam, estreando na cadeia ABC americana às 19h30 de 12 de janeiro de 1966, o elevou à condição de lenda viva. Batman foi o mais popular seriado dos anos 60 ainda em exibição no planeta - do Brasil à Coréia. E Adam West, quase sexagenário, ainda corre o mundo fazendo aparições públicas como Batman. Ele está bat-raivoso porque a Wamer Brothers não o considerou para levar o Homem-Morcego ao universo das Panavision, 70 mm, dolby e efeitos especiais. O mega bat-projeto já está em produção nos estúdios Pinewood, e as 12 semanas de filmagem começam em agosto. Em junho de 89, Batman - the Movie estoura nas telas dos EUA.
Não adianta. O verdadeiro batator é o verdadeiro e único Adam West. Nada de seriedade. Ele mexe com todo mundo. É uma manifestação ambulante - e veículo perfeito - para o mix que bat-enlouqueceu o planeta na rota 66: quadrinhos, estética camp, pop art, TV e super-heróis. Tenho um cinturão de utilíssimas bat-perguntas, mas está difícil conseguir um bat-minuto de sua bat-atenção. Só mesmo o Homem-Morcego tem a resposta para o quebra-cabeças que nem a CIA nem a KGB resolveram (deu no Pravda, um dia: "Batman fez uma lavagem cerebral nos americanos e eles viraram assassinos nas selvas do Vietnam"). Só ele sabe por que a gata Jill St. John - que depois andou transando com um certo Henry Kissinger - foi a única figura que morreu mesmo em um episódio de Batman (ela entrou na ultra-secreta bat-caverna, marcou e virou batata-frita no bat-gerador movido a energia atômica). Só ele sabe como foi a última viagem do Cruzado Mascarado e do Menino Prodígio no batmóvel, em 68. E só ele sabe como é que era dirigir o mirabolante batmóvel...
A bat-entrevista é Pow! Clash! Clank! Oww! Urkk! Homem-Morcego, qual é a razão do sucesso deste culto planetário? "Acho que foi o fato de nós exagerarmos a seriedade. Todo mundo em conexão com o show tinha uma instrução: cuidar de todos os detalhes como se a gente estivesse soltando a bomba em Hiroshima." Uuuuaaaaau... E você levava tudo a sério? Não tinha nem mesmo uma caidinha pela Mulher-Gato? "Tinha, tinha... Um dos meus episódios favoritos é aquele em que a Mulher-Gato me joga um feitiço do amor. Foi muito divertido."
HAH! HAH! HAH! HAH!... Não, não é a risada do Coringa... É ele mesmo, o Homem-Morcego, chamando no seu bat-computador a memória dos anos 60. Qual era o seu vilão favorito, Batman? "E difícil dizer... Eu gostava muito do Pingüim. Ele era intratável, vivia para lá e para cá falando ´wap wap´, vivia jogando fumaça de cigarro na minha cara." E o batmóvel? Existia algum veículo mais for out naquela época do que o batmóvel? Pau a pau com essa idiota super-máquina, acho que o batmóvel levava. Não levava, Cruzado Mascarado? "O batmóvel era um Lincoln alterado. As pessoas viviam criticando o batmóvel quando o viam em pessoa. Ele costumava ser alugado para feiras de automóvel nos Estados Unidos. Mas em filme ele é magnífico, bem iluminado, em velocidade, muito bem polido. Naquele tempo a energia nuclear era vista como uma coisa positiva. Hoje, tem muita gente que gostaria de jogar o batmóvel no fundo do mar..." E quem dirigia? Sempre você, Homem-Morcego? "Sempre. A não ser em alguns inserts básicos, entrando e saindo da bat-caverna."
Adam West autografa mais vídeos - um episódio especial de Batman - toneladas de histórias em quadrinhos, camisetas, mix do antológico tema que recorre nos bat-alto-falantes, tara rararara rararara rararara rarararara... Aponta para nossa fotógrafa, solta um HAH! HAH! HAH! HAH! e comenta para os passantes: "Look at her eyes! She has Brazilian eyes!" HAH! HAH! HAH! HAH! É um menino que parece ter acabado de descobrir um grande segredo. E adora seu papel. Ele é o Homem-Morcego (que outro poderia estrelar no batfilme? Tom Cruise? Michael J. Fox? Schwarzenegger? AAAAA.AARGR!)
