Che Guavira
Lenda etiológica havaiana
No Havaí existe um vulcão que, segundo a lenda, era a morada Pele, a poderosa deusa do fogo. Certo dia Pele adormeceu e sonhou que suas servas estavam dançando pra si. Quando acordou bateu palma pra chamar as servas, fazendo o barulho igual ao duma trovoada. Quando as servas apareceram ordenou dançarem como sonhara. Como Pele se irritava facilmente as pobres moças ficaram trêmulas de medo. Não sabiam como teriam de dançar pra agradar a sua senhora, mas sabiam que ficaria furiosa se não fosse obedecida imediatamente. Então uma das moças teve uma idéia. Correu no campo e apanhou uma braçada de folhas de ti, que amarrou na cintura, formando uma saia e começou, em seguida, a dançar.
— Minha ama gosta destas ilhas. — Pensou — Assim será minha dança.
E assim dizendo, começou a hula, a famosa dança havaiana. Durante muitos séculos a hula continuou a ser uma dança sagrada, que somente era dançada em homenagem aos deuses e deusas. Era executada de muitas maneiras, entre as quais dando socos no peito, batendo pedrinhas chatas e pedaços de bambu, um contra o outro, ou tocando tambor, tudo acompanhando o canto da pessoa que dirigia a dança.
A hula ainda é uma dança que dá bem uma idéia da beleza do Havaí. Cada movimento tem um significado especial, revelando algo sobre a beleza da vida naquelas ilhas, as palmeiras agitadas pela brisa, as ondas murmurantes do mar, as flores, a luz solar. Por exemplo: Se a bailarina cruza os braços de encontro ao peito, isto quer dizer: Te amo ou És meu amigo. Tocar a testa com a ponta dos dedos quer dizer casa, pequeno feixe de capim ou alto da montanha. Pra imitar um peixe as dançarinas juntam as mãos e movem os polegares como se fossem peixes. Mover todos os dedos ao mesmo tempo pode representar a chuva, o mar agitado, uma cachoeira ou o luar.
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