EZEQUIEL NEVES
No dia 19 de junho de 75, quando os Rolling Stones iam se apresentar no gigantesco Hughes Stadium, em Denver, Colorado. Mick Jagger foi acordado por um telefonema inesperado. Do outro lado da linha, depois de se identificar e de rápidos cumprimentos, o cantor Elton John foi direto ao assunto:
- Hoje eu quero subir no palco com vocês, pelo menos para cantar um número.
- Que número ?
- Bem...o único que eu sei é "Honky Tonk Woman".
(Pausa)
- Está bem, mas apenas um número certo ?
- É claro, garoto. Você está com medo que eu roube o show ?
O diálogo foi registrado pelo escritor e jornalista Terry Southern, no livro The Rolling Stone on Tour,e, na ocasião,Jagger tinha todo o direito de temer que Elton lhe roubasse o show. Afinal, 75 foi considerado por todos os experts da pop music como "o ano de Elton John".
Além de haver transformado na maior atração da música popular anglo-americana, Elton também conseguiu superar os recordes de vendagem dos até então imbatíveis Elvis Presley e Beatles.
Uma façanha mais que justificável se levarmos em conta seu indiscutível talento como cantor e compositor, aliado ao fato de imprimir às suas canções, além de uma imediata comunicabilidade, todos os mais eficientes clichês conquistados pela pop music dos anos 50 e 60.
Trabalhando, desde 68, em parceria com o letrista Bernie Taupin, Elton (Reginald Kenneth Dwight) John, um inglês baixinho e careca, de 31 anos, até o ano passado gravou quase vinte LPs, e, embora seu pique de vendas tenha caído nos últimos anos, tudo indica que adquira novo punch graças ao seu último disco, o irretocável A Single Man. Além de haver produzido o LP com seu peculiar estilo de "feiticeiro do estúdio", Elton introduz em suas dez faixas um novo parceiro, Gary Osbourne, e surpreende também por ser absolutamente fiel ao título escolhido: "Um Solteirão".
Na verdade, mesmo nos números rápidos, o cantor/compositor/pianista injeta em suas novas composições um clima de solidão e amargura até então ausente em seus outros trabalhos. A Single Man poderia muito bem se chamar The Dark Side of Elton John, pois nem mesmo quando ele parodia, em "Big Dipper", um trecho da velha canção "Makin Whoopee”, consegue disfarçar sua atual e pungente melancolia.
Fatiando num cortador de frios camadas de diamante…
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