Ele tanto falou que tinha uma missão a cumprir em Gotham City que agora vai mesmo. O batmóvel o espera. Mas e a Mulher-Gato, não pintava uma libido no roteiro? Resposta: "HAH! HAH! HAH! HAH! HAH!" Batman elogia seus vilões-atores especiais, Zsa Zsa Gabor (Minerva), Ida Lupino (Cassandra), Otto Preminger, que fez um dos Mr. Freeze (como é que chama esse em português?), Burgess Meredith, o mais antológico dos Pingüins... "Para o batmóvel! Vamos, Robin!" Sim, mas só uma última declaração aqui para a imprensa de Gotham City. Qual é o segredo de Batman?
Ele fica sério - apenas por um momento: "O país, na época, estava no mood para uma coisa tão maluca, tão wild. O que nós fizemos era maravilhoso, na TV da época, e vai durar para sempre. Na tela grande, eu gostaria de ver um Batman um pouco mais romântico.."
E então? Quem sabe Batman e a Mulher-Gato pudessem... sabe como é?
"HAH!HAH!HAH!HAH!HAH!" O Homem-Morcego solta um batsorriso Colgate e revela, confidente: "Naquele cinto de utilidades estava o segredo da atração de Batman pela Mulher-Gato.."
S-e-n-s-a-c-i-o-n-a-l bat-mistério... A fantasia de cada um que funcione. HAH! HAH! HAH! HAH! Tara rarara... E lá foi ele, o Homem-Morcego, o Cruzado da Capa Negra, pé no fundo no batmóvel em missão para as brumas do mito.
Santo box: Batman!
O drama de uma geração sempre se toma o pastelão da próxima. Bill Fingers e Bob Kane lutariam contra a má vontade de seus editores para publicarem seu personagem, considerado muito barra-pesada em 1939. Afinal, sua origem estava ligada à vingança de um menino, sobrevivente ao assassinato dos pais por um assaltante, num beco escuro da pobre Gotham City (um dos primeiros nomes de Nova York). Além disso, o herói se vestia com um uniforme inspirado na mais sinistra das criaturas: o morcego. Como poderia se tomar popular´?
Houve concessões, sim, com o surgimento de Robin, um menino que, apesar de ser igualmente órfão por crime, se vestia com roupas de forte colorido. Mas a verdade é que Batman se tornou um fenômeno de massas. Ainda nos anos 40, estrelou um programa de rádio e dois seriados no cinema. O primeiro, em 1943, teve Lewis Wilson, auxiliado por Douglas Croft, contra um inimigo chamado Dr. Daka, que tinha o poder de transformar pessoas em zumbis... Em 1949, foi a vez de Robert Lowery e iohn Duncan juntaram-se ao comissário Gordon contra o maquiavélico "Mágico". Mas nenhuma dessas façanhas obteve a repercussão da Boiman crazv dos anos 60.
O ano era 1966, o começo da ebulição psicodélica e do reboliço pop. O curioso é que o produtor William Dozier não tinha a menor idéia sobre o que fazer com os direitos do herói adquiridos pela rede ABC de televisão. Ele sempre considerou quadrinhos uma coisa boba. Assim, o personagem outrora maldito se tornou uma anacrônica paródia de defensor das instituições, ícone camp de juventude flower power, ilustrando tanto os BIGG BANG POW das telas de Roy Lichtenstein, como também o bat-moralismo que alertava sobre o perigo das más companhias...
Chanchada inesquecível! A série escrachou de vez a reputação do casal dinâmico. Num dos capítulos, Batman evita que Robin se aproxime de meninas que lhe fazem gracinhas, dizendo: "Não, Robin, elas não farão bem a você... Nem o famoso cinto de utilidades escapou. Certa vez, chegou a evitar que a dupla fosse devorada por terríveis tubarões graças ao seu compartimento com... repelente de tubarões!
A trilha de Neal Hefti tomou-se mania mundial, sendo gravada em ritmo de surf music pelos Astronauts e, dez anos depois, pelos ingleses The Jam. A bat-cavema, o batmóvel e inúmeros outros batítens logo conheceram a Batgirl, vivida por Ivonne Graig, uma batgracinha ruiva apertada num colante de couro negro. Entretanto, um plano maligno, mais engenhoso do que as torturas carnavalescas dos vilões especialmente convidados, conseguiu tirar a série do ar em março de 1968, deixando apenas 120 capítulos de nostalgia. Santo videotape, Batman!
Batman supera tudo até Michael Keaton de saltinho e Coringa gordo !
Nenhum comentário:
Postar um comentário