ISAAC ASIMOV
A porcentagem de velhos no mundo está aumentando e a de jovens está
diminuindo. Esta tendência persistirá enquanto a taxa de natalidade continuar a cair
e a medicina continuar a contribuir para o aumento da expectativa de vida.
Para manter as pessoas idosas em boa saúde física e mental e evitar que se
tornem um peso morto para os jovens, tenho recomendado freqüentemente que
nosso sistema educacional seja remodelado e a educação passe a ser considerada uma atividade para a vida inteira.
Como, porém, isso pode ser feito? Onde vamos conseguir os professores?
Quem foi que disse que todos os professores precisam ser feitos de carne e
osso?
Suponhamos que, no próximo século, os satélites de comunicações se
tornem mais numerosos e sofisticados que os colocados em órbita até agora.
Suponhamos que, em lugar de ondas de rádio, passemos a usar ondas luminosas, o
que aumentaria enormemente nossa capacidade de comunicações.
Nessas circunstâncias, haveria espaço para milhões de canais independentes
de voz e imagem; não é difícil imaginar que todos os habitantes da Terra pudessem
ter direito a um canal exclusivo de televisão.
Cada pessoa (criança, adulto ou idoso) teria uma linha particular à qual seria
ligada, durante certos períodos de tempo, uma máquina pessoal de ensinar. Seria
uma máquina de ensinar muito mais versátil e interativa do que as conhecemos hoje
em dia, pois a tecnologia dos computadores também já estaria muito mais
avançada.
Podemos ter razoável confiança em que a máquina de ensinar seria
suficientemente sofisticada para poder modificar seu programa (isto é, “aprender”)
de acordo com as respostas do estudante.
Em outras palavras, o estudante faria perguntas, responderia a perguntas,
daria opiniões, e com base em tudo isso a máquina o ficaria conhecendo
suficientemente bem para ajustar a rapidez e profundidade do curso e, melhor
ainda, destacar os pontos a respeito dos quais o estudante se mostrasse mais
interessado.
Para ser uma máquina pessoal, porém, essa máquina de ensinar não poderia
ser muito grande. Talvez lembrasse um receptor de televisão em tamanho e
aparência. Um objeto de dimensões tão reduzidas poderia conter informações
suficientes para ensinar aos estudantes tudo que quisessem saber a respeito de
qualquer assunto para o qual a curiosidade os atraísse? Não, se a máquina de
ensinar estivesse isolada do resto do mundo. Quem foi que disse, porém, que ela
estaria isolada?
Em qualquer civilização em que a ciência da computação tivesse avançado a
ponto de tornar possíveis as máquinas de ensinar, certamente haveria bibliotecas
centrais totalmente computadorizadas. As próprias bibliotecas poderiam estar
ligadas a uma única biblioteca planetária.
Todas as máquinas de ensinar teriam acesso a esta biblioteca planetária e
portanto poderiam consultar os livros, jornais, gravações e fitas de vídeo que
pertencessem ao acervo da biblioteca. O estudante poderia observar o documento
em uma tela ou imprimi-lo em uma impressora para examiná-lo mais tarde.
Naturalmente, os professores humanos jamais serão totalmente eliminados.
Em algumas áreas, como o atletismo, o teatro e a oratória, a presença de um
instrutor humano é essencial. Além disso, a experiência de trabalhar em grupo é
importante para os estudantes. Entretanto, depois de interagirem com seus pares,
trocando idéias e experiências, poderão voltar, com algum alívio, para as
infinitamente sábias, infinitamente flexíveis e, mais que tudo, infinitamente
pacientes máquinas de ensinar.
Mas quem ensinará às máquinas de ensinar?
Os próprios estudantes, é claro. Estudantes que aprendem livremente os
assuntos que mais os interessam não podem deixar de pensar, especular, observar,
experimentar e, de vez em quando, criar idéias novas, diferentes de tudo que já foi
imaginado.
Eles transmitiriam esses conhecimentos para as máquinas, que os
armazenariam (com o devido crédito, presumivelmente, para o autor da idéia) na
biblioteca planetária, onde imediatamente poderiam ser usados por outros
estudantes. Desta forma, as máquinas de ensinar ajudariam a humanidade a atingir
alturas nunca sonhadas.
Até agora, porém, limitei-me a descrever a mecânica do ensino. E o
conteúdo? Que assuntos as pessoas vão estudar no futuro? Vou especular a
respeito no próximo artigo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário