Músico de sólida formação erudita, Rampal é também conhecido por seus passeios na música popular. Neste território consegue brilhar, como o fez na série de melodias japonesas para flauta e harpa, gravada por ele e Lily Laskine e incompreensivelmente não lançada aqui. O mesmo não se pode dizer da audição deste LP, onde ele interpreta transcrições de Michel Colombier para músicas de George Gershwin. Não que se questione seu domínio do instrumento. O que soa estranho é a transcrição para flauta de canções cuja concepção original acaba soando desvirtuada neste instrumento.
J.E.M.
BACH - CONCERTO ITALIANO, CONCERTOS PARA PIANO, INVENÇOES, VARIAÇÕES GOLDBERG - Glenn Gould (CBS)
Sua escolha dos andamentos era, em geral, desconcertante; suas gradações dinâmicas, não raro, agressivamente anticonvencionais; e ele tinha o hábito desagradável de cantarolar enquanto tocava. Mas poucos pianistas conseguiram, como Glenn Gould (1932/1984), unir a uma inteligência de execução, que torna claras as mais complexas tramas polifônicas, tão ilimitada capacidade de transfiguração poética. Bach foi o compositor a quem mais se dedicou esse artista, de um perfeccionismo que o levou a trocar a sala de concertos pelo estúdio de gravação. E de Bach são as obras nestes quatro discos.
L.M.C.
Bizz nº2. setembro de 1985
Glenn Gould – Aria
Glenn Gould – Variations 1 a 1
Jean-Pierre Rampal – Vagabonde
Jean-Pierre Rampal – Affectuese
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